Medidas de apoio ao turismo | Ana Jacinto

Por a 22 de Maio de 2020 as 14:53

Por Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP

A fase que todos estamos a atravessar é de tal forma desafiante e a tantos níveis que é extremamente difícil eleger uma medida que possamos dizer que será o caminho para a retoma. O sucesso da nossa estratégia terá forçosamente de passar por um esforço concertado, desde as entidades oficiais, passando pelos agentes económicos, até ao comportamento de cada um de nós enquanto cidadãos e que também tem um relevantíssimo papel em todo este “novo normal”.

Dito isto, há obviamente medidas que consideramos fundamentais e sem as quais a sustentabilidade das empresas pode estar comprometida. Desde muito cedo, até mesmo antes de se perceber o impacto que a atual crise pandémica viria a produzir, a AHRESP perspetivou vários cenários e apresentou um vasto conjunto de medidas ao Governo, por forma a garantir a sobrevivência das nossas empresas, e dos postos de trabalho que asseguram. Sabíamos que apesar desta situação ser transversal e provocar danos em todas as atividades económicas, pela sua natureza iria afetar especialmente o Turismo, nomeadamente as empresas do Alojamento Turístico e da Restauração e Bebidas.

Assim, desde logo era importante estabelecerem-se medidas que permitissem a estas “hibernar” durante o tempo em que estivessem encerradas ou com atividade muito limitada, bem como agora é fundamental implementar-se medidas que permitam retomar a sua atividade. Não podemos permitir que empresas que conseguiram ultrapassar a fase mais crítica, não consigam agora reerguer-se, fazendo com que todo o esforço tenha sido em vão. Esta situação iria prejudicar, quer os próprios e os seus trabalhadores, quer mesmo o Estado por via dos apoios financeiros que despendeu e dos futuros subsídios de desemprego que poderá ter de pagar.

Na fase em que nos encontramos atualmente, de reabertura de “Restaurantes”, “Cafés” e “Pastelarias”, importa-nos assim garantir, primeiro que tudo que têm condições para abrir, e em segundo lugar que depois de abrirem não voltam a encerrar as suas portas. Para que isso aconteça a medida que a AHRESP julga fundamental e a mais adequada à situação consiste num Plano de Capitalização para as empresas, que permita injetar tesouraria de forma direta ou indireta, seja através da atribuição de apoio a fundo perdido, seja através de apoios à manutenção dos postos de trabalho (lay-off 2.0), seja a redução e/ou isenção de impostos e carga contributiva. Sem tesouraria e liquidez, de certeza que vamos assistir a uma profunda descapitalização das empresas, que há 2 meses estão numa situação de “faturação zero”, sem qualquer capacidade para fazer face aos seus compromissos, seja com trabalhadores, com os seus fornecedores, seja mesmo com o Estado.

Nota de editor: O Publituris vai publicar, ao longo dos próximos dias, uma lista de medidas de apoio ao turismo, com base na opinião e visão de 28 personalidades que trabalham neste setor em diversas áreas direta ou indiretamente.

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