Marrocos admite terrorismo como motivo de homicídio de turistas nórdicas

Por a 21 de Dezembro de 2018 as 12:14

O governo marroquino admitiu esta sexta-feira, 21 de Dezembro, que o homicídio de duas turistas nórdicas, que foram encontradas mortas nas montanhas do Atlas, no início desta semana, terá sido “um atentado terrorista”, cujos suspeitos estão já detidos, e que não terá tido impacto a nível turístico, já que não se regista, até ao momento,  “nenhuma onda significativa de cancelamentos”.

A confirmação de que o homicídio das duas turistas, uma dinamarquesa, de 24 anos, e outra norueguesa, de 28, terá tido motivações terroristas chegou na manhã desta sexta-feira, depois do porta-voz do governo marroquino, Mustafa Jalfi, ter utilizado, em várias ocasiões, a palavra ‘terrorismo’ como motivação para o crime, durante uma conferência de imprensa, segundo informação avançada pelo jornal espanhol Hosteltur.

O crime terá ocorrido na passada segunda-feira, quando os corpos das duas turistas foram encontrados degolados dentro da tenda em que se encontravam a pernoitar nas montanhas do Atlas, perto de Marraquexe, que é uma das regiões mais procuradas em Marrocos para turismo de montanha, mas só agora o governo marroquino admitiu o terrorismo como motivação, o que é justificado com os receios de que esta informação pudesse prejudicar o Turismo no país, que representa 11% do PIB marroquino.

As duas turistas viajavam sozinhas, sem recurso a guia de montanha, algo que é pouco habitual entre os turistas que percorrem as montanhas do Atlas marroquino, e decidiram pernoitar foram dos acampamentos com vigilância, o que acabou por dificultar as investigações.

Ainda assim, Mustafa Jalfi disse que foram já detidos quatro suspeitos do crime, que segundo as autoridades marroquinas pertencem a um “grupo extremista”, cujo nome não é, por enquanto, revelado, com o responsável a frisar que as detenções ocorreram “num tempo recorde”, provando que Marrocos merece “confiança” e continua a ser um destino seguro.

“É um país seguro e estável, e vai continuar a sê-lo”, afirmou Mustafa Jalfi na conferência de imprensa, sublinhando que um crime deste género é “contrário aos valores e tradições do país e da região”.

Apesar da gravidade do crime, fonte do governo marroquino disse à EFE que não se registou, até ao momento, nenhuma “onda significativa de cancelamentos”, com “excepção de casos raros e isolados” e que, de uma forma geral, a actividade turística na zona de Marraquexe “não sofreu perturbações”.

A versão do governo marroquino sobre o reduzido impacto turístico deste crime é, no entanto, desmentida por testemunhos recolhidos no local, que dão conta de que vários grupos de montanhistas que estavam em Imlil, onde ocorreu o homicídio, decidiram encurtar as expedições e abandonar o local.

Recorde-se que Marrocos não era palco de um atentado terrorista desde 2011, quando uma bomba explodiu num café da praça mais conhecida de Marraquexe, tirando a vida a 17 pessoas, quase todos turistas estrangeiros.

 

 

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