Covid-19: América Latina fecha fronteiras e companhias aéreas reduzem operação

Por a 17 de Março de 2020 as 11:10

A pandemia de Covid-19 já levou vários países da América Latina a fechar as suas fronteiras aéreas, terrestres e marítimas, decisão que não foi ainda tomada pelo Brasil, mas que poderá ser seguida em breve, de acordo com a imprensa brasileira, que avança também que várias companhias aéreas latino-americanas estão a reduzir a operação.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a Argentina foi o primeiro país da América Latina a avançar com o fecho de fronteiras a turistas e estrangeiros, decisão que foi anunciada no domingo à noite, 15 de março, e que foi acompanhada pelo cancelamento dos voos com origem na Europa e nos EUA, por um período de 30 dias.

Esta segunda-feira, 16 de março, foi a vez do Uruguai anunciar também o encerramento de fronteiras, depois de ter declarado, na sexta-feira, 13 de março, o estado de emergência sanitária e a adoção de várias restrições, como a quarentena obrigatória de 14 dias para os passageiros provenientes da China, Coreia do Sul, Japão, Singapura, Irão, Itália, França e Alemanha.

Honduras e Peru também optaram, segundo a Agência Brasil, por encerrar fronteiras nesta segunda-feira, o primeiro por um período de 15 dias, enquanto no Peru a medida deverá vigorar por sete dias. As Honduras e a Guatemala acordaram também encerrar as suas fronteiras comuns, numa decisão que já tinha sido tomada na semana passada.

Além destes países, vários outros optaram ainda por um encerramento parcial de fronteiras, como é o caso do Paraguai que, segundo a Agência Brasil, fechou praticamente todas as fronteiras nesta segunda-feira, numa medida que também a Bolívia já tinha decretado, no domingo, 15 de março, e já depois de na quinta-feira, dia 12, ter declarado emergência nacional e proibido a entrada de passageiros provenientes da China, Coreia do Sul, Itália e Espanha.

A Colômbia foi outro dos países da América Latina a optar pelo encerramento de fronteiras, tendo encerrado apenas a fronteira com a Venezuela e proibido os voos com origem na Europa e na Ásia, enquanto o Chile fecha as fronteiras esta quarta-feira, 18 de março.

Apesar de grande parte dos países da América Latina estarem a optar pelo encerramento de fronteiras e limitação dos voos com origem em vários países europeus e na China, o Brasil continua sem encerrar qualquer fronteira, ainda que a revista brasileira Exame avance que a decisão poderá estar para breve, até porque a fronteira com a Venezuela é uma preocupação para as autoridades brasileiras, que desconfiam que o número de casos de Covid-19 divulgados pelo regime venezuelano está longe da realidade.

Num artigo publicado esta segunda-feira, 16 de março, a Exame dá conta de uma reunião no Ministério da Defesa do Brasil, na qual participaram vários ministros brasileiros e responsáveis da polícia e autoridades sanitárias, na qual terá sido avaliado o encerramento de fronteiras, ainda que sem medidas concretas.

Companhias aéreas reduzem operação

Na aviação latino-americana, o Covid-19 está igualmente a ter um forte impacto, com várias das companhias aéreas com sede em países da região a anunciarem uma redução da operação, seja por causa das limitações impostas pelos vários países ou pela ausência de procura por parte dos passageiros.

É este o caso do Grupo LATAM, que tem sede no Brasil e cujas companhias anunciaram já uma redução de capacidade de 70%, percentagem que chega aos 90% no caso dos voos internacionais e aos 40% nas operações domésticas.

“Tomámos essa decisão complexa devido à impossibilidade de voar para grande parte dos nossos destinos devido ao encerramento de fronteiras. Se as restrições de viagens sem precedentes forem estendidas nos próximos dias, não descartamos sermos forçados a reduzir ainda mais as nossas operações”, disse Roberto Alvo, VP de Negócios do Grupo LATAM e próximo CEO do grupo, citado pelo portal Mercado&Eventos.

Tal como a LATAM, também a Azul, que conta igualmente com sede no Brasil, decidiu suspender rotas, encerrar bases e suspender a entrega de novas aeronaves, avança a imprensa brasileira, que cita um comunicado difundido esta segunda-feira, 16 de março.

A partir desta segunda-feira, a Azul suspendeu todos os seus voos internacionais, com exceção dos que têm partida do aeroporto de Viracopos, em Campinas, com a companhia aérea a prever que a redução de capacidade em março se situem entre os 20% a 25%, enquanto em abril e nos meses seguintes, até que a situação normalize, deverá ser entre 35% e 50%.

Devido à redução da procura, a Azul vai também suspender a operação em algumas das suas bases, prevendo encerrar provisoriamente a base de Bariloche entre 21 de março e 30 de junho, bem como as bases de Lages, Pato Branco, Toledo, Ponta Grossa, Guarapuava, Araxá, Valença, Feira de Santana, Paulo Afonso e Parnaíba entre 23 de março e 30 de junho.

Já a também brasileira GOL vai reduzir a sua capacidade até 70% até ao mês de junho, com maior impacto na operação internacional da companhia, que deverá ser reduzida até 95%, enquanto a doméstica deverá sofrer uma redução de 50% a 60%.

 

 

 

 

 

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