Dia Mundial do Turismo: “Setor está à altura dos muitos desafios que se poderão colocar”

Por a 29 de Setembro de 2019 as 19:07

O ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, defendeu sexta-feira, nos Açores, que Portugal vai conseguir manter uma trajetória de crescimento turístico “de forma mais sustentável” no futuro e mostrou-se confiante na resposta do setor, que diz estar “à altura dos muitos desafios que se poderão colocar”.

“A mensagem que queria deixar é esta: este é um setor que está, seguramente, à altura dos muitos desafios que poderão colocar e da ambição mais elevada. Afinal de contas Portugal é o 12.º destino mais competitivo a nível mundial. Estamos a dar passos muito sólidos na sustentabilidade da nossa atividade”, afirmou o governante, durante a conferência “Turismo Sustentável: Um legado para o futuro”, promovida pela CTP e pelo Governo Regional dos Açores, no âmbito das comemorações nacionais do Dia Mundial do Turismo.

Pedro Siza Vieira foi um dos intervenientes na sessão de abertura conferência, que decorreu na ilha de São Miguel, Açores, e falou sobre as ameaças para que Portugal se deve preparar, depois do sucesso dos últimos anos, que trouxe, no entanto, “novos desafios com que o país se confronta”.

“A escassez de recursos humanos, as qualificações de recursos humanos perante clientes mais exigentes, ou a questão das acessibilidades ao país – temos, hoje, mais visitantes, mas congestionaram muitas das nossas infraestruturas, designadamente aeroportuárias, criando a necessidade de responder de forma mais sólida a estes novos desafios”, disse, falando também na importância da transição digital ao nível dos canais de distribuição e promoção, bem como na gestão dos destinos maduros.

Por ser dedicada à sustentabilidade do setor, a conferência acabou por ficar marcada pelos desafios que o turismo enfrenta, pois como referiu Vasco Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores, garantir a sustentabilidade, nas suas diversas vertentes, é um dos desafios “fundamentais” do setor.

“Um dos que me parece ser um dos desafios fundamentais é a sustentabilidade. Não apenas, talvez, aquele que de forma mais evidente pode saltar à vista, a sustentabilidade ambiental, mas em todas as suas componentes: sustentabilidade económica, sustentabilidade social”, afirmou Vasco Cordeiro, defendendo que “o turismo só valerá a pena nos Açores, na medida em que valer para as açorianas, para os açorianos e para a região”.

O presidente do Governo Regional dos Açores apontou ainda alguns desafios regionais, como a sazonalidade, que baixou cinco pontos percentuais, mas continua a ser significativa, ou a diversificação de mercados, aos quais juntou um outro: “o de não nos acomodarmos”.

“Não nos podemos acomodar, não nos podemos deslumbrar com o crescimento”, alertou, defendendo que é preciso “olhar para a frente e perceber o que falta para melhorar ainda mais a qualificação, as questões relativas à valorização do destino”.

A qualificação foi também um dos desafios destacados por Carlos Moura, vice-presidente da CTP, que substituiu o presidente Francisco Calheiros, e que apontou os dois desafios que se impõem ao setor já no presente: a qualificação e formação profissional, bem como a demografia.

Para a CTP, a transição digital está a levar a desequilíbrios no mercado de trabalho e propõe “que sejam estudados e criados canais de circulação de trabalhadores com outros países” e “que se invista na modernização e inovação do sistema educativo para fazer face às necessidades do mercado”, ao mesmo tempo que se aposta “na melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores no Turismo, no que se refere à formação, retribuição e benefícios sociais”.

A CTP pede ainda que a “ideologia ceda ao pragmatismo no que à especificidade do Turismo diz respeito”, reclamando um “quadro jurídico laboral que tenha em conta as suas características intrínsecas”.

Para o fim, a CTP deixou o problema demográfico, com o envelhecimento da população à cabeça, que contribui para “uma economia pouco sustentável, num processo acelerado de desertificação humana”, que põe em risco o futuro do setor.

A conferência contou também com a participação de António Sampaio da Nóvoa, embaixador da UNESCO, que levou até São Miguel a visão da UNESCO para garantir um turismo sustentável, e com a apresentação de um estudo da NOVA IMS – Information Management School, sobre o “Impacto da Economia Digital na Atividade Económica do Turismo”.

Na segunda parte, decorreu ainda um debate sobre a sustentabilidade nos Açores, com a participação de Marta Sousa Pires, administradora executiva da Bensaude Turismo, Carlos Morais, presidente da ATA, Luís Rego, administrador da Ilha Verde, e José Romão Vaz, vice-presidente do Conselho de Administração da Finançor.

O encerramento foi protagonizado por Marta Guerreiro, secretária Regional de Energia, Ambiente e Turismo, que falou sobre os benefícios do processo de certificação dos Açores como Destino Sustentável, lembrando, no entanto, que o grande desafio do setor está em conciliar o crescimento com a salvaguarda do património e o bem-estar social.

“O maior desafio é conciliar o crescimento económico com a salvaguarda do património, acreditando que, desta forma, o setor do turismo só poderá trazer benefícios para toda a comunidade local”, afirmou Marta Guerreiro.

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