Município de Gouveia vai abrir Casa da Vivência Judaica para atrair visitantes

Por a 10 de Abril de 2019 as 10:59

A Câmara Municipal de Gouveia, no distrito da Guarda, vai reabilitar um edifício do centro histórico com o objetivo de o transformar na Casa da Vivência Judaica, infraestrutura que visa atrair um maior número de visitantes ao município.

De acordo com um comunicado enviado pela autarquia de Gouveia à Lusa, o edifício em causa é conhecido como ‘Casa do Passadiço’ e está localizado no “coração da judiaria de Gouveia”, sendo um edifício histórico que “funcionou, por tempos imemoriais, como um local de passagem, comunicação e interação social entre os habitantes de dois dos mais icónicos bairros da cidade: o bairro do Castelo e o bairro da Biqueira”.

“Em face da importância histórica deste edifício, o município de Gouveia irá fazer nele uma grande intervenção, que passa, primeiramente, por uma campanha de escavações arqueológicas que permitam conhecer o potencial arqueológico da Casa do Passadiço e de toda aquela área urbana, nomeadamente das realidades medievais e modernas da vida dos gouveenses”, explica Luís Tadeu, presidente da Câmara Municipal de Gouveia, na nota enviada à Lusa.

Posteriormente, vão ainda ser realizadas obras “que permitam destinar a Casa do Passadiço ao funcionamento da Casa da Vivência Judaica”, um espaço museológico que vai ser dedicado ao património judaico e que a autarquia pretende que seja também, “e acima de tudo, um ponto de partida para o conhecimento do património judaico de todo o concelho de Gouveia”.

O projeto contempla a criação de três salas que vão remeter para três itinerários na região, um dos quais na cidade de Gouveia e dedicado à judiaria medieval, outro na freguesia de Melo sobre a temática “Entradas da inquisição” e um terceiro na aldeia de Folgosinho sobre criptojudaísmo.

“Estas três salas serão enriquecidas com marcas da simbologia judaica do concelho, nomeadamente de artefactos arqueológicos que o município de Gouveia tem à sua guarda como, por exemplo, as inscrições hebraicas que atestam a construção da última sinagoga na Península Ibérica, antes do édito de conversão obrigatória de D. Manuel, em 1496; a padieira de uma habitação; ou, até mesmo, uma estela sepulcral com a Estrela de David, em relevo”, adianta a autarquia.

A segunda sala “será dedicada às entradas da inquisição em Gouveia, pois, no seguimento de um levantamento realizado pelo município de Gouveia, foram identificados 112 processos relativos a indivíduos naturais ou moradores do concelho, cuja memória será garantida e preservada no espaço”.

Já a terceira sala, denominada “sala de fogo”, vai oferecer “uma experiência sensorial”, uma vez que vai contar “a história da morte de três cristãos-novos naturais de Gouveia, falsamente acusados da destruição de uma imagem sagrada”.

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