Opinião | O tempo não corre a nosso favor

Por a 10 de Julho de 2020 as 13:26

Por Alfredo Tavares, diretor de operações My Story Hotels

Fomos o primeiro país da Europa a receber o selo “Safe Travels” promovido pela WTTC, sem que isso nos trouxesse algum resultado prático, porque esquecemos que, por trás do referido selo, há procedimentos que têm de ser cumpridos.

A comunicação – a oficial, que dá o mote à social – também não tem ajudado a região de Lisboa!

Porque passa, de uma forma errada e errónea, a ideia que existe um grave problema na área metropolitana da capital, quando apenas 18 freguesias de um todo composto por 18 municípios têm problemas com a pandemia!

Estivemos meses a preparar-nos como nenhuma outra indústria, com formações constantes, investimentos em novos métodos de trabalho, novos produtos, equipas a adaptarem-se de forma admirável com uma entrega total, para contribuir para o regresso em segurança de clientes e de funcionários.

Infelizmente, foi tomada uma decisão totalmente errada com o não acompanhamento do resto da Europa, aguando da abertura da fronteira com Espanha, dando um sinal contrário ao que era desejável. Depois do choque que representou o facto de alguns países da Europa terem colocado Portugal como destino turístico a evitar, em particular o Reino Unido, é primordial não nos resignarmos, de forma alguma e muito menos assumir essas dificuldades como fatalidades!

Todos os procedimentos do referido selo “Clean & Safe” foram cumpridos pelos hotéis e posteriormente adoptados por praticamente todos os agentes turísticos, e – verdade seja dita – também na maioria dos espaços públicos, com a excepção dos transportes públicos, elemento fundamental para o sucesso da iniciativa.

É altura de nos unirmos de forma a tomarmos medidas concretas, desde logo para podermos ter, efectivamente, um país “Clean & Safe”.

Deixo, por isso é nesse sentido, algumas sugestões:
• À chegada aos aeroportos recolher os questionários entregues nos aviões, distribuir informação das medidas que estão em vigor, em particular o que fazer em caso de sintomas e proceder ao controlo de temperaturas a todos que entram e saem incluindo funcionários aeroportuários;

• Distribuir em todos os transportes públicos (incluindo táxis), estações, paragens, etc., álcool-gel e, se possível, também, máscaras, que, mesmo correndo o risco de abuso na sua utilização, deveríamos ver como um investimento e não como um custo (nos tempos que correm, desinfetar numa será demais);

• Obrigatoriedade de uso de máscaras também nos espaços ao ar livre para que não haja dúvidas sobre o momento da sua utilização;

• Todos os monumentos e museus deverão ser gratuitos (ter estes espaços com público, mesmo sem pagar, é sempre preferível a ter espaços abertos sem utilizadores);

• Inverter os termos do Lay Off, apoiando a nível fiscal ou mesmo com subsídios a quem deseja reiniciar a actividade e não o contrário, de forma a promover a manutenção dos postos de trabalho;

• Aproveitar a época de verão para promoção de pequenas actividades ao ar livre que sejam controladas, seguindo escrupulosamente todas as medidas de segurança, nomeadamente o uso de máscaras.

É fundamental voltar a dar vida às cidades passando uma mensagem de confiança e segurança e que, apesar da pandemia, todos estão comprometidos em receber com a nossa reconhecida hospitalidade não descurando, em algum momento, o bem-estar de todos, residentes e visitantes.

Só com a constatação e o reconhecimento de Portugal como um destino seguro e com actividade normal, na medida do possível, poderemos voltar a ter alguma esperança numa retoma muito rápida!
Antes que seja tarde demais.

Porque … ninguém tenha dúvidas que o tempo não corre a nosso favor!!!

2 comentários

  1. paulo jorge nogueira a.lucio

    13 de Julho de 2020 at 12:00

    concordo plenamente com o nosso colega!precisamos que seja passada a mensagem de que cumprimos todas as regras e procediemntos precisos para que os nossos visitantes se sintam em seguranca!PASSEM A PALAVRA!!VISITEM-NOS PRECISAMOS DE TODOS VOCES!!

  2. Paula Coelho

    13 de Julho de 2020 at 11:01

    Mais uma vez o nosso colega Alfredo transmitiu com toda a clareza e objectividade o que todos pensamos e precisamos.
    Esta é a informação que deve circular.
    A comunicação social tem a obrigação de informar mas saber passar a informação corretamente.
    Não somos só nós profissionais que precisamos do turismo.
    O País inteiro precisa.

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