Agências de viagens espanholas pedem suspensão da directiva europeia de viagens organizadas

Por a 25 de Março de 2020 as 12:32

As agências de viagens, um pouco por todo o mundo, foram apanhadas no meio deste tsunami provocado pela pandemia do novo coronavírus e dos cancelamentos que daí advieram. Em Espanha, a imprensa espanhola dá conta de agências de viagens que se encontram mesmo “entre a espada e a parede” sobretudo devido às obrigações a que a directiva europeia das viagens organizada obriga.
Perante a atual situação, que tem provocado um crescimento exponencial de cancelamentos e, consequentemente de reembolsos, a FETAVE – Federacion Empresarial de Asociaciones Territoriales de Agencias de Viajes Españolas solicitou ao governo espanhol para colocar em ‘standby’ a aplicação desta directiva, que entrou em vigor no país em dezembro de 2018.

Em entrevista ao Hosteltur, o presidente da FETAVE, César Gutiérrez indicou que a entidade vai enviar uma petição à tutela, pois a directiva europeia pressupõe que as agências de viagens sejam obrigadas a reembolsarem ao cliente, enquanto, nesta situação atual existem muitas companhias aéreas que não estão a fazer reembolsos, mas atribuem sim vouchers e bónus. “O principal problema ocorre quando uma companhia aérea cancela o voo e a viagem não pode mais ser feita. Nesse caso, as agências tentam adiar a viagem. Ou seja, precisamos dar alternativas ao cliente. Mas muitas companhias aéreas, embora também sejam obrigadas pelos seus próprios regulamentos e pela própria Comissão Europeia a devolver o valor do bilhete, verifica-se que não estão a fazer isso, mas sim a dar vouchers e bónus”.

O responsável dá como exemplo o pacote de uma viagem com voo e hotel organizado pela agência de viagens com saída para este fim-de-semana: “A companhia aérea informa-nos que os voos foram cancelados e para o cliente que comprou o bilhete – porque esse ainda é um bilhete nominal – a empresa dá-lhe um voucher ou bónus, mas diz que não devolverá o dinheiro. No entanto o pagamento do bilhete já foi feito à companhia aérea e a agência de viagens não possui esse dinheiro”.
Portanto, nesta situação, explica o responsável, o cliente pode efetuar queixa da companhia aérea, mas a directiva europeia obriga que a agência de viagens “devolva todo o dinheiro”. Ou seja, “parte de nossos fornecedores não devolve o dinheiro e, no entanto, deseja que as agências de viagens devolvam o que nem é nosso. O que nós nem temos”. É por esta situação que a FETAVE considera o levantamento desta directiva “vital”, com a qual se pode fazer face “à falência de muitas agências de viagens”.

A FETAVE propõe assim que, enquanto dure esta situação de estado de emergência, que a directiva europeia para viagens organizadas seja suspensa. “O objetivo seria tornar os regulamentos mais flexíveis para facilitar os adiamentos de viagens emitindo um voucher, por exemplo, e sempre de acordo com os fornecedores. A ideia, insisto, seria um relaxamento, para não forçar a agência de viagens a devolver o valor total da viagem em dinheiro. Mas só o respeitante aos reembolsos dos fornecedores que o fizeram”.

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