“México é o segundo país na América Latina que mais portugueses recebe”

Por a 23 de Abril de 2019 as 14:53

Depois de ter chegado quase aos 50 mil turistas portugueses em 2018, o México quer reforçar este número. Alfredo Pérez Bravo, embaixador do México em Portugal, mantém a esperança de ver a TAP abrir uma rota direta para o país.

Como correu o ano passado para o México, a nível turístico, nomeadamente no mercado português?
O México é o sexto país mais visitado do mundo. Em 2018, recebeu 41 milhões de turistas, mas aqui apenas estão incluídos os turistas que pernoitam, porque, além destes, o México recebeu muitos milhões de visitantes que não dormem, nomeadamente em cruzeiros, que chamamos de excursionistas. Se somarmos ambos, o México recebeu 96 milhões de visitantes. A estes números, temos que juntar os mexicanos que fazem turismo no seu país, o que também é um número enorme. O nosso cálculo é que sejam em torno de 150 milhões. Estamos a falar de um país que tem, por ano, mais de 200 milhões de pessoas que se deslocam por causa do turismo. Relativamente a Portugal, estamos muito contentes. Em 2018, foram 49.172 os turistas portugueses que visitaram o México, um número muito importante, porque, em 2015, tínhamos recebido 27 mil, o que quer dizer que, em quatro anos, o número quase duplicou. O México é o segundo país na América Latina que mais portugueses recebe, depois do Brasil, o que se entende pelas ligações históricas e culturais com Portugal.

Em Portugal, o México é muito conhecido pelas praias. Este continua a ser o principal atrativo ou os portugueses já descobriram um outro México?
A maioria dos portugueses continua a procurar a praia, porque os números que cresceram para o dobro foram na Riviera Maia e Cancun. Aquilo que estamos a tentar fazer é mostrar aos portugueses outros destinos, igualmente preciosos e que oferecem outras temáticas, como história, ecoturismo, turismo de saúde ou de natureza. No ano passado, Portugal foi o convidado de honra da Grande Feira Internacional do Livro de Guadalajara, que é a maior feira do livro de língua espanhola no mundo, o que deu uma grande visibilidade a Portugal no México, mas também ao México aqui em Portugal e penso que muitos portugueses terão pensado, pela primeira vez, no México além da praia, terão pensado na cultura e na história. Este é o grande desafio, queremos captar mais portugueses, e que se espalhem pelo território mexicano.

Que novidades existem na oferta mexicana, que seja capaz de atrair os portugueses?
O México tem um novo governo desde dezembro e esta administração estabeleceu prioridades. Nos últimos anos, o México registou um desenvolvimento desigual, porque há mais de 20 anos foi estabelecido um tratado de comércio livre entre os EUA, Canadá e México, que gerou uma importante dinâmica e um desenvolvimento impressionante, principalmente no norte e centro do país. No entanto, o sul não teve tanto desenvolvimento e a intenção do governo é promover projetos que permitam o desenvolvimento dessa região. Aqui destacam-se dois projetos, um deles é o “Trem Maia”, que começa este ano e vai passar nos pontos mais importantes da Península de Yucatan e do sudeste mexicano, onde se encontram os locais associados à cultura Maia. Vai ter uma extensão de 1.500 quilómetros, é um grande projeto e calculamos que vá custar cerca de sete mil milhões de dólares.
Há outro projeto que vai ser desenvolvido ao nível das infra-estruturas e com fins turísticos, no Istmo de Tehuantepec, a parte mais estreita do México, entre o Atlântico e o Pacífico. Esta zona vai ter um grande desenvolvimento, com a construção de autoestradas, linhas ferroviárias, hotéis e um corredor turístico. Vai ser um novo destino e mais um atrativo para captar mais turistas.

Esses novos projetos são também uma forma de diferenciar a oferta mexicana da concorrência, nomeadamente dos destinos das Caraíbas?
Os turistas têm uma grande diversidade de preferências, cada pessoa procura algo diferente e não podemos dizer que uma determinada parte do mundo só quer sol e praia. Ao mesmo tempo, há mais informação, os turistas de hoje são mais informados e preparados. Isto levou a um fenómeno de hiper-concorrência na região das Caraíbas, onde existem muitos destinos lindos, mas que concorrem uns com os outros. O que vai distinguir essa concorrência será a qualidade do serviço, mas, para isso, são necessários dois aspetos fundamentais: investimento, se não investirmos na infra-estrutura não vamos ter produtos de qualidade; e experiência, algo em que o México é campeão. Este é também um grande desafio e penso que as novas tecnologias podem ajudar. Essa é também uma aposta do novo governo mexicano, que está a apostar nas grandes plataformas digitais.

Promoção
Ao nível da promoção turística, qual é a estratégia para promover o México em Portugal?
O novo governo mexicano está a tirar partido da nossa grande rede de embaixadas e consulados, que vão passar a ser promotores do turismo e comércio mexicanos, ou seja, passámos a ser também embaixadores do turismo mexicano. Enquanto embaixada do México em Portugal, vamos fazer essa promoção e aproveitar qualquer espaço para o fazer. Vamos, também, trabalhar com as agências de viagens, empresas aeronáuticas e com todos os agentes, para fazermos eventos conjuntos e aproveitar outras oportunidades, como feiras, para promover o México.

Como classificaria a relação entre as autoridades turísticas do México e o trade português?
Diria que é uma relação que está a começar. No passado não houve uma colaboração concreta no âmbito do turismo, o que foi um erro, ainda que não seja grave, porque o importante é que esse trabalho conjunto comece e traga vantagens para os dois países. O México tem muita experiência em turismo e Portugal é um país fantástico, que tem recebido, nos últimos anos, uma quantidade de turistas que era impensável, e penso que seria importante que houvesse um intercâmbio na área da formação dos recursos humanos, que é fundamental e em que, tanto Portugal como o México, têm boas universidades. É preciso que exista uma conjugação de esforços e um intercâmbio de especialistas e estudantes, porque a melhor prática é aquela que os estudantes podem ter nos hotéis, em ambiente real.

Voos
Lamenta o facto de não existir, atualmente, um voo direto entre Portugal e o México. Ainda mantém a esperança de que, no futuro, essa ligação venha a ser realidade?
Tenho conversado com o presidente da TAP, Miguel Frasquilho, que é um amigo do México e que me prometeu que, no próximo ano, a TAP vai abrir uma rota direta para o México. Neste negócio, um ano não é nada e, por isso, acredito que a TAP está a pensar nisso e acredito que a Aeromexico também está a pensar voar para Portugal, porque já voa para Itália e Espanha. Além disso, temos trabalhado, não com muito êxito, no sentido de convencer uma das grandes companhias mundiais a fazer um voo que tocasse três pontos, como a Emirates ou a Turkish Airlines, que já voam para Lisboa e podem, no trajeto para os EUA ou Canadá, fazer uma paragem no México.

Apesar de não existirem voos comerciais, todos os anos há charters para o México. Para 2019, o que é que está previsto?
Os charters ocorrem por temporadas, normalmente, no verão, mas queremos que as empresas arrisquem fora dessas temporadas. Viajar para o México no verão é bom, mas no inverno é ainda melhor, porque o clima é quente todo o ano, enquanto em Portugal faz muito frio. Aumentar o número de voos charter é um objetivo. Para os próximos anos, as perspetivas são boas, estamos quase em 50 mil turistas portugueses, quando ainda há apenas três anos eram 25 mil, o que mostra a importância destes voos.

E para 2019, quais são as expetativas do México a nível turístico, de forma global e particularmente ao nível do mercado português?
No mercado português, esperamos um crescimento em 2019. O meu prognóstico para Portugal é muito positivo, penso que a economia deverá crescer uns 2% e não acredito que o ano eleitoral afete a dinâmica positiva deste país. Essa dinâmica positiva pode ajudar a levar mais turistas portugueses ao México. P

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