Tiago Raiano defende procedimentos e comunicação uniformes do país

Por a 29 de Maio de 2020 as 18:09

Esta sexta-feira, 29 de maio, marca o início da retoma das acessibilidades aéreas para o arquipélago açoriano por parte das companhias aéreas do Grupo SATA.  Com o plano de retoma das ligações aéreas para o destino delineado, chegou a altura de transmitir a confiança ao consumidor.
Esta é a opinião de Tiago Raiano, CEO do grupo Newtour, que conta com o operador turístico Soltrópico, a empresa de animação turística Picos de Aventura, entre outras empresas na área do Turismo, que falava na Web Conferência  “Açores: Preparar o futuro” organizada pelo Publituris com o apoio do Governo Regional dos Açores.

Para o empresário, a transmissão de confiança aos consumidores é uma área onde o destino não tem estado tão bem. “Não temos tido uma mão firme e está na altura em que temos definitivamente de alinhar em termos comunicacionais, quer seja do ponto de vista institucional, seja do ponto de vista dos privados, para transmitirmos confiança ao consumidor, porque podemos fazer tudo muito bem mas vamos esbarrar com um aspecto que se chama confiança”, adverte. Mas esta não é uma lacuna que apenas abrange os Açores. Para Tiago Raiano este “é um problema nacional”, pois não se pode “ter as capelinhas nacionais em que cada região tem quase a sua forma de se posicionar, temos que ter uma voz só, um procedimentos só. Não podemos ter uma lógica se vamos para uma região temos um procedimento, se vamos para outra temos outro procedimento”.
O CEO da Newtour defende que os procedimentos e a comunicação têm de ser uniformes,  porque quando os mercados internacionais olharem para Portugal vão olhar como um todo e a única forma que temos efectivamente de recuperar a confiança do consumidor é, se em termos comunicacionais, falarmos a uma só voz naquilo que está a ser feito e na forma como nos posicionamos”. “Não há outra forma de nos posicionarmos enquanto país que não seja a uma única voz”, alerta, realçando que a confiança tem de estar presente em todo o processo de distribuição turística, que vai desde os aviões, aeroportos, às empresas de animação turística, transferes e hotéis, entre outros.

Outra dos temas levantados pelo responsável foi a questão do repatriamento de turistas. Tiago Raiano evidenciou a importância de se definir o repatriamento de turistas para não se repetir experiências desagradáveis para estes. “Temos de ter um prazo e um plano perfeitamente dilatado para retirar as pessoas de forma a que elas se sintam confortáveis a vir e não se sintam aprisionadas como vimos em alguns sectores, como por exemplo os cruzeiros ou outras situações do género. Isto tem de ser pensado neste momento, porque é no elencar desses pontos que vamos conseguir readquirir a confiança e afastar o medo do consumidor”, destacou.

Operação turística 
O CEO da Newtour enalteceu o papel do Governo Regional dos Açores no controlo da pandemia no arquipélago, um “um bom trabalho e que permite-nos sairmos em vantagem em relação a outros destinos”, disse.  Para alinhar estratégias para as operações turísticas para o destino, Tiago Raiano acrescentou que as medidas anunciadas esta semana pelo Governo Regional dão “prazos e um horizonte” para se começar a “traçar cenários, por muito negativos que eles efectivamente sejam”. Nesta altura, torna-se essencial atenuar os impactos negativos já evidentes que se vão registar este ano, sendo que “a diferença é entre perder 100 ou passar a 80, mas é de perda, estamos a falar de um ano que é de perda”.

“Para que um arquipélago como os Açores possa ainda recuperar alguma coisa e almejar ter um agosto ou um setembro, com alguns números que atenuem toda esta pancada que vamos levar, a acessibilidade aérea é fundamental”, sublinhou, destacando a abertura de ligações anunciada pelo Grupo SATA.  “As acessibilidades aéreas são fundamentais, demos um primeiro passo. É fundamental que esse passo seja continuado e se mantenha com outra abrangência em julho e relembro que de facto os agentes económicos turísticos dos Açores fizeram o seu trabalho”, (…) estão efectivamente preparados para receber turistas”.

“Estamos a gerir a indefinição da necessidade, do ponto de vista económico, de metermos a roda a andar e temos essa necessidade para atenuar as perdas que vamos ter, para recuperar a confiança dos clientes. E o momento é o quando? Qual é o momento em que avançamos com menos força ou com mais força. O Governo Regional esta semana deu-nos boas notícias, esperemos que se mantenham nessa senda, mas elas são fundamentais para transmitir essa confiança que é o que esperamos para podermos transmitir ao cliente final”, realçou, considerando que julho será o mês para se avançarem com as operações no destino.

Outra questão relevante é a questão do isolamento profilático que deixa de ser exigido aos passageiros que cheguem ao destino se apresentarem um teste de despiste da COVID-19 à chegada aos Açores ou se submeterem ao mesmo na chegada. “Concordo a 100% com os testes à chegada, sendo que, faço um repto à secretária, que seria bom, tendo em conta que quem leva o teste feito nas 72hrs antes, que o Governo Regional fizesse aqui um incentivo para que o teste fosse feito na origem, por uma única razão porque a experiência que vamos dar pelo menos no mês de junho aos turistas não parece de facto a melhor, porque vai fazer um teste à chegada e depois vai fazer um teste ao 5º dia, que se tiver sete dias no destino não me parece uma opção”, indica.

Para Tiago Raiano “os arquipélagos portugueses estão na linha da frente” na retoma do turismo e que esta é “claramente uma grande oportunidade que temos para recuperar e avançar com alguns números  para compensar de alguma maneira as perdas que vamos ter”.

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