50 ideias para o Turismo | ‘All you need is culture’

Por a 21 de Janeiro de 2019 as 11:15

Com a frase “All you need is… art” a Fundação Gulbenkian promove em locais turísticos a sua magnífica coleção de arte. Juntando-me aos muitos profissionais do turismo que já revelaram no Publituris as suas “ideias para o turismo”, inspiro-me também em Lennon e McCartney: tudo o que precisamos é de cultura. Menos “low cost” e mais cultura, investindo a sério em cultura – determinante para associar um produto de qualidade – é a chave para termos turistas mais exigentes, que queiram conhecer mais e melhor o País e permaneçam mais tempo, ganhando o desejo de voltar. O próprio mercado tem sinalizado o caminho, pois só nos últimos cinco anos o número de visitantes dos Monumentos, Museus, e Palácios na esfera da DGPC cresceu 46%. Com um peso de 10% no PIB, de 20% nas exportações e uma crescente dimensão social, o turismo é estratégico para Portugal. Mas não estamos sós, o turismo é uma atividade global, tendo que ser tão bons como os melhores para não dependermos de “modas”. O crescimento dos últimos anos, animado por estatísticas e prémios internacionais criou euforia, mas precisamos de ter um produto mais consistente que nos proteja das crises. Se ainda falhamos em aspetos básicos como informação e sinalética… O aumento da procura, a que se atribui a “especulação imobiliária”, não pode continuar a afetar os centros históricos, descaracterizando-os. Para escaparmos à “turistificação” é urgente olhar mais para o País como um todo, distribuindo harmoniosamente os benefícios do turismo. Olhemos, por exemplo, para o Algarve, de grande importância para o nosso desempenho global, que continua a depender demasiado do “sol e praia”, mantendo-se vulnerável à sazonalidade e à concorrência de países que, neste segmento, oferecem preços mais competitivos.

O Algarve é talvez a região nacional mais carenciada de equipamentos e oferta cultural, não dispondo sequer de um Museu Nacional. O “Programa 365 Algarve” é uma boa iniciativa mas está longe de corresponder às necessidades. Não se compreende ainda que subsistam “graves problemas de mobilidade” na região, como bem referiu recentemente Vitor Neto no Publituris e que persista, conforme apontou em entrevista António Trindade, a atitude de “muita gente que, habituada a ter ocupações altas se esqueceu de requalificar os hotéis por estarem sempre cheios, achando que era algo que não iria acabar”. Em anos recentes mostrámos que Portugal é capaz de abraçar com sucesso objetivos ambiciosos, como a Expo 98 e o Porto Cidade Europeia da Cultura em 2001, que apostando na cultura nos abriram as portas dos grandes fluxos turísticos internacionais. Serralves (Siza Vieira) e Casa da Música (Reem Koolhaas) por exemplo, foram os ícones que faltavam, para atrair a atenção internacional para a qualidade do Porto.

Recordo Bilbau, que há 50 anos entrou em decadência devido à crise da indústria e da atividade portuária, sendo hoje um exemplo merecedor de estudo. Como? Apostando em arte (Museu Guggenheim) e atraindo grandes arquitetos.

Recordo ainda Málaga (apenas a 350 km do Algarve) e o tempo em que as touradas estavam na moda e personalidades da literatura e do cinema eram visitas frequentes. Até Hemingway passou na cidade uma temporada em 1959, de que resultou “O verão perigoso”, o seu último livro. Foi também na cultura que Málaga apostou para regressar aos tempos de glória. Só nesta década abriram quatro museus: Thyssen, Pompidou, Picasso (renovado) e Coleção do Museu Russo. Resultado: entre 2013 e 2017 o aeroporto de Málaga cresceu 6 milhões de passageiros.
António Pimentel, Director do Museu Nacional de Arte Antiga, que teve artes de colocar o mais importante museu nacional na rota do turismo afirmou recentemente que “o grande problema é não sermos capazes de trabalhar em rede e com os meios que temos”. De que estamos à espera?

Por António Monteiro

*No âmbito da celebração dos seus 50 anos, o Publituris convida uma figura do sector a lançar uma “Ideia para o Turismo”.

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