Opinião | O Turismo em Portugal. E depois da Covid-19?

Por a 2 de Junho de 2020 as 13:04

Por Hélia Gonçalves Pereira, professora de Marketing, PhD, ISCTE Executive Education

Há dias organizámos, no âmbito das atividades do ISCTE Executive Education um webinar que intitulámos de “Há futuro para o Turismo?”. A resposta, do meu ponto de vista e a bem da Nação – veja-se o peso que o turismo tem na economia nacional e a reputação que tem garantido ao país, para lá das nossas fronteiras, nos últimos anos – é, claramente, sim.

Todavia, estamos perante um contexto em que, muito provavelmente, “voltar ao normal” não significa regressar ao ponto de partida. Muito pouco será como antes e as empresas terão que se adaptar e ser flexíveis.

Escrevo no momento do “desconfinamento”, olho pela janela e vejo muitas pessoas a passear. Muitos resolveram sair nos últimos dias e a vontade de ter momentos de liberdade é, provavelmente, mais forte que nunca. Pesquisei a disponibilidade de algumas unidades de alojamento no Alentejo, a pensar nos feriados de Junho e a maior parte das que procurei estava cheia. Mas, e depois deste frenesim inicial abrandar?

Teremos, parece-me, um cliente de hotelaria e turismo mais cauteloso. Que pesquisará e avaliará alternativas de forma mais consciente e fará as suas opções com maior exigência. Que será, ao mesmo tempo mais racional, provavelmente mais frugal e parcimonioso do que antes, mas procurará a experiência em todos os pontos de contacto. Reconheceremos o prazer na simplicidade que pode, ainda assim, ser altamente sofisticada.

Nesta perspetiva, o online será mais relevante que nunca. A experiência começa quando sonhamos poder vivê-la e, aqui, conteúdos de valor acrescentado e estimulantes serão fator crítico de sucesso neste período e no futuro que queremos agarrar. Procuraremos mais agilidade, processos de pesquisa mais intuitivos, compras mais interativas, fruto do contexto claramente mais digital a que nos habituámos no estado de emergência, noutras categorias que não necessariamente o turismo mas que, também aqui, não queremos perder, até porque já o sentíamos ganho.
Do lado das empresas, a responsabilidade será ainda maior. Responsabilidade nos conteúdos, nos comportamentos éticos, nas práticas de sustentabilidade, na orientação para a comunidade. As marcas terão que ser ainda mais envolventes e relevantes.

Em termos de comunicação, acredito que olhar para dentro será determinante. O capital humano é fundamental para garantir objetivos que potenciem o alinhamento entre pessoas e a estratégia organizacional. A comunicação interna adequada, no momento certo e com a mensagem correta, será mais um fator crítico de sucesso. Penso que este é um ponto de partida, e de fecho desta reflexão. Pensar nas pessoas e para as pessoas.

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