Alianças de companhias aéreas juntam-se em pedido de apoio ao setor

Por a 16 de Março de 2020 as 11:51

As três alianças globais de companhias aéreas oneworld, Sky Team e Star Alliance juntaram-se para pedir aos governos e a todas as partes interessadas que tomem medidas para aliviar “os desafios sem precedentes” que as companhias aéreas estão a enfrentar devido ao surto de Covid-19, o novo coronavírus que já fez mais de seis mil vítimas mortais em todo o mundo.

Num comunicado conjunto enviado à imprensa esta segunda-feira, 16 de março, as três alianças de companhias aéreas, que representam cerca de 60 das principais transportadoras de todo o mundo, manifestam o seu apoio à IATA – Associação Internacional de Transporte Aéreo, que solicitou a suspensão da regra que obriga as companhias aéreas a realizar, pelo menos, 80% dos voos previstos para não perderem o histórico de slots.

“As alianças saúdam as medidas tomadas, nos últimos dias, por alguns reguladores, que suspenderam temporariamente o regulamento das faixas horárias e instam outros a seguirem imediatamente o seu exemplo. Também solicitam aos reguladores que considerem estender as suspensões por toda a temporada”, referem as três alianças, no comunicado divulgado.

As alianças oneworld, Sky Team e Star Alliance reafirmam que o impacto do Covid-19 nas companhias aéreas “é significativo” e apontam as estimativas da IATA, que antevê perdas de receita na ordem dos 1113 mil milhões de dólares, valor que não inclui as restrições, entretanto, adotadas pelos EUA, daí que, dizem as alianças, se espere que “o impacto tenha um efeito cascata na cadeia de valor que suporta o setor de transporte aéreo”.

“Para aliviar as imensas pressões enfrentadas pelas companhias aéreas no ambiente operacional atual e em apoio à declaração da IATA de 12 de março, as três alianças instam os governos do mundo inteiro a se prepararem para os amplos efeitos económicos das ações tomadas pelos estados para conter a disseminação do Covid-19 e avaliar todos os meios possíveis para ajudar o setor das companhias aéreas durante esse período sem precedentes”, aponta o comunicado divulgado esta segunda-feira.

As alianças de companhias aéreas apelam também à várias partes interessadas, a exemplo das operadoras aeroportuárias, no sentido de tomarem medidas que apoiem as companhias aéreas, nomeadamente ao nível de uma redução das taxas aeroportuárias, de forma a “mitigar a pressão financeira” que as transportadoras estão a enfrentar, devido às restrições de viagens e à quebra abrupta da procura.

“Durante estes tempos de dificuldade e incerteza, é importante que o setor aéreo trabalhe de forma ainda mais próxima com as partes interessadas para mitigar os impactos adversos do vírus e colaborar em áreas sob o nosso controle. Os governos devem implementar as medidas que considerarem necessárias para conter a disseminação do COVID-19 e devem estar preparados para as implicações económicas em larga escala que resultarão dessas medidas”, afirma Rob Gurney, CEO da oneworld.

Já Kristin Colvile, CEO e diretora geral da Skyteam, pede “medidas excecionais” para tempos de exceção, o que, em sua opinião, passa por um “alívio de slots e redução das taxas de aeroporto e de sobrevoo”, enquanto o CEO da Star Alliance, Jeffrey Goh, pede aos governos e partes interessadas que “evitem encargos adicionais” e adotem medidas que garantam o futuro da indústria de viagens”.

As companhias aéreas membro das três alianças já implementaram medidas urgentes para lidar com o impacto do COVID-19, tendo optado, nomeadamente, por uma redução de capacidade muito significativa, iniciativas de economia de custos, procedimentos de limpeza aprimorados e atendimento ao cliente, pelo que, dizem as três alianças, é agora “imperativo” que também os governos “possam desempenhar um papel vital no alívio das pressões sem precedentes enfrentadas pelas companhias aéreas em tempos extremamente difíceis”.

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