Brexit sem acordo “vai ter impacto brutal” e impedir ingleses de viajar

Por a 22 de Setembro de 2020 as 12:03

O administrador da Fundação Calouste Gulbenkian e antigo comissário europeu, Carlos Moedas, considera que a probabilidade do Reino Unido vir a sair da União Europeia sem acordo é cada vez maior, o que a acontecer “vai ter um impacto brutal” no turismo e na aviação, ao ponto dos ingleses se verem impedidos de viajar de um dia para o outro.

“Penso que estamos num período muito difícil e, pela primeira vez, a probabilidade do Reino Unido sair sem acordo é muito superior ao acordo. Isso vai ter um impacto brutal”, afirmou o antigo comissário europeu, que foi o convidado da 3.ª Web Conference promovida pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), no âmbito da V Cimeira do Turismo Português -– Turismo pós-covid, que decorreu esta terça-feira, 22 de setembro, sob o tema ‘Brexit. A Europa em tempos de pandemia’.

Questionado diretamente por Francisco Calheiros, presidente da CTP, sobre se, no limite, os ingleses poderão ficar, de um dia para o outro, impedidos de viajar, já que a inexistência de um acordo para o Brexit levaria ao fim do acordo de céu aberto, Carlos Moedas confirmou que sim, pois o próprio Reino Unido vai ser obrigado a refazer bilateralmente todos os acordos que atualmente envolvem a Europa.

“O comércio é uma prorrogativa da União Europeia e todos os acordos comerciais foram feitos através da União Europeia, por isso, o Reino Unido vai ter, como qualquer país, que voltar a fazer esses acordos. Vamos ter de nos reger pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) enquanto esses acordos não existem e essas regras são sempre piores porque as regras gerais são piores do que os acordos por definição”, acrescentou Carlos Moedas.

Na opinião do responsável, esse “regresso ao passado” teria consequências nefastas para vários setores, como é o caso do turismo e da aviação, já que voltariam a existir tarifas e quotas no comércio entre o Reino Unido e os países da União Europeia, o que, afirmou, “é  negativo e terá efeito no turismo e em Portugal”, apesar de, a nível europeu, também essa possibilidade estar acautelada.

“Em Bruxelas, esta possibilidade sempre esteve preparada e Bruxelas sabe o que fazer no ‘day after’, porque isto vai afetar tudo, desde a aviação, ao turismo, ao comércio no geral e isso está preparado. A questão é que, mesmo com tudo preparado, o abanão vai ser forte”, explicou ainda o atual administrador da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

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