Habilitações literárias da hotelaria abaixo do mercado em geral

Por a 7 de Junho de 2019 as 12:36

As habilitações literárias encontradas no setor são, em geral, abaixo das encontradas no mercado geral. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Total Compensation”  da consultora Mercer. Segundo o  mesmo, apenas 18% dos colaboradores do setor frequentaram o Ensino Superior, sendo o ensino secundário a formação mais prevalente (40%).

Quanto à antiguidade, observa-se uma diferenciação significativa face ao mercado geral, onde apenas 31% da população ativa tem antiguidade na organização inferior a 7 anos. No setor da hotelaria  75% dos colaboradores está nas empresas há menos de 7 anos e 65% há menos de 3 anos. 

Em linha com o mercado geral, a maioria das empresas do setor da hotelaria realiza as suas revisões salariais em março (55%). Igualmente alinhado com o mercado geral, os fatores predominantes para a execução das mesmas são os resultados da organização (77%) e o desempenho individual (69%). As expectativas de incrementos salariais no setor são algo semelhantes ao mercado geral, mas um pouco mais conservadoras. Para a generalidade dos grupos funcionais analisados, o setor situa-se na mediana, cerca de 0,5% abaixo do mercado geral (1,5% vs. 2%).

O peso das componentes variáveis de compensação é tendencialmente mais baixo no setor da hotelaria do que no mercado geral, apesar de se aproximar do mercado geral nas funções com maior grau de responsabilidade.

A estudo da Mercer concluiu igualmente que, para as funções em que foi possível fazer uma análise por região, observa-se no geral que os salários em Lisboa são superiores (-11% no Porto e -8% no Algarve).

À semelhança do mercado geral, é possível identificar no setor hoteleiro um desequilíbrio salarial entre géneros, observando-se de forma consistente, salários superiores na população masculina. Este desequilíbrio é particularmente significativo ao nível das funções de direção onde se observa não só um desnível mais acentuado, como também uma predominância de titulares do sexo masculino. Na verdade, no que se refere a género, 54% da população ativa no setor da hotelaria é do sexo masculino e 46% do sexo feminino. Relativamente à população ativa no setor de hotelaria, o estudo concluiu também que esta é bastante jovem (60% da população tem até 40 anos de idade, e 20% até 25 anos) em comparação com a população do mercado geral (apenas 41% dos colaboradores tem até 40 anos e apenas 3% até 25 anos).

No que se refere à mudança, 97% dos colaboradores do setor hoteleiro querem ser reconhecidos e compensados pelos seus contributos, referindo a compensação justa, a oportunidade de ser promovido e uma liderança com um propósito claro, as três principais medidas que teriam um impacto positivo na sua situação profissional.

O estudo da Mercer contou com a participação de um elevado número de unidades hoteleiras sendo que  28% dos hotéis que participaram  têm mais de 500 colaboradores, 36% têm entre 100 e 500 colaboradores, e 36% tem menos de 100 colaboradores. Do total da amostra, 77% são empresas nacionais e 23% empresas multinacionais. Relativamente ao volume de negócios, metade das empresas (50%) apresenta um volume entre os 5 e os 20 milhões de euros, 30% apresenta um volume de menos de 5 milhões de euros e 20% apresentam um valor acima dos 20 milhões de euros.
A Mercer analisou o perfil de uma amostra de hotéis a nível nacional, caracterizando a população ativa e procedendo à análise do total cash do setor da hotelaria por título de função. Foram analisadas um total de 80 funções, desde as áreas de restauração a operações, em 90 unidades hoteleiras, distribuídas de norte a sul do país. “O estudo isola os dados do setor hoteleiro do setor da restauração pois são realidades muito distintas no que se refere às práticas de remuneração, de acordo com fontes do sector”, indica a consultora.

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