Reino Unido estuda uso de testes privados para reduzir quarentena

Por a 19 de Outubro de 2020 as 16:19

O Reino Unido admite vir a permitir o uso de testes de diagnóstico privados para reduzir a necessidade de quarentena imposta aos viajantes que chegam do estrangeiro devido à pandemia da COVID-19, revelou o ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps, citado pela Lusa.

De acordo com o governante britânico, que participou esta segunda-feira, 19 de outubro, na conferência “Airlines 2050”, o governo do Reino Unido está a desenhar, em conjunto com as companhias aéreas, um sistema de teste “fornecido pelo setor privado e às custas do passageiro após um período de autoisolamento”.

Este sistema, explicou Grant Shapps, não dispensa a realização de quarentena à chegada ao Reino Unido, no entanto, permite que ela seja encurtada, uma vez que os passageiros fazem o teste uma semana depois de chegarem ao Reino Unido e, caso o resultado seja negativo, podem sair da quarentena, sem terem de cumprir na integra os 14 dias de isolamento, como é atualmente exigido.

O novo sistema não tem ainda data prevista para começar a funcionar, mas está já ser testado num grupo de trabalho que é chefiado por Grant Shapps e no qual participa também o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock.

O objetivo é, segundo o governante, “encontrar soluções que implementem tudo com segurança e eficácia” e facilitar as viagens internacionais, atualmente limitadas devido às restrições impostas por vários países.

“Temos trabalhado intensivamente com especialistas em saúde e com o setor privado de testes sobre os aspetos práticos desse regime”, adiantou Shapps, que identificou como condição não afetar os serviços de saúde e a capacidade de testagem do sistema público.

Além deste novo sistema, o Reino Unido está também a testar, em conjunto com outros países parceiros, a possibilidade das quarentenas serem feitas antes da viagem, ainda que a indústria da aviação prefira a massificação dos testes para dar confiança aos passageiros.

“Acreditamos que a melhor maneira de dar confiança as pessoas é introduzir um teste confiável e de preço acessível antes de voar. Para o Reino Unido, esta abordagem reduziria a pressão nos sistemas de teste do NHS [serviço de saúde público] no Reino Unido e no policiamento do sistema de quarentena”, afirmou Sean Doyle, novo CEO da British Airways, que participou na mesma conferência.

Em estudo está também o projeto CommonPass, que consiste num passe de saúde digital que permite aos viajantes documentar com segurança a conformidade com os requisitos de teste covid-19 através de um código QR nos seus telefones ou em papel, contornando as dúvidas sobre a fiabilidade dos laboratórios ou resultados em diferentes idiomas.

Recorde-se que o Reino Unido introduziu a necessidade de quarentena por 14 dias a todas as pessoas que cheguem do estrangeiro no dia 8 de junho para evitar a importação de infeções com COVID-19, mas cerca de um mês depois isentou cerca de 70 países e territórios, criando “corredores de viagem internacionais”.

Entretanto, a lista de países de risco voltou a aumentar devido ao crescimento do número de novos casos e, no caso de Portugal, o país começou na lista de destinos de risco, de onde saiu em agosto e à qual regressou a 10 de setembro.

 

 

 

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *