Opinião| Geração Z – o turismo que passa do “ver” para o “sentir”

Por a 30 de Setembro de 2019 as 15:46

Se nasceu entre 64 e 78 pertence à geração X, se é de 79 a 95 é da geração Y, no entanto, se nasceu depois de 95 pertence à geração Z e certamente não está a ler este artigo em papel.
Fala-se muito dos millennials, a chamada geração Y, os que têm agora em média 30 anos e que são sem dúvida a força motora da economia. Foram eles que viram nascer o Google, as redes sociais, assistiram ao processo de passagem do offline para o online, viram a desmaterialização a acontecer. Mas é a geração seguinte, a ‘Generation Z’ que vai trazer a mudança de mentalidade.

Millennials versus Geração Z
A grande diferença é que a Geração Z cresceu já dentro do digital, para eles o digital não é uma revolução, não há na vida dos Z´s o antes e o depois, o digital faz parte da vida, é como se tivesse sempre existido e ponto final.
Seria como estar a falar da revolução industrial à Geração X, para estes o carro a água canalizada e a electricidade sempre fizeram parte da sua vida, não viveram o antes e o depois.
Segundo o Bloomberg, baseados em dados das Nações Unidas, em 2019 já existem mais Generation Z do que Millennials, 32% versus 31,5%, o que significa que todas as indústrias terão de se adaptar a este novo perfil de consumidores.

“Turizmo”
A promoção e a oferta turística também terão de mudar, a grande diferença dos X´s e dos Y´s para os Z´s, é que os primeiros queriam viajar para “ver” enquanto os segundos querem “viver”, sentir a experiência que cada sítio tem para dar e, acima de tudo, querem escrever a sua história.
Por isso, mais do que belas paisagens, os Z´s são atraídos pelas vivências e experiências do destino.
Esta geração não quer sentir-se como mais um turista, quer sentir-se como um “local”, fazer parte da comunidade. Eles procuram experiências únicas e rejeitam completamente as campanhas de turismo de massas, não querem ser mais um anónimo entre milhares a visitar um destino.

Influencers
Esta comunidade é fortemente motivada pelos influenciadores on-line, as celebridades desta geração. Estima-se que 46% dos geração Z seguem mais de 10 influenciadores online, os influencers têm aqui um papel importante a desempenhar pois esta geração consome exclusivamente através de canais sociais e digitais.
Mas nota curiosa, são os influenciadores de nicho que contam histórias verdadeiras e atraentes que mais cativam esta geração, os influencers mais populares e abrangentes não têm tanto impacto na tomada de decisão.

Os novos mochileiros
Os Z´s já não serão os mochileiros low cost com sandes e batatas fritas, vão preferir experimentar os bons e verdadeiros restaurantes locais. Levam agora consigo as chamadas “flashpacking”, termo usado para definir mochileiro, cuja mala contem inúmeros dispositivos digitais.
São também mais preocupados com o ambiente e optam sempre por soluções turísticas sustentáveis. Há até os que, quando há alternativa, escolhem não viajar de avião.
São também geração do “Fair business” e por isso, nas suas compras, evitam intermediários na cadeia do negócio.

Ir para ser
Acabou a foto em grupo de viagens com todos a sorrirem para câmara a fingir que estão felizes.
A geração Z é mais individual e ao mesmo tempo mais global, vai a cada local e faz o seu próprio filme, as suas fotos para instagram, não vai só para ver, vai para contar uma história, revelar como foi a sua experiência, quais foram as suas emoções.
Não o fazem para dizer que são melhores só porque estiveram lá, fazem porque querem dar a sua visão do mundo, porque querem inspirar e esperam que isso seja útil para os outros. É uma geração que quer fazer parte da comunidade, quer ser um deles.
Acima de tudo, sabem que têm ferramentas que os levam a acreditar que podem mudar o mundo.

Por Nuno Carvalho, Click and Play

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