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“Continuamos num País em que é bom ser medíocre”

Por a 18 de Dezembro de 2018


Com dez anos de operação, a Buzz DMC cobre, actualmente, quase todo o território nacional, faltando apenas o Porto. A vizinha Espanha pode fazer parte da expansão.

O ano de 2008 foi um ano crucial a nível da economia mundial. O banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers entrava em falência e marcava o início de uma grande crise financeira que impactou o mundo. 2008 serviu assim de principal prova à Buzz DMC, que se lançava ao mercado nesse preciso ano. Hoje, com uma década, o CEO Rui Calapez está orgulhoso da empresa que desenvolveu, que considera ser uma empresa “engraçada, onde as pessoas gostam de trabalhar”. Mas não só.
Actualmente com 40 funcionários, a Buzz DMC apostou em diversificar o universo do seu negócio, o que é “o segredo do nosso sucesso”. Lazer, M&I e Shorex, cruzeiros, incentivos são alguns dos segmentos em que a empresa trabalha. Esta diversificação estratégica tem “facilitado, ao longo destes anos, os altos e baixos que um segmento ou outro vai tendo”.
Depois dos escritórios de Lisboa e de Faro, a Buzz DMC abriu também na Madeira e nos Açores, no sentido de cobrir o território nacional, potenciando também o ‘cross selling’ entre os quatro escritórios. No futuro, não descura abrir um escritório na Cidade Invicta e também em Espanha, onde já conta com operações em Andaluzia e na Galiza. Mas “o ideal e prioritário é realmente solidificar a operação na Madeira e nos Açores”, sublinha.
Para o próximo ano, as previsões são optimistas. “Este ano, fizemos um trabalho que tenho a certeza absoluta que vamos recolher os frutos, nomeadamente na Alemanha, e a nossa operação está cada vez mais sólida”.

Desafios
Rui Calapez indica que existem vários desafios à operação da actividade de DMC’s (Destination Management Company) em Portugal, que acabam por ser transversais às várias actividades turísticas, mas não só. Quando questionado, o responsável admite que o IVA praticado em Espanha na área de congressos e eventos acaba por impactar a actividade, mas defende que “os problemas são muito mais profundos do que o IVA” e aponta concretamente os impostos que as empresas portuguesas têm com os seus funcionários. “O custo do trabalho e a falta de gente qualificada são os nossos maiores desafios. Estamos, neste momento, a atravessar uma situação em que encontrar gente qualificada é como encontrar uma agulha num palheiro”. E realça que a rentabilidade das empresas começa a ser questionada quando querem pagar mais aos seus funcionários ou atribuir bónus. “Fizemos um estudo para saber quanto é que pagamos e quanto é que as pessoas levam para casa e concluímos que mais de metade não vai para as contas dos colaboradores”, referindo que a grande fatia vai para impostos pagos ao Estado. “Não se motiva ninguém assim. Continuamos num país em que é bom ser medíocre e isso é muito mais grave do que o IVA”, adverte.

Medidas
Quanto às medidas para melhorar a competitividade de Portugal, o CEO da Buzz DMC defende que estas passam muito pela formação, onde acredita que deve haver uma concertação entre o Ministério da Economia e o Ministério da Educação. Acresce ainda a flexibilidade do funcionamento das empresas, onde dá como exemplo o que se verifica no Algarve, onde a sazonalidade ainda é muito acentuada. “Não tenho prazer nenhum em chegar ao final do mês de Outubro e dispensar pessoas. (…) Se a empresa não tem a possibilidade de manter um recurso [humano] durante os meses de Inverno, é justo que esse colaborador não tenha direito ao fundo de desemprego, porque não descontou um ano? Essa flexibilidade permite à empresa fazer alguma poupança e ao colaborador recuperar aquilo que já descontou”.
À semelhança dos vários empresários do Turismo em Portugal, Rui Calapez apela à urgente resolução do novo aeroporto de Lisboa. “Receio que esta hesitação toda relativamente ao aeroporto, que comece a espantar alguns investidores. (…) Não se pode estar tanto tempo à espera de saber se fazemos um novo aeroporto ou não. Tomem decisões, algumas delas têm de ser tomadas com pulso firme. Agora esta indústria que contribui tanto para a economia nacional está presa há anos por uma decisão política. Alguém um dia vai ter de ser responsabilizado por isso, porque com todo este investimento que está a ser feito, seja a nível de restauração, alojamento, as várias agências que vão aparecendo, se eventualmente o paradigma do negócio em Lisboa se inverter completamente na área dos eventos corporativos, na área de lazer, para o puro e duro FIT (‘foreign independent tour’) não vai haver receita alguma para continuar a alimentar o negócio”.
O CEO da Buzz DMC defende que a estratégia de Portugal deve procurar buscar fatias maiores de mercados de proximidade ou que ainda têm mais potencial do que aquele que é actualmente explorado, como o alemão. “Dou o exemplo da Buzz, não trabalhávamos o mercado alemão e de repente estamos a facturar sete dígitos. O mercado alemão tem espaço para crescer e há outros com essa capacidade”, refere, ao identificar o potencial de Espanha, Itália e França.

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