Conversas à Mesa | Miguel Cymbron

Por a 22 de Fevereiro de 2019 as 16:52

Miguel Cymbron nasceu em Ponta Delgada, local onde viveu até ir para a faculdade, em Lisboa. Não era um estudante brilhante, mas foi melhorando à medida que foi direcionando o conhecimento para as áreas que o interessavam: matemática, economia e história.
Entrou no curso de Economia, no ISEG, em Lisboa, mas decidiu mudar no final do primeiro ano. Acabou por seguir o conselho do pai. “O meu pai sempre me aconselhou: Dedica-te ao Turismo que isso é o futuro”, conta .
A Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE) tinha acabado de abrir e Miguel pediu transferência para o curso de Direção e Gestão de Operadores Turísticos. Fez o estágio do primeiro ano da faculdade na Agência Melo, nos Açores, mas no segundo ano foi para Inglaterra estagiar no operador Sunvil Holidays, que ainda hoje existe. No terceiro ano, não fez estágio porque foi fazer Erasmus em Breda, na Holanda. Desse tempo, recorda com graça o episódio em que, juntamente com o colega Ricardo Gomes, teve de apresentar um trabalho de análise de projeto. “Ninguém quis fazer grupo com os portugueses. No final, tivemos a melhor a nota, a partir daí toda a gente já queria fazer trabalho de grupo connosco.”
Quando regressou, foi trabalhar para a JFM Tours, agência de viagens em Ponta Delgada, onde trabalhou com João Welsh. “A minha ideia era voltar aos Açores por uns tempos, poupar dinheiro para fazer um mestrado”.
Um ano depois, deu início ao mestrado em Tourism & Hospitality Management, na Bournemouth University, em Inglaterra, que o levou a escrever a tese “The Implementation of Yield Management in the Pousadas de Portugal – a case study”. Em 1999, foi convidado para sub-chefe da central de reservas das Pousadas. Armando Rocha era o diretor de marketing e vendas do grupo e Rita Alves Machado a subdiretora.
Em 2000, assumiu o cargo de diretor comercial das Pousadas, cargo que ocupou de 2000 até 2003, ano da privatização das Pousadas.
Miguel Cymbron recebeu um convite do grupo Bensaúde para desenvolver o departamento de marketing e vendas, numa altura em que o grupo açoriano se preparava para abrir quatro hotéis no espaço de um ano. Regressou a São Miguel e foi responsável pelas vendas e marketing do grupo durante três anos até que recebeu um convite da Blandy Travel / Eurocongressos para trabalhar em Lisboa. Aceitou o convite para regressar, apesar de ter prometido, quando esteve na JFM Tours, que nunca mais trabalharia em agências de viagens. Entretanto, foi contatado por um ‘head hunter’ para ir para a Sonae Capital, como diretor comercial do Porto Palácio Congress Hotel & Spa. Foi para o Porto em Abril de 2008, mas não ficou nem um ano. Acabou por aceitar o convite para diretor regional do Turismo dos Açores.

Turismo dos Açores
O trabalho na direção do Turismo dos Açores foi “extremamente desafiante”, “entrei em 2009 e foram anos de crise”, recorda. Foi nessa altura que se deu início à requalificação da hotelaria açoriana. “Foram anos duros”, mas um período “interessante” e que permitiu que passasse a ter uma visão de 360º do Turismo. Quando o mandato terminou, teve a hipótese de escolher entre ficar nos Açores ou voltar para o continente para trabalhar na Newtour, que detém o operador Soltrópico e a rede Bestravel. Ingressou na Newtour em 2013. “Um dos pontos fracos que vejo em muitos diretores comercias na hotelaria é o facto de não terem passado por uma empresa de ‘incoming’ ou por um operador, porque as pessoas não têm consciência, muitas vezes, do que é a distribuição.
Em 2014, Miguel Cymbron voltou novamente à hotelaria, depois de um convite do grupo VIP Hotels para dirigir a área de vendas e marketing, função que ocupa até hoje. Não sobram dúvidas que a hotelaria é a sua praia. “Gosto de trabalhar em hotéis, numa área de operações que mexa com vendas, contacto com pessoal, clientes externos e internos, e que mexa com muita estatística, muita análise, no sentido de rentabilizar ao máximo a operação. Não sou um vendedor puro, sou metade vendedor, metade ‘revenue’. No fundo não se pode só vender, temos de ganhar dinheiro”.
A personalidade curiosa de quem quer sempre aprender, ver, conhecer pessoas e mundos revelou-se desde sempre. “Sou uma pessoa extremamente analítica, gosto de fazer análise social, tenho de perceber sempre onde estou e o que me circunda. Adoro história, ando sempre a ler e a informar-me sobre a história dos países, para perceber o enquadramento e as diferenças sociais”.
Aos Açores, vai de férias todos anos, na primeira quinzena de Agosto. É casado e tem um filho de 11 anos. Gosta de conviver com a família e amigos e o seu desporto atual é caminhar, à noite, depois do jantar, durante uma hora.
No trabalho, é diretivo, simpático e gosta de criar bom ambiente. “Tenho a minha estratégia, as minhas ideias, aceito críticas, sugestões, e se considerar que estou errado, sou suficientemente flexível. Sou teimoso, mas não sou casmurro”.

Quem é
Miguel Cymbron nasceu em Ponta Delgada em 1970. É licenciado em Direção e Gestão de Operadores Turísticos pela ESHTE e tem um mestrado em Tourism & Hospitality Management, pela Bournemouth University, no Reino Unido. Ao longo do seu percurso profissional, trabalhou em diversos grupos hoteleiros, como as Pousadas de Portugal, Bensaúde, Sonae Capital e, atualmente, VIP Hotels, onde é director de vendas e marketing desde 2014. Entre 2009 e 2012, ocupou ainda o cargo de diretor regional do Turismo do Governo dos Açores.

Curiosidades
O apelido Cymbron veio de Espanha. “Nos tempos da ocupação Filipina, chegou a Angra do Heroísmo um espanhol para governar o presídio da Fortaleza de São João Baptista. Casou com uma açoriana e, como não tinha filhos, deixou uma herança a um sobrinho da mulher. Naquele tempo, Portugal funcionava com o sistema vincular e os nomes estavam associados às terras. Mais tarde, Salazar institui uma lei em que as pessoas só podiam ter no máximo três nomes de família. Quando o meu avô foi registar o meu pai, que era o segundo filho, deixou ficar o nome Cymbron, porque fazia mais sentido, como era diferente, fazia mais ‘soundbite’”, conta.

Restaurante
Cenário

O Cenário é o restaurante principal do VIP Grand Lisboa Hotel & Spa, estando aberto tanto para almoços, como para jantares. Localizado junto ao lobby, o restaurante tem vista para a movimentada Av. 5 de Outubro. O ambiente é sofisticado e a ementa bastante variada. Ao almoçar ou jantar no Restaurante Cenário, poderá usufruir de estacionamento gratuito no parque do hotel e também wifi. Aos almoços, o restaurante têm um menu executivo pelo valor de 14 euros, que inclui couvert, uma entrada, prato principal sobremesa, bebida e café. O Cenário está aberto das 12h30 às 15h00 e das 19h00 às 22h30.

Ementa
A carta atual do Cenário é composta por diversas propostas gastronómicas, desde o “polvo à lagareiro com a sua batata a murro” até à “posta mirandesa grelhada”. Mas há também massas frescas e risottos. O menu executivo oferece pratos bem originais como o “risotto de favinhas com finas ervas e a sua telha de parmesão” (2ªfeira), ou “o bacalhau com especiarias sobre misto de pimentos e crocante de linguiça” (5ªfeira).

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