50 Ideias | Gestão de Destinos Inteligentes

Por a 26 de Fevereiro de 2019 as 15:49

O Turismo tem cada vez mais impacto na vida quotidiana dos portugueses. São enormes as dificuldades, já identificadas, com as quais os agentes do Turismo são obrigados a discutir: infraestruturas em capacidade máxima, preços que disparam com regularidade, moradores inquietos, filas de espera enormes. Perante esta panóplia de desafios, o mais fácil, e menos ambicioso, é acelerar o processo de proibição, multa, encerramento. O mais audacioso, e demonstrativo de visão, é assumir com coragem a gestão dos destinos, e se possível, de forma inteligente.
Um destino turístico inteligente resulta de uma forte componente tecnológica, informativa e de comunicação entre sistemas, que permite uma interação, em tempo real, entre os vários participantes: os decisores políticos, a oferta turística, os habitantes, os que aí trabalham ou recorrem a serviços públicos e, finalmente, os não menos importantes turistas. Compreender a necessidade de criar acessibilidades físicas e virtuais para os que nos procuram é, por isso, fulcral à concretização de destinos inteligentes.
Esta nova realidade só é possível devido ao aumento exponencial da quantidade de informação disponível relativa ao comportamento dos turistas, dos seus padrões de gastos e até da meteorologia, aliada a uma capacidade crescente de processamento de informação pelos computadores, que permite assimilar e trabalhar fontes múltiplas e complexas.
Este desenvolvimento veio permitir tomar decisões estratégicas, táticas e operacionais num espaço de tempo incomparavelmente inferior, e veio também desafiar as marcas a inovar no modo como os serviços são fornecidos. Mas, sobretudo, veio alterar a forma como esta disrupção, que resulta da pressão turística, pode ser gerida.
Os millennials, que representam uma grande percentagem dos viajantes atuais, desenvolveram um pensamento crítico e competências de consumo mais fortes, estão mais informados e são mais exigentes e, utilizam a internet em todas as fases do processo: na procura de informações, na aquisição de bilhetes, durante a viagem e, depois, na partilha da sua experiência. Se a análise de dados adquiridos através do seu comportamento vem possibilitar às empresas uma diferenciação competitiva, às entidades públicas permite uma melhor gestão da oferta, redefinindo prioridades que deem resposta a variações de procura e que permitam uma melhor experiência para o turista, através de técnicas de personalização mais sofisticadas.
Neste novo paradigma, também os responsáveis pelos serviços públicos e pela gestão das infraestruturas que servem os cidadãos locais têm mais informação, em tempo real, sobre a pressão que os turistas exercem nas suas cidades e vilas. Consequentemente, aderir a uma melhor gestão do território urbano através desta revolução digital vai também beneficiar os que nela vivem e trabalham, preservando a sua qualidade de vida.
Recentemente aprovada no Parlamento Europeu, a linha orçamental para o Turismo Sustentável poderá vir a ser uma ajuda importante para as PME de Turismo – mas também para entidades públicas – que queiram investir seriamente na digitalização da oferta, tornar as suas redes de gestão mais inteligentes e, com isso, promover a sustentabilidade do turismo.
Uma gestão inteligente dos destinos vai permitir absorver o potencial do nosso turismo, tornar a nossa oferta mais interessante e mais eficiente e, permitir criar redes de comunicação e – mais importante – de criação de valor acrescentado. Tenhamos, pois, uma visão progressista do potencial deste setor que representa 10% da economia europeia. A utilização de dados já existentes, precisa apenas de processamento e, através da sua análise, de inovação.
O Futuro do Turismo em Portugal faz-se no momento presente, com gestão de cidades e destinos inteligentes.

*Por Cláudia Monteiro de Aguiar,  eurodeputada

No âmbito da celebração dos seus 50 anos, o Publituris convida uma figura do sector a lançar uma “Ideia para o Turismo”.

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