“Qualquer plano estratégico para o país tem que integrar o turismo”

Por a 30 de Julho de 2020 as 12:20

Francisco Calheiros lamentou esta quarta-feira, dia 29 de julho, que o gestor António Costa Silva, que elaborou uma visão estratégica para a recuperação económica do país, não tenha tido “oportunidade de falar com ninguém ligado ao turismo”, apesar da disponibilidade da Confederação do Turismo de Portugal.

“Sendo o turismo a atividade que mais relançou a economia nos últimos anos e que neste momento está a ser a mais prejudicada, acho que faria sentido”, disse o presidente da CTP,  à saída de uma reunião no Palácio de Belém com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Em entrevista ao Publituris, publicada no início deste mês, quando questionado se as confederações seriam ouvidas para este plano, o presidente da CTP respondeu: “Consideraria muito estranho que a pessoa responsável por elaborar um plano de reestruturação da economia portuguesa não falasse com a CTP a seu tempo. Todo e qualquer plano estratégico para o país tem que integrar o turismo. A economia portuguesa não tem condições para dispensar o turismo”.

Na mesma entrevista, o responsável sublinhou  que o sucesso do turismo no passado não se deveu a nenhuma ajuda do Estado, mas a uma série de condições, criadas pelos empresários, que “tiveram engenho e arte para fazer do turismo, nos últimos dez anos, o motor da economia”. “O que provámos é que é possível fazer melhor que os outros”, considerou.

Apesar de não ter dúvidas que “o turismo vai voltar a ser o motor da economia”, Francisco Calheiros afirmou que estamos ” viver uma crise sem paralelo” e é “impensável não haver milhares de empresas e milhares de trabalhadores no desemprego. Nomeadamente no turismo, a seguir ao verão vamos ter problemas”.

Depois do encontro com o Presidente da República, Francisco Calheiros, esta quarta-feira, Francisco Calheiros disse que houve falhas “na diplomacia económica”, referindo-se à não inclusão de Portugal nos corredores turísticos de vários países, nomeadamente o Reino Unido.

“Nunca fomos fortes na diplomacia económica, e custa-nos um bocado a perceber que não se tenha feito mais, nomeadamente com os corredores turísticos britânicos, no que diz repeito, concretamente, às duas regiões para onde eles gostam mais de se deslocar, como sejam a Madeira e o Algarve que têm situações, há bastantes dias, extremamente positivas”.

O presidente da CTP defendeu que Portugal deveria “atacar, no bom sentido” os mercados turísticos dos países que mais lhe interessam, como o britânico, “que é 30% das dormidas do Algarve” e o “melhor cliente” de Portugal.

“Teríamos que fazer tudo o que é humanamente possível, desde trazermos cá todos os jornalistas, levarmos lá os epidemiologistas, explicar a situação em que estávamos”, disse Francisco Calheiros, afirmando, em forma de exagero, que se teria que “mudar o Governo para Londres” e não sair da capital britânica “até isso se recuperar”.

O responsável do setor do Turismo considerou “fundamental que Portugal volte a ganhar a sua imagem de segurança que sempre teve” para ser incluído em mais corredores turísticos que dispensem quarentena no regresso ao país de onde são provenientes os turistas.

“Não podemos desarmar, independentemente de não ter grande impacto para o verão – o verão está perdido – esta imagem de que não somos um país seguro para vir… temos de acabar com ela”, vincou o presidente da CTP.

Francisco Calheiros aconselhou ainda “cuidado” com as declarações feitas relativamente aos países que não incluem Portugal nos seus corredores turísticos, lembrando que “eles é que são os clientes”.

Questionado sobre se o mercado interno poderá compensar a ausência de visitantes do estrangeiro, Francisco Calheiros disse que isso não acontecerá “de maneira nenhuma”.

“Em temos normais o turismo interno são 30% das nossas dormidas. E vamos ser claros, há uma crise”, disse o responsável, aludindo à menor disponibilidade financeira das famílias para viajar devido às perdas de rendimentos.

O presidente da CTP deixou ainda críticas ao fim do ‘lay-off’ simplificado, considerando “inexplicável” o seu fim, dizendo que a continuação era “da mais elementar justiça” e “do que os empresários do turismo estavam à espera, empresários esses que há meses e meses continuam a perder dinheiro e vão aguentando os postos de trabalho”.

“O que o Governo diz é que está neste momento a ter medidas de apoio à retoma. Qual retoma, no turismo, pergunto eu? Não há retoma”, afirmou aos jornalistas no final do encontro com Marcelo Rebelo de Sousa.

Um comentário

  1. Pedro Martins

    31 de Julho de 2020 at 12:11

    Sem duvida, até pela representatividade do sector.

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