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Agências

Entrevista:“É o momento de dignificar a profissão do agente de viagens”

O contexto atual é desafiante para a distribuição turística, seja pelo impacto económico, seja pela imprevisibilidade da duração do mesmo. Pedro Gordon, CEO do Grupo GEA, defende que esta é a altura de capitalizar e valorizar o trabalho da agência de viagens.

Raquel Relvas Neto
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Entrevista:“É o momento de dignificar a profissão do agente de viagens”

O contexto atual é desafiante para a distribuição turística, seja pelo impacto económico, seja pela imprevisibilidade da duração do mesmo. Pedro Gordon, CEO do Grupo GEA, defende que esta é a altura de capitalizar e valorizar o trabalho da agência de viagens.

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Raquel Relvas Neto
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Pedro Gordon, CEO do Grupo GEA, grupo de agências de viagens independentes, considera que a sobrevivência das agências de viagens neste período “estranho” vai depender do respeito pelas “margens dignas” e não pela estratégia da guerra pelo cliente através do maior desconto. Para o responsável, o trabalho cada vez mais especializado do agente de viagens tem um valor e esse tem de ser pago.

O turismo tem passado por momentos críticos nestes últimos meses, devido às consequências da pandemia da COVID-19, mas o Grupo GEA tem aproveitado para dinamizar várias iniciativas e ações de apoio às suas agências de viagens. O que motivou e no que consistiram estas iniciativas?
No momento extremamente estranho e inédito, nunca vivido até à data, em que ficámos confinados, com zero atividade comercial, unicamente cancelamentos, cancelamentos, considerámos que era conveniente que os nossos clientes, as agências do Grupo GEA, estivessem em contacto com o mundo se não fosse de um modo físico, que fosse de um modo virtual. Foi por isso que começámos a realizar uma série de conferências online com as principais personalidades das principais areas do nosso setor. Começámos com os diretores gerais dos principais operadores turísticos, o presidente da APAVT, os diretores gerais dos GDS, de forma a que pudessem partilhar um pouco a sua visão do que estava a acontecer e de qual era a previsão ou a provável evolução desta situação tão esquisita e estranha que estamos a viver.
É óbvio que ninguém tem a capacidade para prever o futuro, não somos adivinhos, mas pelo menos achámos que era muito importante que os agentes estivessem em contacto com o mundo exterior, seja com colegas de outros mercados seja, muitas vezes, com pessoas que têm um nível de informação privilegiado. Julgo que foi importante que estas pessoas partilhassem connosco esta informação privilegiada e a sua visão do futuro e do que poderá acontecer nos próximos meses. O facto destas agências estarem todos os dias em contacto com outras pessoas, com outros colegas ajudou a não se sentirem isoladas, a sentirem-se em grupo, protegidos, a fazerem parte da ‘grupo’. O sentimento de proteção de grupo acaba por ser importante num mundo com estes perigos.
Além de personalidades do mundo do turismo, também tivemos alguns ‘coachs’ que ajudaram a motivar e a dar ânimo num momento em que era mesmo necessário estar animado. Quando vemos o mundo a cair, não víamos a saída do túnel e por isso foi importante.
Considerámos que era muito importante ter um contacto quase diário com os nossos clientes e eles com o mundo de fora, foi por isso que tivemos uma atitude ativa para manter esse contacto.

E como é que está a ser esta retoma da atividade?
Está a ser lenta. Temos de estar preparados para uma retoma lenta. Não é em um ou dois meses que isto vai retomar, obviamente. O mundo mudou, os hábitos dos clientes mudaram, há um perigo e isto vai demorar. Poderá haver alguma atividade, com sorte, que dê para pagar as despesas gerais.
A retoma vai ser lenta, temos de nos preparar para vários meses com um nível de receita e faturação bastante baixo.

Qual o impacto que este atual contexto teve no grupo? Já houve agências GEA a encerrar?
Temos alguns dados e num universo de 320 empresas, pararam atividade 16. Estamos a falar, em quatro meses, de 5% das agências do grupo que nos comunicaram que iam parar a atividade. Não quer dizer que seja uma paragem definitiva, pode ser uma paragem provisória. Ficam hibernados nos próximos meses e no mês de março do próximo ano retomam. São empresas pequenas com poucos funcionários que não precisam de fazer despedimentos, têm de, talvez, não renovar um ou dois contratos e os sócios continuam com a empresa ativa mas sem atividade. Fecham o escritório e aguardam o regresso da atividade económica para voltarem à atividade.

Conceito

Este momento pode obrigar a uma reformulação do conceito de agência de viagens, sobretudo ao nível do atendimento ao público?
O momento tem de servir para reformular as coisas que convinham ser reformuladas. O perfil da agência do Grupo GEA é um perfil em que o grande valor acrescentado é o conhecimento do cliente e a qualidade do serviço. Portanto, as agências GEA têm uma grande qualidade do serviço aos seus clientes porque têm um grande conhecimento dos seus clientes.
Neste momento, a curto prazo tem de se ter um contacto um pouco diferente com o cliente, mais contacto digital e menos físico. Têm de se habituar a comunicar mais e a dar a conhecer o produto de modo mais digital do que há meses, pelo menos a curto e a médio prazo.
Já quando falamos de um mundo sem COVID-19 ou com uma vacina, aí já se poderá retomar a uma atividade normal como foi conhecida. Mas, por enquanto, nos próximos meses, ou no próximo ano, talvez se tenha de aprender a ter um contacto com o cliente mais virtual, mais digital.
Isso também implica desafios, o agente de viagens tem de ter um conhecimento adicional ao que já tinha. Agora tem de saber quais são as medidas de segurança obrigatórias em cada destino para poder viajar; quais são os requerimentos obrigatórios para que os clientes possam visitar um determinado destino; isto de um país ao outro, de um destino ao outro. Tem de ter uma informação adicional para poder transmitir ao cliente segurança na viagem que vai realizar, ou seja, um conhecimento adicional ao que já possuía. Já não é só o conhecimento técnico do que são as regras dos bilhetes de aviação, as características das companhias aéreas, como estão os hotéis, onde estão localizados, que tipo de serviço deste operador… É mais um conhecimento que o agente tem de ter para poder transmitir confiança ao seu cliente.

Como é que se faz a gestão de confiança com o cliente/consumidor?
Tem de ser com conhecimento do produto. Se sabe que uma companhia tem umas regras de segurança enormes, que determinado destino tem poucos casos desta doença e que os hotéis onde se vai alojar tem muitas regras de segurança, o cliente vai estar protegido. Por isso, tem de transmitir este conhecimento que o cliente vai estar em segurança, tem de ser transmitido ao mesmo para que se sinta seguro.
Outra reformulação que penso que vai acontecer é no modelo de negócio. A COVID-19 trouxe grandes perdas a todos os Estados e a todas as empresas. Os Estados tiveram que investir ou ainda estão a investir muito dinheiro para combater esta pandemia, ou seja, mais despesa pública. As empresas estão a ter muitas perdas de receitas, de liquidez, isto vai obrigar a ter umas margens, no futuro, que permitam a sobrevivência destas empresas. Estou a falar a médio prazo, um ou dois anos, em perda de poder aquisitivo dos clientes, perda de liquidez das empresas e o incremento do déficit público. Neste cenário, que não é o melhor, para sobreviver temos de obrigar-nos a ter margens dignas. Isto de fazer descontos aos clientes e dar crédito às empresas com ‘tanta alegria’, julgo que chegou o momento de acabar com isto e de assumir que sem margens dignas não vamos poder sobreviver. Temos de nos mentalizar que o serviço tem de ser pago, é justo que seja pago às agências de viagens, os clientes têm de entender isto e as agências precisam dessas margens para garantir a sobrevivência das suas empresas.
Se para ganhar um cliente, ou por medo de o perder, começarmos a fazer descontos, não vamos ter capacidade financeira para assumirmos as nossas despesas, porque vamos faturar menos. Repito, o cliente tem menos poder aquisitivo, as empresas têm menos liquidez económica, o Estado tem mais déficit público e terá de subir os impostos, portanto temos menos faturação com a mesma margem. É o momento de optimizar a rentabilidade e de não abdicar das nossas margens, dignificar a profissão e valorizar o trabalho das agências de viagens.

Relativamente às margens dignas para as agências de viagens, vai haver uma redução dos próprios parceiros das agências de viagens, desde companhias aéreas, operadores turísticos, hotéis. Como é que se garante a continuidade das margens dignas?
Não acho que sejam necessárias margens maiores, mas sim respeitar as margens que temos negociadas. Quando um operador recomenda um PVP (preço de venda ao público), que seja respeitado esse PVP, porque a comissão que a agência tem é normalmente uma comissão justa e digna para garantir a sua sobrevivência. Que se respeite os preços mínimos marcados pelos fornecedores e não ganhar clientes com base em quem faz o maior desconto. Ganhar clientes sim por quem presta o melhor serviço e não o maior desconto. Inverter o conceito: melhor serviço, não maior desconto.
As margens que temos negociadas com grande parte dos operadores e hoteleiros são margens dignas, se respeitarmos, essas margens são suficientes. Outra coisa são as companhias aéreas que o agente tem de cobrar um ‘service fee’ digno que permita a sobrevivência das agências de viagens e acabar com as guerras de ganhar clientes por ter um ‘service fee’ mais baixo.
Algo fundamental para mim é que o trabalho de agente de viagens é extremamente difícil, exige um grande nível de conhecimento técnico. Um trabalho especializado que exige um grande conhecimento comercial e exige saber como tratar o cliente, como ganhar a confiança do cliente. É um trabalho de uma enorme responsabilidade, porque um pequeno erro pode trazer um grande prejuízo económico e um grande prejuízo ao cliente. Por isso, temos dificuldade técnica, dificuldade comercial e grande responsabilidade e isso tem de ser bem pago. Tem de ter uma margem digna. É fundamental que aprendamos a dignificar a profissão e valorizar o serviço que a agência de viagens dá aos clientes. Para isso temos de respeitar as margens que temos negociadas para as agências com os fornecedores e acabar com os descontos tão alegres e com o crédito às empresas, porque não vai haver tesouraria nem capacidade para aguentarmos.

Leia a entrevista completa aqui.

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Distribuição

Luís Henriques (Airmet): “Teremos de continuar a valorizar os serviços que prestamos”

A comemorar o 15.º aniversário, a Airmet irá realizar um webinar luso-brasileiro, com o objetivo de debater os desafios pós-COVID para a distribuição e aviação. O Publituris entrevistou os convidados dos painéis.

Victor Jorge

Em antecipação ao webinar que a Airmet irá realizar no próximo dia 20 de outubro, para comemorar o seu 15.º aniversário, o Publituris, media partner do evento, juntamento com o brasileiro Panrotas, irá publicar algumas entrevistas feitas aos convidados deste evento digital.

O primeiro entrevistado é, precisamente, Luís Henriques, diretor-geral da Airmet Brasil e Portugal.

Possuindo operação dos dois lados do Atlântico, que mudanças antevê para operadores e agências de viagens para o futuro próximo? Existe, efetivamente, uma alteração do paradigma operacional e do negócio? Que diferenças antevê na atuação nos dois mercados e que tipo de respostas terão de passar a dar em função da alteração do cliente?
Não creio que haja uma mudança de paradigma, mas há com certeza uma grande necessidade de evolução na forma de comunicar com os nossos clientes. Em ambos os mercados verifica-se uma cada vez maior exigência por parte dos clientes. Será fundamental que as agências se adaptem a estas novas exigências uma vez que a facilidade de acesso à informação que o cliente tem hoje é consideravelmente superior. Sabemos que em muitos setores a intermediação está claramente posta em causa e teremos de continuar a valorizar os serviços que prestamos para que a confiança dos nossos clientes nas agências seja reforçada. Consideramos também importante a especialização e diferenciação das agências.

Este tema, abordado e comentado há anos sem ser concretizado, será fundamental para o crescimento do negócio das agências. O cliente está cada vez mais exigente e nós teremos de ser cada vez mais informados e focados no “acrescentar valor” ao cliente.

Que mudanças espera no e para o turismo de forma geral e quais são, efetivamente, os maiores ensinamentos que retira desta crise para o futuro da sua atividade e negócio?
Acreditamos que as principais alterações serão ao nível das necessidades dos clientes. Vamos ter uma grande evolução em programas alternativos, uma maior preocupação com o ambiente e sustentabilidade e a necessidade de os atores terem cada vez mais criatividade, pois os clientes pretendem “algo único” com as suas viagens, pretendem sentir que é algo preparado para eles de forma única e exclusiva.

A pandemia trouxe igualmente uma maior preocupação com a saúde e a segurança em viagem, algo que as agências dão importância há muitos anos e que, antes do COVID, não era totalmente valorizado. Será importante passar essa mensagem e acreditamos que neste ponto estamos claramente bem posicionados para que consigamos inverter a tendência da desintermediação do sector.

Sobre o autorVictor Jorge

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Edição Digital: Azul, Geoparque Algarvensis e Lisboa

A segunda edição de outubro do Publituris faz capa com a Azul – Linhas Aéreas Brasileiras, que já está a sentir um forte aumento na procura por viagens entre Portugal e o Brasil, na sequência da reabertura das fronteiras entre os dois países. Em resposta, a companhia prepara-se para retomar os voos diários para Lisboa já em dezembro.

Publituris

A nova edição do Publituris, a segunda do mês de outubro, faz capa com a Azul – Linhas Aéreas Brasileiras, que se prepara para retomar os voos diários entre Lisboa e São Paulo-Campinas já em dezembro. Ao Publituris, Giuliano Ponzio, gerente comercial regional da Azul para a Europa, revela que a companhia aérea, que disponibiliza atualmente quatro ligações entre os dois lados do Atlântico, está a sentir um forte aumento da procura na sequência da reabertura de fronteiras entre Portugal e o Brasil, e quer recuperar rapidamente a oferta que tinha antes da pandemia na capital portuguesa.

Nesta edição, publicamos também um dossier sobre Lisboa. Como está a recuperar a atividade turística na capital apesar do impacto da pandemia, qual é o cenário nas diferentes atividades, assim como as perspetivas para o futuro e as novidades que estão a chegar à oferta lisboeta, são alguns dos temas que exploramos e que pode conhecer neste trabalho.

Saiba também quais são as expetativas da distribuição e da aviação para quando a pandemia estiver ultrapassada. Em véspera do seminário luso-brasileiro, organizado pela Airmet, para debater os desafios pós-COVID, o Publituris quis saber, junto de alguns participantes, como olham para o futuro dos setores da distribuição e da aviação dos dois lados do Atlântico.

Este fim-de-semana, termina a 4.ª edição do Portugal Air Summit. Ao longo de cinco dias, este evento reúne a indústria da aviação em Ponte de Sor, o, num certame que tem também vantagens para a promoção económica e turística.

Conheça também o Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira, que é candidato a Geoparque Mundial da UNESCO e que conta 350 milhões de anos de história da região algarvia. Criar maior coesão territorial e contribuir para tornar o Algarve num destino ao longo de todo o ano, são alguns dos objetivos do novo geoparque.

Os artigos de opinião nesta edição são assinados por Pedro Machado (presidente da Turismo Centro de Portugal), Mariana Calaça Baptista (Centro de Portugal Film Comission) e Luiz S. Marques (investigador do Dreams, Universidade Lusófona).

Leia a edição aqui.

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Nova edição: Azul, Geoparque Algarvensis e Lisboa

A segunda edição de outubro do Publituris faz capa com a Azul – Linhas Aéreas Brasileiras, que já está a sentir um forte aumento na procura por viagens entre Portugal e o Brasil, na sequência da reabertura das fronteiras entre os dois países. Em resposta, a companhia prepara-se para retomar os voos diários para Lisboa já em dezembro.

Publituris

A nova edição do Publituris, a segunda do mês de outubro, faz capa com a Azul – Linhas Aéreas Brasileiras, que se prepara para retomar os voos diários entre Lisboa e São Paulo-Campinas já em dezembro. Ao Publituris, Giuliano Ponzio, gerente comercial regional da Azul para a Europa, revela que a companhia aérea, que disponibiliza atualmente quatro ligações entre os dois lados do Atlântico, está a sentir um forte aumento da procura na sequência da reabertura de fronteiras entre Portugal e o Brasil, e quer recuperar rapidamente a oferta que tinha antes da pandemia na capital portuguesa.

Nesta edição, publicamos também um dossier sobre Lisboa. Como está a recuperar a atividade turística na capital apesar do impacto da pandemia, qual é o cenário nas diferentes atividades, assim como as perspetivas para o futuro e as novidades que estão a chegar à oferta lisboeta, são alguns dos temas que exploramos e que pode conhecer neste trabalho.

Saiba também quais são as expetativas da distribuição e da aviação para quando a pandemia estiver ultrapassada. Em véspera do seminário luso-brasileiro, organizado pela Airmet, para debater os desafios pós-COVID, o Publituris quis saber, junto de alguns participantes, como olham para o futuro dos setores da distribuição e da aviação dos dois lados do Atlântico.
Este fim-de-semana, termina a 4.ª edição do Portugal Air Summit. Ao longo de cinco dias, este evento reúne a indústria da aviação em Ponte de Sor, o, num certame que tem também vantagens para a promoção económica e turística.

Conheça também o Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira, que é candidato a Geoparque Mundial da UNESCO e que conta 350 milhões de anos de história da região algarvia. Criar maior coesão territorial e contribuir para tornar o Algarve num destino ao longo de todo o ano, são alguns dos objetivos do novo geoparque.

Os artigos de opinião nesta edição são assinados por Pedro Machado (presidente da Turismo Centro de Portugal), Mariana Calaça Baptista (Centro de Portugal Film Comission) e Luiz S. Marques (investigador do Dreams, Universidade Lusófona).

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United Airlines lança voos diários entre Ponta Delgada e Nova Iorque no verão de 2022

Operação da United Airlines para os Açores vai decorrer entre maio e final de setembro, e arranca com três voos por semana, passando a ligações diárias entre junho e agosto.

Publituris

A United Airlines anunciou esta quinta-feira, 14 de outubro, que vai passar a oferecer voos diários entre Ponta Delgada, em São Miguel, Açores, e o aeroporto de Nova Iorque/Newark, nos EUA, no verão do próximo ano, numa operação com voos diários, que arranca a 13 de maio e decorre até final de setembro.

De acordo com um comunicado da companhia aérea norte-americana, a rota para Ponta Delgada é uma das novidades que a United Airlines anunciou esta quinta-feira e que contemplam 10 novas ligações e cinco novos destinos, naquela que é a “maior expansão transatlântica da United na sua história”.

Os voos para Ponta Delgada arrancam a 13 de maio de 2022, em aviões Boeing 737 MAX 8, com 16 lugares em classe business, 54 em economy plus e 96 em económica, e a saída de Nova Iorque/Newark decorre pelas 22h55, enquanto a chegada está prevista para as 08h40 (+1). Em sentido contrário o primeiro voo decorre a 14 de maio, com partida da capital micaelense às 10h45 e chegada aos EUA pelas 12h55, sempre em horários locais.

Os voos vão ser operados até final de setembro, com a última ligação desde Nova Iorque/Newark a decorrer no dia 28, enquanto o último voo à partida de Ponta Delgada está previsto para 29 de setembro.

No entanto, os voos não são diários ao longo de toda a temporada, já que, entre 13 de maio e 3 de junho, bem como entre 6 e 28 de setembro, os voos desde Nova Iorque/Newark decorrem três vezes por semana, tal como acontece em sentido contrário, entre 14 de maio e 4 de junho, e de 7 a 29 de setembro.

De acordo com o comunicado da companhia aérea, a nova rota para Ponta Delgada junta-se aos voos que a United Airlines já oferecia para território nacional e que a tornam na companhia aérea com maior número de voos entre os EUA e Portugal, já que a transportadora conta com voos diários entre Lisboa e Nova Iorque/Newark e opera um serviço sazonal entre o Porto e Nova Iorque/Newark, assim como de Lisboa para Washington Dulles, cujos voos vão ser retomados em 2022.

“Sendo a única companhia aérea dos EUA a ligar os Açores à área metropolitana de Nova Iorque, o novo voo reforça a nossa rede de rotas internacionais e oferece aos nossos clientes de Portugal uma maior escolha de viagens e ligações com uma única escala através do nosso hub de Nova Iorque/Newark para outros destinos nas Américas”, destaca Marcel Fuchs, diretor executivo internacional de vendas  da United.

Além da nova rota para os Açores, a United Airlines anunciou também novos voos para Amã, Jordânia; Bergen, Noruega; Maiorca, nas Ilhas Baleares; e Tenerife, nas Ilhas Canárias, ambas em Espanha.

“Todas as novas rotas, cujo início está programado para a primavera de 2022, não são realizadas por qualquer outra transportadora da América do Norte”, acrescenta a United Airlines, que anunciou ainda o reforço de voos para Berlim, Dublin, Milão, Munique e Roma, assim como o regresso das ligações para Bangalore, Frankfurt, Aeroporto de Haneda em Tóquio, Nice e Zurique, que tinham sido interrompidas devido à pandemia.

Todas as rotas, incluindo os voos entre Ponta Delgada e Nova Iorque/Newark, estão ainda sujeitas a aprovação governamental.

 

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Turismo espacial e subaquático: Da promessa à realidade em dois anos

A Les Roches Marbella voltou a ser palco, entre 22 e 24 de setembro, do debate sobre o turismo espacial e subaquático, dois produtos que passaram de promessa a realidade em apenas dois anos e que prometem revolucionar o futuro do turismo.

Inês de Matos

A Les Roches Marbella voltou a ser palco, entre 22 e 24 de setembro, do debate sobre o turismo espacial e subaquático, dois produtos que passaram de promessa a realidade em apenas dois anos e que prometem revolucionar o futuro do turismo.

Há dois anos, quando a Les Roches Marbella organizou a primeira edição da SUTUS – Space & Underwater Tourism Universal Summit, a cimeira dedicada ao turismo espacial e subaquático, tanto o espaço como o fundo do mar continuavam a ser mundos inexplorados e praticamente inacessíveis. Hoje, dois anos depois e com uma pandemia pelo meio, muita coisa mudou e aquilo que era apenas uma promessa, é agora uma realidade, como foi possível comprovar na mais recente edição desta cimeira, que voltou a decorrer nas instalações da Les Roches Marbella, em Espanha, entre 22 e 24 de setembro, e que reuniu, mais uma vez, cientistas, especialistas e representantes de empresas que estão a tornar possível fazer do espaço e do fundo do mar os próximos grandes destinos turísticos.
É que, nos dois anos que mediaram a primeira e segunda edição da SUTUS, os voos espaciais com fins turísticos tornaram-se uma realidade, com o início das viagens privadas da Virgin Galactic, Blue Origin e Space X, enquanto a oferta de submarinos para passeios ao fundo do mar conheceu um crescimento sem precedentes.
Ao Publituris, Carlos Diaz de La Lastra, diretor-geral da Les Roches Marbella, explicou que, mais que os avanços dos dois últimos anos, a segunda edição da SUTUS pretendeu mostrar que, além das empresas mais mediáticas, há muito trabalho a ser feito para tornar o espaço e o fundo do mar nas novas fronteiras do turismo, como indica o tema da cimeira “Turismo além das fronteiras naturais”. “O nosso compromisso com a SUTUS era fazer o encontro mais importante de turismo espacial em Espanha. Isso não estava relacionado com o momento da indústria, mas porque queríamos debater as duas facetas do turismo que nos faltavam explorar e que tinham de fazer uma evolução”, resumiu o responsável, explicando que “as pessoas apenas conhecem esses dois ou três projetos que já são realidade – a Space X, a Blue Origin e a Virgin Galactic. Mas, a verdade é que é mais provável que tenhamos a oportunidade de ir ao espaço ou ao fundo do mar com outros projetos mais económicos “.
A segunda edição da SUTUS contou com a participação de 26 empresas e das principais agências espaciais internacionais, como a russa, a americana, a europeia, a chinesa, a indiana ou a japonesa, uma vez que, acrescentou o responsável, o objetivo era ter, nesta edição, “representado todo o leque de projetos que existem nestas áreas e mais agências espaciais”, de forma a fazer da SUTUS “a melhor montra para as empresas que também têm projetos espaciais e subaquáticos mas não são tão conhecidas”.

Muito mais que uma moda

”” Simon Jenner, Axiom Space

Se há dois anos o turismo espacial era apenas uma promessa, atualmente já é possível viajar até ao espaço por motivos de lazer, uma vez que, em julho, o milionário britânico que é dono da Virgin Galactic, Richard Branson, inaugurou as viagens espaciais com fins turísticos. Em poucos dias, também Jeff Bezos, da Blue Origin, viajou até à órbita da terra e, mais recentemente, foi a vez da empresa de Elon Musk, a Space X, se lançar nas viagens espaciais com astronautas privados. Estava dado o pontapé de saída na corrida a um tipo de turismo que, até há poucos meses, não passava de uma miragem, mas que tem tudo para mudar para sempre o conceito de turismo que conhecemos, até porque a oferta tem vindo a crescer e conta, hoje, com muitos outros intervenientes, alguns dos quais marcaram presença na SUTUS 2021 que, decorreu em formato híbrido, com debate presencial no primeiro dia e online a 23 e 24 de setembro.
Logo no dia inaugural, no qual o Publituris esteve presente, ficou bem patente que o turismo espacial está a crescer, assim como a procura que, segundo Simon Jenner, Spaceflight Business Development da Axiom Space – empresa que está a construir a nova Estação Espacial Internacional, que deverá estar operacional em 2028, e que se prepara para entrar também na corrida aos voos privados ao espaço, tendo já a primeira missão à atual Estação Espacial Internacional agendada para janeiro do próximo ano-, “está a aumentar e há muitas pessoas interessadas”.
Para Simon Jenner, o turismo espacial é mais do que uma moda e os últimos desenvolvimentos vieram provar que é possível tornar o espaço no próximogrande destino turístico. “O turismo espacial não é uma moda. Se é uma moda, é uma moda que está a crescer. Há muitas décadas que se está a trabalhar para tornar possíveis os voos espaciais privados e, agora, estamos a atingir um ponto de inflexão”, congratulou-se o responsável ao Publituris, mostrando-se convencido de que o turismo espacial “é algo que veio para ficar”.
Além do exemplo da Axiom Space, também Bernard Foing, diretor do projeto “Euro Moon Mars”, da Agência Espacial Europeia, marcou presença no primeiro dia da SUTUS 2021 e deu conta dos mais recentes desenvolvimentos no projeto “Moon Village”, que pretende colonizar a lua. No mesmo projeto, está envolvido também Marc Heemskerk, que apresentou os habitats lunares ‘Chill-Ice’, que estão a ser criados para tornar possível a colonização da lua e, quem sabe, também de Marte, numa experiência que será fundamental para desenvolver o conceito de turismo espacial, mas que, segundo o responsável, apresenta ainda lacunas, nomeadamente ao nível do conforto. “Se queremos fazer crescer o turismo espacial, temos de aumentar o conforto destes habitats”, afirmou, comparando os habitats atuais a laboratórios científicos.

Obstáculos ao turismo espacial

”” Marc Heemskerk, habitats Chill-Ice

Tal como Marc Heemskerk, também Simon Jenner concorda que o conforto é um dos obstáculos que se colocam ao turismo espacial e dá o exemplo da atual Estação Espacial Internacional, que “é perfeita enquanto laboratório, mas não é um lugar incrível para dormir”. “Estamos a construir uma estação espacial para ser confortável”, sublinhou, explicando que os módulos habitacionais da nova estação espacial foram projetados pelo designer Philippe Starck e vão oferecer todo o “conforto e luxo”, além de contarem todos com janelas com vista para a Terra, já que a imagem do planeta visto do espaço é, a par da ausência de gravidade, uma das principais atrações das viagens espaciais.
O conforto é, tal como o preço, um dos obstáculos que se colocam ao turismo espacial, mas, tal como a questão do conforto já está a ser trabalhada, também a descida do preço será uma questão de tempo, com Simon Jenner a explicar que, “como em qualquer outro produto tecnológico, como os telemóveis, por exemplo, o arranque é sempre dispendioso”, mas espera-se que o preço venha descer à medida que aumente a oferta. “Precisamos de desenvolver mais a tecnologia e precisamos de maior concorrência ao nível do lançamento dos foguetões para reduzir os custos”, indicou, defendendo, no entanto, que uma viagem espacial nunca será tão barata quanto uma viagem de avião, ainda que o preço possa descer ao ponto de atrair muito mais interessados. Em quantas décadas poderá isso acontecer? Isso é que “é mais complicado de adivinhar”, disse, sublinhando, no entanto, que será tudo uma questão de tempo e que, há 12 meses, por exemplo, ninguém esperava que, hoje, as viagens espaciais já fossem uma realidade.
No que diz respeito à Axiom Space, Simon Jenner garante que, se a procura continuar a crescer, a empresa vai aumentar o número de missões – atualmente estão previstas duas por ano a partir de 2022 – ainda que isso também esteja dependente da possibilidade de acoplar na Estação Espacial Internacional, o que está limitado com as atuais instalações, mas que deverá mudar com o lançamento da estação da Axiom Space, em 2028.

Democratizar o fundo dos oceanos

”” Scott Waters, Pisces VI

Se a parte da manhã do primeiro dia da SUTUS 2021 foi dedicada ao espaço, na parte da tarde mergulhámos no que de mais inovador se está a fazer para levar turistas a conhecer os cerca de 70% da Terra que ainda são desconhecidos e que ficam no fundo dos oceanos.
Scott Waters, project manager do submarino Pisces VI, que já tinha participado na primeira edição da SUTUS, em 2019, regressou a Marbella para dar conta dos novos projetos em que o submarino está envolvido. É que, a par do turismo espacial e apesar de ser menos mediático, também o turismo subaquático tem conhecido um grande desenvolvimento, com o surgimento de veículos subaquáticos com diferentes capacidades e capazes de mergulhar a cada vez maiores profundidades, como é o caso do Pisces VI, que pode descer até aos dois mil metros de profundidade e tem capacidade para quatro passageiros.
E se, há dois anos, Scott Waters dizia que a procura turística era ainda residual, uma vez que estes submarinos continuavam a ser procurados por motivos científicos, a realidade é que também nesta área a motivação turística está a aumentar, de tal forma que o próprio Scott Waters se mudou para as Canárias e está atualmente envolvido numa série de projetos que visam levar turistas a conhecer o fundo do oceano. “Estamos a trabalhar em alguns projetos interessantes nas Canárias. Espero que, no próximo ano, tenha mais novidades, mas posso dizer que vai ser possível conhecer melhor a nossa história”, adiantou o responsável, explicando que as Canárias, por ser um arquipélago de origem vulcânica, contam com atrações que fazem destas ilhas um autêntico ‘hotspot’ subaquático.
Além das Canárias, os submarinos da Pisces têm várias missões agendadas até 2023, incluindo Mar Vermelho, Peru e Antártica, com preços que variam entre os dois e os seis mil euros. “O turismo espacial e subaquático continua a ser caro”, lamentou o responsável.
Além da Pisces, várias outras empresas estão a trabalhar para levar turistas a conhecer o fundo dos oceanos, como a Triton Submarines, que conta com 23 submarinos e está a construir veículos de maiores dimensões, até 60 pessoas, que prometem democratizar as viagens subaquáticas. “Este tipo de oferta vai revolucionar o turismo e a nossa forma de nos relacionarmos com o oceano”, explicou ao Publituris Héctor Salvador, operations director da Triton Submarines e que foi um dos primeiros humanos a ir até ao fundo da fossa das Marianas, em abril. De acordo com o responsável, a oferta “está a crescer”, de tal forma que já “se começa a perceber o potencial do turismo subaquático”. “Muitos países têm um grande potencial. A história marítima de Portugal e Espanha, por exemplo, é vasta e tem navios espalhados por todo o mundo, há também recifes de coral e criaturas marinhas que as pessoas querem ver. Por enquanto, isto está a ser apenas explorado à superfície, mas, quando as pessoas mergulharem e se derem conta do que podem ver, vai haver uma maior aposta neste turismo, sobretudo nas regiões que não têm outros atrativos”, defendeu.

Potencial e vantagens do turismo subaquático

”” Héctor Salvador, Triton Submarines

Com o crescimento da oferta, também a procura turística tem aumentado, com Héctor Salvador a explicar que, a cada ano, “a maior percentagem vem de clientes privados, para uso privado ou charter de megayachts”, ainda que, recentemente, se tenha notado que “está a começar a existir também procura por submarinos 100% turísticos, de maiores dimensões e com mais de 20 passageiros”. Segundo o responsável, estes submarinos registam procura por parte de hotéis de luxo, que olham para estes veículos como forma de oferecer um produto diferenciado. “Penso que isto vai ser um elemento muito atrativo para os hotéis que queiram oferecer uma experiência única aos clientes, algo que mais ninguém oferece”, indicou, revelando que a Triton Submarines já entregou o primeiros destes submarinos maiores a um complexo hoteleiro no sudeste asiático, que “viu no submarino um elemento diferenciador para vencer a concorrência”, uma vez que “apenas os hóspedes desse hotel têm a oportunidade de fazer uma viagem de submarino e ter esta experiência”.
Além de única, Héctor Salvador espera que os turistas que visitam o fundo do mar tenham também uma experiência pedagógica, já que este tipo de turismo permite “educar as próximas gerações sobre a importância do oceano”. “Espero que esta seja uma experiência educativa e que as pessoas deixem de ter aquários e passem a viajar de submarino para ver a vida marinha no seu habitat e tenham consciência de todo o ecossistema. Quando mergulhamos, é espetacular ver como numa rocha vivem 20 espécies de peixes, como se relacionam e o equilíbrio que existe. Só assim percebemos o frágil que é esse equilíbrio e como o ser humano, por desconhecimento, o está a destruir”, indicou.
Outra vantagem do turismo subaquático é a geração de riqueza para as comunidades locais, algo em que este produto se diferencia do turismo espacial, uma vez que, explicou o responsável, o turismo subaquático “é capaz de gerar riqueza local para as comunidades, enquanto o turismo espacial só tem cinco pontos de lançamento em todo o mundo”.
O principal problema continua, tal como nas viagens ao espaço, a ser o preço, ainda que, também nesta área, esteja em curso uma democratização do acesso ao fundo do mar. “Tudo é uma questão de exclusividade e quanto mais oferta houver, mais acessível se vai tornar este tipo de turismo”, disse, explicando que tudo depende do tipo de mergulho, porque “baixar a pouca profundidade, num submarino de 24 ou 60 lugares, é muito acessível”, enquanto um mergulho à fossa das Marianas, a 10 mil metros de profundidade, tem preços mais elevados. “Estamos a falar de preços de 50 ou 60 euros para viagens de uma hora, o que é comparável a muitas das experiências turísticas que podemos ter atualmente”, exemplificou, considerando que “as operações costeiras, a pouca profundidade e com um grande número de passageiros, é algo que será muito acessível”.
Para convencer os mais receosos, Héctor Salvador garante que “o submarino é o meio de transporte mais seguro que existe” e realça que esta é uma “experiência que transforma qualquer pessoa”, porque ninguém resiste aos encantos que o fundo do mar esconde.

Balanço positivo deverá ditar continuidade da SUTUS
No final do primeiro dia da SUTUS 2021, Carlos Diaz de La Lastra mostrava-se satisfeito com a organização da segunda edição da cimeira dedicada ao turismo espacial e subaquático e, apesar da pandemia da COVID-19 – que levou a que esta edição estivesse em dúvida até seis meses antes da sua realização – ter reduzido a assistência presencial do evento, o balanço foi claramente positivo. “Há seis meses não sabíamos se conseguíamos fazer a SUTUS. Nessa altura, era impossível fazer esta edição, porque não poderíamos ter aqui pessoas da NASA ou de outras agências e nacionalidades, mas decidimos ser valentes e tentar. E tivemos muita sorte porque nos últimos meses a situação melhorou muito e estamos muito contentes por estamos aqui”, admitiu o responsável.
Por isso, acrescentou em declarações ao Publituris, a Les Roches Marbella está já a ponderar a realização da terceira edição. “Ainda estamos a pensar nisso, mas aquilo que queremos é ter, a cada ano, uma edição da SUTUS”, admitiu, explicando que, apesar da continuidade não estar decidida, a organização pretende apostar na “diversidade” e ter “toda a área representada” na próxima edição. “Ainda há muito por explorar e muito para mostrar sobre o que se está a fazer nestas fronteiras do turismo”, acrescentou.

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Delta Air Lines retoma voos entre Lisboa e Boston no verão de 2022

No verão de 2022, a Delta Air Lines vai operar até 160 voos diários sem escalas para 55 destinos, o que corresponde a um aumento de mais de 20% na capacidade face a outubro de 2019.

Inês de Matos

A Delta Air Lines vai retomar, no verão do próximo ano, os voos entre Lisboa e Boston, que eram operados antes da pandemia da COVID-19, informou a companhia aérea norte-americana em comunicado, sem adiantar, no entanto, mais pormenores sobre a operação.

O regresso dos voos de Lisboa é uma das novidades anunciadas pela Delta Air Lines esta terça-feira, 12 de outubro, para o próximo verão, para o qual estão também previstas cinco novas rotas, assim como o regresso de outros tantos destinos, sendo que, além de Lisboa, a companhia aérea norte-americana vai também retomar a operação para Dublin, Edimburgo, Londres e Paris.

No total, no próximo verão, a Delta Air Lines vai operar até 160 voos diários sem escalas para 55 destinos, o que corresponde a um aumento de mais de 20% na capacidade face a outubro de 2019, que tinha sido o mês com maior capacidade disponibilizada pela transportadora.

Entre as novas rotas, o destaque vai para os voos para Telavive, em Israel, e Atenas, na Grécia, que passam a contar com voos da transportadora norte-americana desde Boston a partir de 26 e 27 de maio de 2022, respetivamente, ambos com três ligações por semana.

De acordo com o comunicado da companhia aérea, os voos de Atenas e Telavive vão complementar a oferta que a companhia já disponibiliza para Roma e Amesterdão, assim como o regresso dos voos para Lisboa, Dublin, Edimburgo, Londres e Paris.

No próximo verão, a Delta Air Lines vai também manter os voos entre Boston e Cancun, no México, e, este inverno, conta com voos adicionais para Aruba (AUA), Montego Bay (MBJ), Nassau (NAS), Punta Cana (PUJ) e St. Thomas (STT).

A companhia vai ainda aumentar as ligações dentro dos EUA e, a partir de 11 de julho, passa a voar para Baltimore (BWI) e Denver (DEN), contando também introduzir novos voos para San Diego (SAN), enquanto Charlotte e Dallas/Fort Worth passaram a contar com voos diários desde 10 de outubro.

 

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Roadshow das Viagens arranca na Figueira da Foz com mais de duas dezenas de expositores

São 23 os expositores confirmados no Roadshow das Viagens do Publituris, no evento que conta com mais de 500 inscrições.

Publituris

Tem início esta terça-feira, 12 de outubro, o Roadshow das Viagens do Publituris, 6.ª edição que marca o encontro entre Agente de Viagens, Operadores Turísticos, Companhias Aéreas, GSA, Cruzeiros, Hotéis e Delegações Oficiais de Turismo para mostrarem a sua oferta numa iniciativa que potencia o conhecimento, o negócio e o networking.

O Roadshow das Viagens do Publituris mantém a aposta da realização em três cidades, com o arranque marcado para o Eurostars Oasis Plaza (Figueira da Foz) no dia 12 de outubro, seguindo-se Vila Nova de Gaia, no Holiday Inn Porto Gaia no dia 13 de outubro, terminando no Vila Galé Sintra, Resort Hotel, Conference & Spa, a 14 de outubro.

São 23 os expositores que marcam presença nesta iniciativa do Publituris. Confirmados estão: Lufthansa, Latam Airlines, Air France-KLM, Transavia, Turkish Airlines, Abreu Online, ASL Partners, Avis, Avoris, Bedsonline, Consolidador, In Sure Brokers, Mapfre, Europcar, MSC, Melair Cruzeiros, Pine Cliffs Luxury Collection Resort Algarve, DIT Portugal, Pestana Hotel & Resorts, Unlock Boutique Hotels, Solução Perfeita e Hotel Roma Lisboa, além do patrocínio do Turismo do Centro (também expositor), a parceria da Iberobus e apoio da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT).

Contando com habitual workshop, a 6.ª edição do Roadshow das Viagens do Publituris terá, também, um programa social, com jantares exclusivos e animação que promovem o networking entre os participantes.

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“O modelo da TAP precisa de uma escala mínima. Sem ela, a TAP não terá sucesso”

Conversar com Antonoaldo Neves, sem abordar a TAP e aeroporto de Lisboa seria (quase) impossível. O CEO e fundador da P2D Travel falou sobre ambos com o Publituris.

Victor Jorge

Se no caso da companhia de bandeira nacional, “a TAP estava destinada a crescer”, relativamente ao (novo) aeroporto, “discuti-lo sem primeiro resolver o problema da Portela, é uma perda de tempo”, considera Antonoaldo Neves, CEO e fundador da P2D Travel e ex-CEO da TAP.

Olhando, de fora, para um universo que conhece ou conheceu bem – TAP – como analisa essa sua “velha conhecida?
Quando chegámos à gestão da TAP, a companhia estava muito endividada. A dívida era 10 vezes o EBITDA da companhia. Antes da pandemia estávamos com um sistema de alavancagem da TAP, tendo reduzido o endividamento da empresa de forma drástica, para cerca de 4 vezes o EBITDA. A empresa estava bem e, como é público, antes da COVID tínhamos uma proposta firme da Lufthansa para investir na TAP. Por isso, a companhia estava saudável.

Acha que essa proposta da Lufthansa se mantém?
Não sei, não tenho acompanhado bem essa matéria. Sei que o nosso processo negocial com a Lufthansa demorou cerca de um ano e ninguém sabia. Mas penso que ainda é possível no futuro, depende muito da TAP. O impacto da pandemia em todas as companhias aéreas foi muito grande e acredito que a TAP vai recuperar, tem aeronaves muito boas. Se pensar bem, a TAP hoje é uma TAP completamente diferente daquela que existia no passado. Vi a rentabilidade das aeronaves e é extraordinária.

Mas é sabido que a TAP vai reduzir frota. Isso vai refletir-se nalgumas rotas?
O modelo da TAP precisa de uma escala mínima. Sem ela, a TAP não terá sucesso. Em 2019, estávamos ainda abaixo do que acreditávamos ser a escala adequada para a TAP. Uma TAP com menos escala, mais pequena, precisa de outro modelo. Não consigo imaginar que modelo será esse. O que sei é que a TAP, em 2019, estava destinada a crescer. É preciso recordar que o aeroporto de Lisboa estava congestionado e a forma como a TAP ia crescer era pelo tamanho dos aviões. Havia crescimento contratado para a TAP e o modelo escolhido para a TAP precisava de escala.

Mas escala precisa de aeronaves e rotas?
Precisa de aeronaves, rotas, pilotos, mecânicos, comerciais. E precisa ter foco. Outra questão passa por ter “slots” no aeroporto e por defender esses “slots”, ter um grupo de pilotos treinado e pronto para voar e, fundamentalmente, crescer. Ou então, pensar, parar e partir para outro modelo. Pode ser que exista outro modelo. Não estudei outro modelo, mas não duvido que possa existir.

Mas na atual realidade não terá de se pensar noutro modelo?
Pode até ser, mas há que acreditar, igualmente, que o aeroporto cresça. Estamos há anos a falar do aeroporto sem nada acontecer.

Mas o aeroporto terá de crescer ou o aeroporto terá de nascer?
A médio prazo tem de nascer, mas para já tem de crescer. Sempre disse que o foco tem de ser na ampliação da capacidade do atual aeroporto de Lisboa, que tem muito espaço para crescer.

Mas faz sentido fazer crescer o atual aeroporto ou construir um novo?
Discutir um novo aeroporto, sem primeiro resolver o problema da Portela, é uma perda de tempo. A pergunta que sempre fiz enquanto estive na TAP foi: o que vamos fazer pela Portela? É como ter um filho que já nasceu e só querer falar de um filho que ainda não nasceu. Não nos podemos esquecer que o aeroporto da Portela é dos piores aeroportos da Europa, não mudou nada. Nos últimos 18 meses continua exatamente igual.

Concorda, por isso, com quem afirme que esta paragem, devido à pandemia, deveria ter sido aproveitada para se ter feito algo no atual aeroporto, já que, quando o turismo regressar, vamos ter problemas?
Sim, sem dúvida. A Portela já estava no seu limite. Lembro-me que estava definido não realizarmos voos charters porque não havia espaço na Portela. As pessoas têm memória curta.

Não sei o que foi feito neste período, mas espero que tenha sido feito muita coisa.

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Destinos

Reino Unido revê lista de países sujeitos a quarentena obrigatória

São 47 os países e territórios que saem da “lista vermelha” do Reino Unido, ficando livres da quarentena obrigatória de 10 dias num hotel, além de testes no segundo e oitavo dia. Sete países ainda permanecem com restrições.

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A lista de países sujeitos a quarentena em hotel na chegada a Inglaterra ficou reduzida a sete países e territórios, anunciou recentemente o Governo britânico através do seu ministro dos Transportes, Grant Shapps.

Ao todo, saem da lista 47 países e territórios, cujos viajantes deixam de estar sujeitos a quarentena de 10 dias num hotel designado a um custo de 2.285 libras (2.672 euros), além de testes no segundo e oitavo dia.

Angola, Moçambique, Brasil e Cabo Verde estão entre os países a sair na próxima semana da “lista vermelha” de países sujeitos a quarentena em hotel na chegada a Inglaterra, com a mudança a entrar em vigor na segunda-feira, dia 11 de outubro, a tempo das férias escolares intercalares, na última semana de outubro.

Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Perú e Venezuela são os únicos países que permanecem na “lista vermelha” por serem considerados de maior risco para conter a pandemia da COVID-19.

O Governo britânico anunciou também que outros 37 países, incluindo o Brasil e a Índia, passam também a ter as suas vacinas reconhecidas para a entrada no país, eliminando a necessidade de testes pré-partida.

Nova Deli tinha manifestado indignação contra Londres por não reconhecer a versão da vacina AstraZeneca produzida na Índia, pelo que retaliou e impôs várias restrições aos visitantes do Reino Unido.

No entanto, este alargamento não inclui os restantes países lusófonos (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Guiné Equatorial), cujos cidadãos continuam sem as vacinas reconhecidas.

O ministro dos Transportes, Grant Shapps, disse que o alívio das restrições vai permitir o reencontro de famílias e amigos e viagens para destinos turísticos com estações diferentes, “em parte graças ao aumento dos esforços de vacinação em todo o mundo”.

“Restaurar a confiança das pessoas nas viagens é a chave para reconstruir a nossa economia”, acrescentou.

As regras na Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte são decididas pelos respetivos governos autónomos, que se têm alinhado com o sistema inglês.

Desde segunda-feira que está em vigor um sistema simplificado de restrições, que eliminou testes pré-partida na entrada no Reino Unido.

Todos os viajantes, exceto crianças menores de 5 anos, continuam obrigados a pagar um teste de PCR nas primeiras 48 horas após a chegada, o qual deverá passar a ser teste antigénio, mais barato, antes do final do mês.

Os viajantes dos países que não estão na “lista vermelha” que não estão vacinados, estão só parcialmente vacinados ou não têm as vacinas reconhecidas pelas autoridades britânicas estão obrigados a apresentar testes pré-partida, fazer testes no segundo e oitavo dia e cumprir quarentena de 10 dias, que pode ser na própria residência ou outro local à escolha.

 

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Alojamento

Alojamento Local em Lisboa e Porto perde milhares de reservas diárias com pandemia

A perda de 2.000 e 5.200 reservas diárias nas cidade do Porto e Lisboa, respetivamente, durante a pandemia, fizeram com que, em valor, as receitas caíssem cerca de 136 milhões de euros nas duas cidades.

Victor Jorge

A COVID-19 impactou fortemente o setor do Alojamento Local (AL) nas duas principais cidades de Portugal, indicando um recente estudo da Nova SBE que no Porto e Lisboa se perderam uma média de 2.000 e 5.200 reservas diárias, respetivamente, desde a pandemia.

O estudo “Impact of Covid-19 on Tourism and Hospitality: Evidence From Airbnb”, sobre o impacto da COVID-19 nas estadias em Alojamento Local, compara a performance do Airbnb nas cidades de Lisboa e do Porto, entre os anos de 2019 e 2020, sob coordenação do professor Qiwei Han. Para o efeito, foram recolhidos dados históricos relevantes sobre o número de reservas, preços médios e receita para mais de 50.000 propriedades.

Além das perdas já indicadas, o estudo revela, igualmente, que, mesmo nos meses de verão de 2020 – época alta turística em Portugal – o número de reservas não conseguiu atingir o nível do ano anterior, balizado entre as 13.611 (Lisboa) e 5.839 (Porto) reservas diárias registadas em 2019.

No que diz respeito à taxa de ocupação por freguesias nas cidades de Lisboa e Porto, o estudo indica uma quebra média de 28% para a capital e 25% para a “Invicta”, salientando ainda que as zonas mais centrais das respetivas cidades foram as mais afetadas devido à falta de turistas.

O estudo aponta que, durante a pandemia, “o número de reservas foi negativamente correlacionado com o nível de rigidez das medidas de contenção à pandemia, ou seja, quanto mais rígidas as medidas do Governo, menos reservas eram realizadas”.

O estudo, desenvolvido no contexto do Nova SBE Data Science Knowledge Center, a partir de outubro de 2020, revela ainda que houve uma descida média de 4 euros nos preços das reservas, desde a pandemia.

Como resultado, e segundo o cálculo baseado na combinação de reservas e preços, as receitas do Airbnb nas cidades de Lisboa e do Porto apresentam um padrão de perda semelhante.

Desta forma, o estudo estima uma perda de receitas superior a 113 milhões de euros para a cidade de Lisboa, no ano de 2020, enquanto para a cidade do Porto, a perda total de receitas é estimada em 23 milhões de euros para o mesmo ano.

Além da perda de receitas do Alojamento Local, também os municípios de Lisboa e Porto sofreram uma grave perda na cobrança do imposto de ocupação. Se a perda na receita fiscal está calculada em um milhão de euros, em 2020, para a cidade do Porto, o valor sobe quando analisada a cidade de Lisboa, estimando-se em -2,8 milhões de euros, no ano passado.

 

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