Opinião| Já se sabe em quem não vou votar!

Por a 3 de Outubro de 2019 as 10:23

Li, numa recente edição do «Jornal de Negócios», uma infeliz e clarificadora entrevista com o dirigente do PAN.
Entre outros disparates, defende este líder político, que o IVA da hotelaria deveria passar de 6% para 13%, acrescentando, «e não vemos que, com isto, haja alguma dificuldade acrescida para o sector… No fundo é colocar o sector hoteleiro, o turismo, a financiar a área da qual vive, o património».
Não tenho partido político. Posicionamento político, terei, e quem me conhece melhor sabe qual ele é, mas não «exerço» enquanto presidente da APAVT, por razões óbvias. Porque a representação de um universo deve respeitar a diversidade política desse mesmo universo; e também porque a política associativa deve estar afastada do trabalho partidário – deve defender o sector representado e dialogar com tudo e todos, incluindo, evidentemente, todo o espectro partidário.
Alguma excepção? Alguma linha vermelha? Política, nenhuma! Mas quem representa empresários que toda a vida colocaram o que têm, e o que ganharam ao longo de uma vida, em projectos que desenvolvem o País, empregam as pessoas e, entre outros aspectos, sustentam os partidos políticos e os deputados, deve exigir pelo menos, que, existindo ignorância ao mais alto nível, não haja prazer em difundi-la nas primeiras páginas dos jornais.
Afirmar que o aumento do IVA da hotelaria não representa uma dificuldade acrescida para o sector é, também, não saber o que o sector da restauração contribuiu para a recuperação económica e geração de emprego, precisamente em consequência da descida do IVA de 13% para 6%, naquilo que foi uma das batalhas mais extraordinárias que uma associação empresarial (a AHRESP) empreendeu com êxito, em Portugal, nos últimos anos.
Afirmação mais ignorante é impossível? hum… talvez não…
Afirmar que «o Turismo deve financiar a área da qual vive, o património», consegue ser pior, sim.
Primeiro, porque tenta passar-se a ideia de que o Turismo não financia…
Financia, sim, através das contribuições para a segurança social, através dos impostos directos e indirectos, através do efeito multiplicador que promove ao longo de toda a economia, etc., etc., etc.
Por outras palavras, o PAN dificilmente teria sequer coragem para falar em SNS para animais, não tivesse o Turismo liderado a extraordinária recuperação económica realizada nos últimos anos, contribuindo decisivamente para o crescimento do emprego, o equilíbrio das contas externas, e o bem-estar dos portugueses.
Segundo, e certamente mais importante, porque, ao contrário do que se tenta deixar passar, o Turismo não vive do Património, é o Património que se tem valorizado, recuperado, literalmente salvo, devido ao Turismo!
O povo chama a isto «cuspir na sopa que lhe mata a fome», provérbio popular sobre ingratidão que, não fazendo menção a animais, espero possa ser aceite e, sobretudo, compreendido pelo líder do PAN.
Fui educado a não cuspir na sopa que me mata a fome… já se sabe em quem não vou votar!

*Por Pedro Costa Ferreira,
presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT)

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