Madeira: “Se nos posicionarmos de forma mais restritiva, vamos ficar fora do mercado”

Por a 25 de Maio de 2020 as 15:48

O administrador do grupo Pestana, Paulo Prada, considera que a Madeira deveria seguir o exemplo de destinos concorrentes como as Ilhas Gregas, Canárias, Baleares, Açores ou Cabo Verde, no que diz respeito ao posicionamento face à mobilidade aérea. É que, caso contrário, “se nos posicionarmos de forma mais restritiva, vamos ficar fora do mercado. À exceção dos nossos clientes mais fiéis, ninguém virá à Madeira.” O responsável do grupo Pestana falava na Web Conferência “Madeira: Preparar o futuro”, promovida pelo Publituris em conjunto com a Associação de Promoção da Madeira, na passada sexta-feira, dia 22 de maio.

Para Paulo Prada, que lamenta a não existência de uma “harmonização das práticas” a nível aéreo na União Europeia, as companhias vão começar a voar para as rotas que tiverem maior procura e que, simultaneamente, não tenham limites à entrada e à saída.

“Neste momento não temos limitações para os portugueses cá chegarem, mas os ingleses têm limitações, quando regressam ao país têm uma quarentena obrigatória, que não sabemos quando será levantada e é o nosso principal mercado”, recorda.

Paulo Prada reconhece que reabrir o destino é uma tarefa “difícil”, sendo necessário existir um ponto de equilíbrio entre a retoma da atividade e a segurança da população e dos turistas. “A tendência atual já foi mais limitativa, isto evolui todos os dias. Temos de chegar a um ponto de equilíbrio. O que é importante, e o Governo Regional fê-lo, é comunicar atempadamente, para que as companhias aéreas e os potenciais turistas saibam com aquilo que contam. Seria bom haver uma perenidade da decisão, ou seja, tomar uma decisão em maio que valesse para todo o verão, mas há muita volatilidade. Não pode é haver medo de alterar amanhã o que decidimos hoje”.

Durante a sua intervenção, o administrador do grupo Pestana focou a importância da TAP para o destino Madeira, mostrando preocupação com o atual momento da companhia. “Temo pelo turismo da Madeira, porque é muito alimentado pela TAP. A companhia é responsável por uma percentagem elevadíssima de turistas que chegam à região. Por exemplo, traz para cá milhares de alemães que deixaram de ter point-to-point com a falência da Air Berlin e da Germania”.

Incentivos ao mercado nacional
Com as tendências a apontarem para um turismo de curta distância, o mercado nacional é também visto como o primeiro a retomar à Madeira. No entanto, Paulo Prada lembra que, para a Madeira, o mercado português representa pouco mais de 10% da quota de mercado. “Significa que, se tivéssemos os números do ano passado de portugueses, e se todos os hotéis estivessem abertos, teríamos ocupações a rondar os 15%. Ninguém consegue viver com estes valores”, constata. Acresce a questão dos preços dos voos. “A questão do preço das viagens e, eventualmente algumas barreiras à entrada, pode influenciar negativamente e afugentar o mercado nacional. Deveria haver alguma forma de cativar os turistas nacionais”, defende, lembrando algumas ideias que já surgiram, tais como o alargamento do subsídio de mobilidade a todos os portugueses que queira viajar para a Madeira, algo já defendido pelo presidente do Governo Regional. “Ao fim ao cabo era-lhes permitido viajar a um preço de 85 euros, tal como a nós quando nos deslocamos ao continente. Isto numa época meramente transitória”, defende.

Além de ser “absolutamente essencialmente para o turismo nacional, ajudaria a resolver os problemas de tesouraria da TAP”, considera. “Seria uma forma do Estado injetar dinheiro na companhia, permitindo que a TAP operasse mais rotas com um load factor superior”. Paulo Prada lembra outras medidas como a dedução fiscal de despesas de alojamento e de outras atividades turísticas quando as mesmas são realizadas fora do concelho de origem.

“Sem essas medidas, temo que não tenhamos algo muito diferente daquilo que tivemos em anos anteriores”, no que diz respeito ao mercado nacional.

Já quanto aos principais mercados internacionais, britânico e alemão, Paulo Prada faz uma análise diferenciada. “Os ingleses são muito pouco sensíveis a estas questões, quando puderem viajar, vão fazê-lo. Já a Alemanha, têm uma hipersensibilidade a estes temas. Quando tivemos um pequeno surto de Dengue, o mercado mais afetado foi o alemão”.

Apesar de considerar que a retoma turística da Madeira depende destes dois mercados, Paulo Prada considera que “há uma boa janela de oportunidade no inverno IATA 2020/2021 para o mercado nórdico” e explica porquê. “O mercado nórdico tinha saído da Madeira, e de outros destinos semelhantes, para ir para a Tailândia, América do Sul na altura do Inverno. Com esta tendência de viagens mais curtas e rápidas, a Madeira está bem posicionada para poder cativar o mercado nórdico e escandinavo, que nos últimos anos apresentou valores diminutos”.

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