easyJet: “Nem a Madeira, nem o país podem dar-se ao luxo de perder uma companhia na operação”

Por a 11 de Fevereiro de 2020 as 16:48

O Secretário Regional do Turismo e Cultura da Madeira, Eduardo Jesus, afasta o cenário de uma possível saída da easyJet da Madeira, depois da companhia ter dito na semana passada que “não conseguirá implementar as mudanças inerentes” ao novo modelo do subsídio de mobilidade social da Madeira.

“Estamos mais do que convencidos que essa ameaça não se traduzirá na prática”, começou por dizer o responsável, quando questionado pelos jornalistas esta terça-feira, dia 11, no decorrer de um almoço para apresentação da Madeira como Destino Preferido da APAVT em 2020.

“A lei foi aprovada mas falta definir toda a regulamentação, que é da exclusiva responsabilidade do Governo Central”, lembrou o responsável. “Estamos em crer que o interesse nacional é exatamente o regional. Como tal, esta regulamentação não passará por medidas que poderão afastar esta ou outra companhia, quando estamos exatamente a trabalhar no sentido contrario, ou seja, a reforçar a acessibilidade à Madeira e a trazer mais companhias. Neste cenário de expansão, não queremos perder mais companhias”.

Eduardo Jesus garante que o governo regional tem “mantido contacto regular” com a easyJet e que tem dado à companhia a garantia “que há empenho político total no sentido de serem concertadas soluções que vão de encontro às preocupações” da transportadora. “Nem a Madeira, nem o país podem dar-se ao luxo de perder uma companhia na operação. Para nós está fora de questão”.

Já quanto ao possível aumento de preços das tarifas aéreas decorrente da aprovação deste novo modelo do subsídio de mobilidade social, Eduardo Jesus afirma que “vai depender da regulamentação que for feita”. “Este modelo está em vigor na Madeira desde 2015. Com este histórico temos de tirar ilações. O governo da República tem de olhar para o histórico e perceber qual foi a influência que este modelo teve sobre a evolução das tarifas e, naturalmente, criar mecanismos que possam precaver essa tendência de aumento de preços. Não nos interessa salvaguardar apenas o interesse dos residentes, prejudicando o interesse de quem nos visita. Tem de haver um equilíbrio. Neste momento, estamos muito melhor preparados para essa decisão do que estávamos em 2015, sem qualquer histórico”, defende.

Inoperacionalidade do aeroporto

Sobre a inoperacionalidade do aeroporto da Madeira, o Secretário Regional está preocupado com a perceção que se tem desta matéria e que nem sempre é a correta. “A perceção de que se tem do problema é maior que o problema”, afirma. “Somando todas as horas de inoperacionalidade do aeroporto em 2019, não chega a cindo dias do ano. Se perguntar a alguém qual a sua perceção sobre a inoperacionalidade do aeroporto da Madeira, com certeza diria que está meio ano fechado, quando a realidade é bem diferente”, explica o responsável que, no entanto, reconhece o problema. “Mesmo que fosse só uma hora ou um dia, já era um problema para a Madeira, por isso tem de ser resolvido”.

Neste sentido, o Secretário Regional enumerou o que está a ser feito para resolver a situação. Por um lado, o plano de contingência que visa minorar o impacto dos constrangimentos do aeroporto para os passageiros:  “É acionado quando existem previsões de mau tempo e isso permite à partida minimizar o impacto para os passageiros. Nesse plano está incluída a plataforma In Madeira, que permite a gestão dos quartos disponíveis na hotelaria regional e uma articulação automática entre as companhias e os passageiros.”

Quanto à questão de fundo centrado nos limites impostos ao aeroporto, Eduardo Jesus afirma que esse é um trabalho que envolve a ANAC, a ANA e a NAV. “O que está previsto acontecer é a instalação de um conjunto de instrumentos que vão aferir as condições de operacionalidade do aeroporto. A leitura da recolha dessa informação vai permitir a tomada de decisões. É um caminho mais longo, mas está a ser trilhado por estas entidades com o governo regional”, garante.

O responsável refere ainda que, em 2019, tal como em 2018, não se registou nenhuma saída de companhias aéreas   motivada pelos constrangimentos do aeroporto. “A verdade é que só o facto do constrangimento existir prejudica o destino. Ninguém gosta de saber que vai para o destino em que pode não aterrar”.

 

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