Opinião| COVID-19: A virtualidade é sinónimo de potencialidade?

Por a 23 de Março de 2020 as 15:39

Vários dicionários registam virtualidade como sinónimo de potencialidade, palavra por sua vez definida também por caracterizar algo simulado pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).
Perante a atual conjuntura que se vive neste momento, no país e no mundo, devido ao COVID-19, estará o turismo preparado para fazer face aos desafios de uma responsável quarentena como a que vivemos?
O uso dos novos media e as consequências da sua exponencialidade na sociedade atual são cada vez mais um ponto de análise e reflexão. O potencial social das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e os efeitos que produzem na forma de pensar e agir de cada indivíduo, são indiscutíveis e representam uma oportunidade inequívoca para o turismo.
Tendo por base diversos estudos feitos sobre o novo consumidor, a incorporação das mais diversas tecnologias no quotidiano parece ser um facto inevitável. Agora, e perante esta situação de emergência poderá o turismo virtual ou digital constituir-se uma alternativa válida para a sustentabilidade dos museus e espaços turísticos bem como da cultura que estes representam?
A Google Arts & Culture vem ajudar o turismo e a cultura a assumirem esta visão depois de estabelecer uma parceria com mais de 500 museus e galerias em todo o mundo.
Através desta dinâmica é hoje possível visitar as melhores coleções de arte de sempre sem sair de casa e de forma gratuita. Desde o museu Van Gogh, em Amesterdão, à Galeria Nacional de Arte, em Londres, passando também por algumas das coleções do Museu Calouste Gulbenkian e até mesmo do Museu Coleção Berardo. Alguns têm até “street view”, permitindo ao utilizador andar pelo museu da mesma forma que anda pelas ruas através do Google Maps. Além de reunir a maior parte das tendências de comunicação digital de cultura, esta plataforma faz uma profunda interligação entre a arte e tecnologia.
Embora as visitas virtuais apresentem uma panóplia de vantagens, muitas vezes são vistas como negativas no sentido em que afastam as pessoas da visita física, no entanto importa realçar que estas não foram criadas para substituir as experiências presenciais. No paradigma atual cada vez mais, as histórias são os principais argumentos de comercialização. Nesse sentido é relevante olhar para as estratégias dos museus e perceber que efetivamente é necessário inovar dentro e fora de portas e que estes, sejam capazes de transmitir os seus conceitos ao mesmo tempo que possibilitam aos diversos públicos experiências inovadoras através da interligação com o respetivo património.
Esta virtualidade tecnológica deve assumir-se como complemento do espaço físico do museu, facilitando e potenciando a comunicação dos locais, bem como, captar a atenção do visitante, possibilitando uma nova visão do objeto museológico.
Desta forma, e perante o paradigma atual, poderá ser o COVID-19 uma oportunidade para repensar o modelo de comunicação no turismo e avaliar o impacto que a virtualidade poderá ter no universo cultural e patrimonial?

Por Cristóvão Monteiro, Business Development Manager da Ubiwhere e Especialista em Marketing Territorial

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