Opinião | Os Guias-Intérpretes continuam presentes

Por a 29 de Abril de 2020 as 15:55

O ano de 2020 iniciou promissor e as expectativas de todos aqueles que dedicam as suas vidas ao Turismo eram justificadamente elevadas. Os últimos anos turísticos foram excelentes para Portugal, do ponto de vista económico e projecção internacional, e ninguém conseguiria antecipar o momento actual que atravessamos.

De um dia para o outro, os Guias-Intérpretes viram todos os seus projectos de trabalho cancelados e os seus rendimentos reduzidos a zero. As perspectivas de trabalho para os meses mais próximos são
nulas e avizinham-se tempos de incerteza. Presentemente, as questões são muitas. Sabemos que o mundo voltará a viajar mas não sabemos quando e em que condições. Quando voltarão as pessoas a ter confiança para viajar? Continuarão a viajar em grupo ou preferirão viajar em família ou grupos menores com o consequente aumento do preço da viagem? Quem poderá viajar?

Como conseguiremos fazer respeitar a distância social entre os participantes de uma visita? Quais os protocolos sanitários a ter em conta aquando de uma visita a um monumento ou uma visita a pé no centro histórico de uma vila ou cidade? Como actuar em caso de suspeita de infecção de um visitante durante uma visita? E, por último, como poderão os Guias proteger-se adequadamente no exercício da sua profissão?

É absolutamente necessário e urgente que as entidades sanitárias, assim como o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado do Turismo, incluam este grupo de profissionais nas suas acções de esclarecimento e formação.

Os Guias-Intérpretes trabalham maioritariamente com o mercado de incoming, nas suas variadas vertentes, e actualmente dependem de terceiros para reiniciar a sua actividade tal como a conheciam: a reabertura de fronteiras e restabelecimento de determinadas rotas aéreas, a confiança do consumidor e a própria retoma da economia
assim como a descoberta de um tratamento ou vacina que cheguem à maioria da população mundial.

Num momento em que se fala do turismo interno e do tão famoso slogan “Vá para fora cá dentro” apela-se à Tutela e a todos os players, nomeadamente aos agentes de viagem e operadores turísticos, que envolvam os Guias-Intérpretes nesta campanha  propondo visitas culturais aos visitantes Portugueses. Quantos portugueses desconhecem o seu país e até a região onde vivem? Há que investir no turismo interno cultural e até mesmo conciliá-lo com
os destinos de sol e praia. O tempo é de união, de entre ajuda e de cooperação entre todos. Os Guias-Intérpretes certificados são altamente qualificados e muitos especializaram-se em determinados temas que poderão ser um valor acrescentado para os programas a propor pelos agentes de viagem e operadores em tempo de enorme adversidade.

Apenas juntos conseguiremos ultrapassar este ciclo penoso e amargo que será, seguramente, longo para todos. Os Guias-Intérpretes estarão sempre presentes.

Por Isabel Correia, guia-intérprete nacional
www.lisbonyourway.com
Integra a direcção do Sindicato Nacional da Actividade Turística Tradutores e Intérpretes (SNATTI)

7 comentários

  1. Ana Gaspar

    1 de Maio de 2020 at 13:32

    Excelente texto que aborda de forma clara a actual situação dos guias-intérpretes
    Parabéns e obrigada

  2. Ana Tavares

    1 de Maio de 2020 at 11:55

    Faço minhas as palavras das colegas, obrigada Isabel.

  3. Diná Peres

    30 de Abril de 2020 at 15:19

    Artigo bem escrito, quer na forma quer no conteúdo.
    Concordo plenamente com a abordagem feita pela colega Isabel Correia.

  4. maria do rosário olaio

    30 de Abril de 2020 at 11:19

    Parabéns Isabel! Deste Voz aos nossos pensamentos. Há que dinamizar o Turismo interno. Há realmente tanto para ver , descobrir e aprender em Portugal, que muitas famílias portuguesas desconhecem.E que através dos olhares e conhecimentos dos Guias Intérpretes, tomam outra dimensão. Com a ajuda de todos, conseguiremos devagarinho ir ultrapassando estes tempos.

  5. Maria de Lurdes Lima

    30 de Abril de 2020 at 4:14

    Artigo muito elucidativo da presente realidade desta classe profissional que tão bem nos promove e representa enquanto destino turístico. Contamos sempre com os guias-intérpretes, verdadeiros embaixadores culturais, para a recuperação do nosso turismo, no período pós pandemia.

  6. M. Eduarda B. Mendes Ramos

    29 de Abril de 2020 at 19:32

    Palavras sábias, Isabel…o turismo deu tanto a Portugal e agora não temos resposta às nossas questões e temores.Espero ansiosamente que alguém de direito e responsabilidades nesta área responda. Obrigada

  7. Teresa Prazeres Torres

    29 de Abril de 2020 at 19:25

    Obrigada, Isabel, por teres posto neste excelente artigo todas as preocupações que nós vão na alma!

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