Algarve diz que saída de Portugal do corredor britânico já era “notícia esperada”

Por a 11 de Setembro de 2020 as 11:02

O presidente do Turismo do Algarve, João Fernandes, lamentou esta quinta-feira, 10 de setembro, a decisão do Reino Unido de voltar a retirar Portugal continental do corredor turístico britânico, considerando que a decisão “não é uma boa notícia, mas era esperada”.

“Era uma decisão que era esperada, na medida de que na última semana o indicador de novos casos [de covid-19] por cem mil habitantes em Portugal superou o que tem sido o referencial do Reino Unido e que se agravou entre o período das duas revisões britânicas”, disse João Fernandes à Lusa.

Para o presidente do Turismo do Algarve, esta decisão representa “uma contrariedade muito grande para a procura externa do Algarve, dado que setembro é o mês de maior procura dos britânicos e que dita o início da época alta do golfe”.

João Fernandes lembra que o britânico é o principal mercado internacional no Algarve, considerando que, apesar da região vir a trabalhar na captação de outros mercados, não é fácil substituir a falta de turistas britânicos.

“Temos vindo a trabalhar outros mercados como alternativa, mas o peso relativo do mercado britânico dificulta muito a capacidade de atenuar o impacto e as reduções de procura como certamente veremos nos próximos tempos a partir do Reino Unido”, sublinhou.

O responsável máximo do Turismo do Algarve vê, no entanto, um sinal positivo que pode vir a reverter a posição do Reino Unido, “nomeadamente a redefinição dos critérios do conselho científico, que estão na base para a avaliação, como o número de testes como o fator mais determinante”.

“Há aqui um sinal de esperança se houver uma redefinição do conjunto de critérios, porque temos visto que destinos que testam menos têm tido bonomia de avaliações que nem sempre traduzem a realidade dos territórios, tendo existido já uma discriminação positiva para os destinos insulares”, indicou.

Na opinião de João Fernandes, numa altura em que surgem testes mais baratos, rápidos e eficazes para a despistagem da covid-19, a discriminação positiva poderia estender-se a outras regiões, nomeadamente com “os passageiros a serem testados à partida e à chegada nos aeroportos, o que permitia desbloquear alguns impasses que são criados como medidas de fronteira”, não penalizando as regiões com menos casos.

“Temos a obrigação, sobretudo, enquanto país, de tentar controlar a evolução da pandemia para podermos beneficiar dos corredores aéreos e das ligações que, apesar de tudo, mantemos com o Reino Unido e da procura para esses voos, porque obviamente está não é uma boa notícia, embora fosse aguardada”, concluiu.

Recorde-se que Reino Unido retirou Portugal da lista de países seguros em relação à COVID-19 esta quinta-feira, 10 de setembro, mantendo apenas no corredor turístico as regiões autónomas dos Açores e Madeira, o que significa que os passageiros com origem em Portugal continental têm de ficar em quarentena durante 14 dias na chegada ao Reino Unido.

A medida entra em vigor às 04h00 de sábado, 12 de setembro, em Inglaterra, uma vez que tanto a Escócia como o País de Gales já tinham excluído Portugal da lista de países seguros na semana passada, ainda que, no caso do País de Gales, a restrição se aplique também apenas ao território continental.

 

 

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