Opinião| Turismo: Jovens precisam-se!

Por a 30 de Setembro de 2019 as 10:48

Já muito se falou da escassez de trabalhadores na Atividade Turística: “faltam pessoas para trabalhar”, é o que mais ouvimos dos nossos empresários. E nos momentos de pico de atividade, a situação fica dramática.
Uma das soluções para colmatar esta falta de pessoas passa, diria eu, por incentivar os nossos jovens estudantes a terem part-times.
Em Portugal a percentagem de trabalho a tempo parcial fica muito abaixo da média europeia e o desemprego jovem em Portugal continua elevado: 20,3% das pessoas que têm entre 15 e 24 anos de idade estavam desempregadas em Portugal em 2018, quando a média da União Europeia é de 15,2%. Segundo os dados da OCDE, apenas Espanha e Itália têm mais jovens desempregados. Muitos são nem-nem, nem estudam nem trabalham. E dos que estão empregados, apenas 57 mil trabalham a tempo parcial.
Como já se aperceberam, o que quero aqui falar é sobre a importância do saber incentivar os nossos jovens estudantes a terem part-times, que permitam ganhar experiências e algum rendimento, sem terem de abdicar de outras atividades, nomeadamente, o estudo, ou outros interesses pessoais, vertente muito valorizada pelas novas gerações, segundo um estudo da Randstad.
Há assim que saber atrair este importantíssimo segmento, não só pela razão da escassez de profissionais – especialmente qualificados – mas também pela mais-valia que os jovens representam e podem aportar.
Não quero com isto dizer que os postos de trabalho na área de turismo devam ser todos ocupados por gente mais nova, antes pelo contrário, o ideal seria mesmo conseguir aliar o “sangue na guelra” dos mais novos, à experiência e “savoir faire” dos profissionais mais velhos, qualidades que devem ser enaltecidas, e estou certa que não há empresa em Portugal que não o reconheça.
Numa outra perspetiva, mas a montante de tudo, e de qualquer “métier”, está, obviamente, a aprendizagem do ofício, a formação.
E quando falamos nos mais jovens, uma das grandes vantagens de começar a trabalhar cedo é, precisamente, a oportunidade da aprendizagem em contexto prático. Sim, porque aprender não é, e não deve ser, apenas em ambiente escolar. Em contexto de trabalho, aprendem competências que muitas vezes não lhe são dadas numa sala de aula e que são fundamentais para a vida.
Mas há mais: aprender com os erros é uma delas, e é algo que nem sempre se consegue na escola, onde praticamente não existem segundas oportunidades. Em inglês, podemos dissecar a palavra ”FAIL” (erro) em “First Attempt in Learning” – ou a Primeira Tentativa de Aprendizagem. Se não funciona bem da primeira vez, vai funcionar na próxima.
Aprender a gerir situações de stress é também uma das vantagens que um jovem que queira começar a trabalhar cedo começa a aprender. E trabalhar com pessoas e para pessoas é sem dúvida mais um dos benefícios de trabalhar no turismo. Diria que é uma das melhores formas de conhecer, e se preparar, para o mundo!
São tantos, mas tantos, os atrativos destas profissões, que quase me esquecia de outra muito naturalmente valorizada… o pagamento que lhes é devido pelo trabalho que realizam e que tanto jeito dá à maioria dos jovens, muitos deles ainda dependentes dos pais.
Do ponto de vista do empregador também existe um caminho a percorrer, muitas vezes estão pouco disponíveis para adequar a organização a estas formas de trabalho (em parte porque o enquadramento legal pouco facilita), ainda acreditam que os trabalhadores a tempo parcial não estão tão comprometidos com a empresa, e por outro lado, acreditam que são talentos mais difíceis de reter.
Muita coisa há ainda por fazer para que se satisfaçam as necessidades dos mais jovens e as necessidades dos empresários, mas o primeiro passo pode também ser dado por vocês jovens. Procurem-nos, vejam nas profissões do Turismo uma experiência ou, quem sabe, uma profissão de futuro, mas venham. As empresas precisam de gente nova, da vossa força de trabalho e das vossas ideias inovadoras que tantas vezes vêm animar as rotinas já instaladas. JOVENS PRECISAM-SE!

Por Ana Jacinto, secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP)

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