“É necessária uma nova vaga de apoios que represente entrada de dinheiro nas empresas”

Por a 31 de Março de 2020 as 14:53

Com 44 casos confirmados de pessoas infectadas com a Covid-19, a Madeira já adotou várias medidas para controlar o avanço da pandemia na região. O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, decretou a 17 de março, a suspensão das atividades turísticas, depois de se ter registado o primeiro caso positivo de Covid-19 e, desde esta terça-feira, 31 de março, só podem desembarcar no Aeroporto Cristiano Ronaldo um máximo de 100 passageiros por semana.

Para o setor do turismo, o impacto da Covid-19 “é enorme”, diz ao Publituris o Secretário Regional de Turismo e Cultura, Eduardo Jesus. “Esta paragem abrupta não tem precedentes nem histórico que nos possa dar uma luz sobre o futuro mais próximo”, considera e, portanto, fazer previsões sobre a recuperação de um setor que vale mais de 26% do PIB Regional é agora muito difícil. “Não é possível prever, com rigor, o início da recuperação”.

O Secretário Regional mostra-se confiante quanto à resposta dada para combater a pandemia. “A Região Autónoma da Madeira adotou medidas muito rigorosas para lidar com a pandemia e isso poderá valer uma evolução favorável, dentro do possível, de todo este constrangimento”. No entanto, Eduardo Jesus sabe que a recuperação não depende apenas da Madeira: “Estamos a falar de turismo e este setor vive da procura externa à Região. Por esta mesma razão, a retoma só será possível quando as regiões emissoras de turismo para a RAM estiverem bem. Não basta que a Madeira e o Porto Santo estejam bem. É preciso que quem nos procura venha de regiões sem problemas de saúde, caso contrário, dificilmente voltaremos aos níveis de atividade que tínhamos até há poucos dias”.

Resposta do Governo e da Secretaria Regional

O Governo Regional da Madeira tem “estado muito próximo do setor, comunicando, procurando resolver problemas e acompanhando a evolução do processo”, afirma o Secretário Regional.

O processo de regresso dos turistas às suas origens está concluído, numa operação que Eduardo Jesus classifica de “dura e que requereu muito a muitos profissionais que lutaram pelo contrário daquilo que é usual e normal”. Desta vez, afirma, “tivemos de estar empenhados em fazer regressar e não em captar os turistas. É, sem qualquer dúvida, uma violência tremenda, pois é contranatura. Tudo foi feito e conseguido. Hoje temos à volta de 100 turistas na Região. São estadias de longa duração e que já cá estavam há muito tempo e que pretendem ficar mais algumas semanas ou mesmo meses”.

A Secretaria Regional esteve também a acompanhar a fase da decisão do que fazer às unidades hoteleiras. “Sucederam-se reuniões com o setor, com as associações representativas e procurou-se desenvolver soluções de apoio à atividade empresarial, para além daquelas que têm caráter nacional”.

No seguimento das medidas anunciadas pelo Governo Central de apoio às empresas e às famílias, o Governo Regional da Madeira decidiu apoiar todos os profissionais com rendimento da categoria B, duplicando o apoio previsto através da Segurança Social. “Na prática, através do Instituto de Emprego, a Região suportará através do seu orçamento, mais um Indexante dos Apoios Sociais (IAS) a cada um dos profissionais, permitindo um conforto diferente para que possam fazer face às respetivas necessidades mensais”.

Por outro lado, o Governo Regional da Madeira decidiu também avançar com uma Linha de Apoio de 100 milhões de euros, orientada para a preservação dos postos de trabalho, apoiando todo o tipo de empresas, independentemente da dimensão, havendo a possibilidade do apoio ser convertido a fundo perdido. “Trata-se de uma linha que prevê empréstimos com taxa de juro bonificada a 100% pela Região, que resulta numa taxa de juro zero para as empresas, com um período de 5 anos e 18 meses de carência. Conforme referi, em função da evolução do negócio da empresa e dos postos de trabalho, aquela ajuda poderá, no final do período de carência, ser convertida, na totalidade, em subsídio a fundo perdido”, explica Eduardo Jesus.

Questionado sobre se as empresas turísticas têm condições para sobreviver a uma nova recessão, o responsável do Turismo na Madeira acredita que “podem ocorrer mudanças nos modelos de negócio, nos próprios agentes do negócio, e, muitas vezes, resulta em concentrações de empresas ou de atividades, no aparecimento de novas oportunidades… Enfim, teremos de tudo, um pouco”. O importante é “estar sempre presente e muito próximo ao setor para medir o pulso e disponibilizar os melhores meios nos momentos certos. Julgo que, neste momento, mais vale a atitude do que a intenção. Este não é um setor qualquer. Tem enorme peso económico, envolve uma dimensão de emprego que não se encontra noutro qualquer e permite um contributo definitivo ao nível das exportações. São todas razões para atendê-lo de forma muito própria. Esta consciência existe e o Governo Regional da Madeira tudo fará para ajudar o setor neste tremendo desafio com que nos deparamos”.

Hotelaria em lay-off?

Neste momento, a região depara-se com diferentes situações ao nível do alojamento: “Temos grupos que vão manter o seu pessoal conforme está, por mais algum tempo, assumindo os respetivos salários por inteiro. Existem outras unidades que já nos deram a indicação da decisão de recorrer ao lay-off. Existem ainda outras unidades que foram requisitadas para a realização do confinamento obrigatório, o que permite um nível de funcionamento que resulta positivo para cada uma delas”.
Relativamente ao relançamento da atividade, Eduardo Jesus adianta que a Associação de Promoção da Madeira já se encontra a trabalhar nesse sentido. “Além de um conjunto de medidas para ajudar os respetivos associados, está a ser ultimado um plano de ação específico que atende ao momento que vivemos e aquelas que nos parecem vir a ser as primeiras oportunidades, nomeadamente, junto de mercados emissores de maior proximidade, onde se inclui, naturalmente, o mercado nacional com quem estamos a trabalhar afincadamente há largos meses”.
Mais medidas

O Secretário Regional de Turismo e Cultura da Madeira considera que as empresas, em geral, e não só na Madeira, “precisam, neste momento, fundamentalmente, de apoio que compense a não atividade, para manter os níveis de emprego. Converter a não receita em dívida poderá ser muito duro, mesmo para o relançamento da atividade. Isso vai, necessariamente, condicionar todo o processo”.

Para o responsável, existe uma necessidade de avançar para “uma nova vaga de apoios que represente entrada efetiva de dinheiro nas empresas, atribuído a fundo perdido que represente uma verdadeira ajuda numa crise que requer medidas muito arrojadas e pensadas fora do formato habitual”.

Eduardo Jesus considera que “será necessário mais apoio e outro tipo de apoio”. Essa necessidade “será uma obrigação, dentro de muito pouco tempo, sob pena de perdermos muito mais do aquilo que se imagina”.

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