Turismo: uma gestão fundamentada nas pessoas

Por a 8 de Julho de 2019 as 11:04

Portugal está em alta como destino turístico de eleição. E o setor tem de dar resposta de forma estruturada a esta procura para que o ciclo ascendente que agora vivemos perdure.

Época alta e baixa são dois chavões turísticos que deixaram de fazer sentido. Os turistas distribuem-se por todo o país e de forma homogénea ao longo de todo o ano – segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, em 2018 cerca de 12,7 milhões de estrangeiros e 8,2 milhões de portugueses escolheram o território nacional para as suas férias.

Como resultado, novas tendências e maiores exigências fazem-se notar no recrutamento de profissionais para o setor da hotelaria e da restauração, nomeadamente se tivermos em conta os números divulgados em Maio pelo Turismo de Portugal, que prevê para os próximos seis meses um aumento superior a 50% quanto ao total de 1,05 milhões de empregados atualmente a trabalhar na área do turismo no nosso país.

A competição por colaboradores da indústria do Turismo está a impulsionar o recrutamento para universidades e faculdades. Um processo de recrutamento que mergulha no talento universitário, acabará por beneficiar das competências acumuladas por esses alunos. Além disso, há áreas nesta indústria que procuram profissionais com competências muito especializadas, como o turismo de luxo.

Neste contexto, como poderão os agentes turísticos nacionais e os candidatos a empregos na área marcar a diferença? Trabalhadores e empregadores têm de investir na formação e privilegiar o conhecimento, promovendo a qualificação profissional e a especialização, condições para o sucesso de qualquer projeto turístico. Só assim é que o turismo em Portugal terá uma dinâmica que lhe permita dar o salto para a competitividade e afirmar-se no contexto mundial como um destino com uma oferta de inquestionável qualidade.

A concorrência é feroz a todos os níveis. Dos hotéis aos restaurantes, passando por todos os serviços em torno deste universo, apenas sobrevivem os melhores, os que apostam na diferenciação e contam com os melhores e mais qualificados profissionais.

As organizações têm de apostar no capital humano e privilegiar uma gestão fundamentada nas pessoas para reter os melhores entre os melhores, assim como os trabalhadores devem procurar formação académica adequada às necessidades do mercado, que dá maior importância a profissionais que tenham bem vincadas as softs skills, como dinamismo, resiliência, capacidade de gestão de equipas, componente analítica, capacidade operacional e problem solving, além da paixão pelo setor.

O objetivo de uma política de recrutamento de qualidade num setor exigente como o turismo é simples de explicar e apoia-se num único conceito: alcançar a excelência do serviço, trabalhando, sempre, com os mais credenciados profissionais.

Por Francisco Emauz Ribeiro, Associate Manager da Michael Page

2 comentários

  1. José

    9 de Julho de 2019 at 12:05

    O turismo português também precisa de inovação. Essa mentalidade de querer inovar não vem das ideias pré-concebidas e já encaixotadas das universidades. Vem de “pensar fora da caixa” e também de pessoas de fora da área. Falta a visão dos investidores no Turismo Nacional para aceitar e ponderar essas novas ideias. Recusam-nas imediatamente sem fazer algum estudo de viabilização. Dêm hipótese ás pessoas de fora que querem Inovar !

  2. Sergio

    8 de Julho de 2019 at 16:48

    Tangas.
    O país precisa dos verdadeiros hoteleiros, os que aprenderam a trabalhar antes desta fase de novo turismo, os que aprenderam a trabalhar no luxo verdadeiro e não no luxo superficial que existe apenas para cativar massas. A nova geração, a tal das faculdades e das universidades só quer gerir, mas não pensa em trabalhar para lá chegar. Todos os dias se lida com estagiários (também por lá passei) que nada querem a não ser uma boa nota e que passe depressa a fase em que têm que trabalhar. Para resumir isto tudo, o ponto chave: turismo a crescer, salários na mesma=vergonha nacional.
    Poupem a malta e não falem do que não sabem ou não querem saber.

Deixe aqui o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *