Opinião | O “óbvio”

Por a 14 de Agosto de 2020 as 12:27

Por Pedro Machado, Presidente da Turismo Centro Portugal

Aprovado o Plano de Recuperação Económica na UE, agora é tempo de agir. Os 14 ecossistemas industriais definidos terão que constituir a base da aposta para combater a crise e reforçar a dimensão competitiva da Europa e dos seus países membros.

Naturalmente que este deverá ser um processo colaborativo, envolvendo os decisores políticos, as empresas, os centros de conhecimento e as universidades, os centros de competências – os clusters, verdadeiros players a ter em conta e de forma decisiva para o sucesso desta agenda.

No que ao turismo diz respeito, o texto é parco e pouco ambicioso. Parte de um conjunto de premissas óbvias que “o país deve promover um grande plano para captar a atenção dos mercados mais importantes com base nas valências que Portugal apresenta em termos da sua diversidade geográfica e paisagística (…); deixando de lado “a forma” e, sobretudo, os instrumentos e os programas que devem ser tidos em conta para cumprir esse desígnio. Dirão, alguns, que esse é o objetivo. Já temos estudos, planos de desenvolvimento e visões estratégicas suficientes ou até a mais. Falta-nos agir. Falta-nos um plano de ação, concreto e pragmático.

Outros dirão que, por força das circunstâncias, deveríamos ir mais longe, revisitar a estratégia 20/27, ajustá-la e criar novos desafios onde o turismo também é parte importante: refiro-me em concreto à inovação e ao comércio digital, à promoção da economia azul, à mobilização de fundos de modernização das empresas e tantos “outros chavões” que nos têm consumido dezenas de páginas e de posts nas redes sociais.

E continua Costa e Silva “a oferta deve ser diversificada, explorando as diferentes partes do território e é importante apostar na qualidade e ter em conta indicadores não só o número de visitantes, mas também a rentabilidade por turista. O setor do turismo é importante, e tudo o que possa aumentar a sua resiliência deve ser explorado. Portugal pode combinar o turismo convencional com o turismo da natureza, o turismo da saúde, o turismo cultural, o náutico de recreio e construir uma oferta competitiva (…)”.

Não fica claro, pelo menos para mim, ao percorrer o texto e a Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030, que António Costa Silva, em 21 de julho de 2020, tenha percebido qual é o verdadeiro problema do país e do turismo! O turismo está bem estruturado, enraizado nas nossas comunidades, territórios, marcas e produtos, alavancado num conjunto de estruturas suficientes que o tornaram pelo 3º ano consecutivo o Melhor Destino Turístico do Mundo! Falta qualificar, melhorar o serviço, pagar melhor aos seus trabalhadores, claro que sim. Otimizar recursos financeiros, olear as dinâmicas entre sector publico e privado, também. Aumentar a rentabilidade das nossas empresas, sem dúvida.

O que fica por dizer, nesta Visão Estratégica é o “como e o quando” e se ainda vamos a tempo de garantir que não perdemos milhares de empresas que não sobreviverão a visões generalistas e óbvias para a sua recuperação.

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