Augusto Mateus: “Portugal ainda não se reconhece como um país turístico”

Por a 15 de Novembro de 2019 as 13:32

“Portugal tem o turismo a contribuir com o dobro do peso do que a Europa e o Mundo”. A afirmação da importância do Turismo na economia nacional é de Augusto Mateus, consultor estratégico da Ernest & Young Augusto Mateus & Associados, que participou no painel “Turismo: Opções estratégicas” integrado no 45º Congresso da APAVT, que acontece no Funchal.
Contudo, apesar da relevante importância do Turismo em Portugal, o professor universitário considera que “Portugal ainda não é um país turístico, sendo um país turístico é um país que não se reconhece como um país turístico. É um país turístico na realidade, não é um país turístico no pensamento”. O problema está no facto de não existir unanimidade sobre esta ideia “ou o forte consenso nacional que deveria haver em torno do papel do Turismo no desenvolvimento económico e social”.

Para Augusto Mateus, é necessário sustentar a ideia de “ganhar o país para o Turismo. É possível colaborando mais e melhor, tomando melhores decisões, conquistar um consenso em que Portugal se reveja cada vez mais no Turismo como uma das suas grandes alavancas de progresso económico e social”.
Mas deixa o alerta: “O turismo não pode ser visto como milagreiro, tem problemas próprios. Tem problemas ambientais, de ordenamento do território, de pressão sobre os recursos, e sobretudo, o turismo hoje não pode ser concebido como uma actividade genérica que se pode desenvolver em todos os territórios”. Ao falar para os cerca de 700 congressistas, o consultor estratégico realçou que “temos de ter coragem em Portugal para dizer que não há verdadeira aptidão turística para este território, não é com o turismo que o território se vai desenvolver”. E acrescenta, “para ganhar um país para o Turismo, temos de ser capazes de abrir muito mais perspectivas de desenvolvimento turístico em territórios com verdadeira aptidão turística, mas não podemos ter todos os territórios a competir para os mesmos fluxos turísticos”.
Para “ganhar o país para o Turismo”, o consultor considera fundamental “pôr mais portugueses de acordo com o Turismo e a trabalhar para o Turismo; e pôr o Turismo a entregar mais aos portugueses”. Ou seja, “é possível ter no Turismo uma convergência muito significativa de portugueses e isso existirá quanto mais o turismo entregar mais aos portugueses, do ponto de vista de oportunidades, de desenvolvimento territorial e de qualidade de vida”. O Turismo não pode, segundo o responsável, ser  “um obstáculo à qualidade de vida dos residentes de Lisboa, Porto, Funchal, tem de ser exactamente o contrário. Esta é um elemento chave da estratégia”.
Por último, destacou ainda que o Turismo tem de ser encarado como “um conglomerado de actividades económicas que convergem umas para entregar valor às outras e vice-versa”. Se não se tomarem “decisões partilhadas” do ponto de vista logísticos das oportunidades e dos resultados, “não haverá desenvolvimento turístico sério em Portugal”.

*Em Funchal

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