50 ideias para o Turismo | Evolução Regional

Por a 29 de Novembro de 2018 as 10:10

Como serei o enésimo a participar neste simpático convite feito pelo Publituris e certamente muitas medidas estimulantes devem já ter sido entretanto avançadas, pensei sugerir uma ideia que obedecesse aos seguintes critérios: disruptiva, útil e exequível.

A minha proposta vai no sentido de fundir as Entidades Regionais de Turismo (ERTs) no Turismo de Portugal, criando-se uma nova rede dinamizadora de desenvolvimento turístico regional, sob alçada da Autoridade Nacional para o Turismo.

As funções das ERTs são relevantes, mas sejamos francos, o modelo que vigora está cansado! Sei que doerá a alguns ler estas palavras e que outros até ficarão ofendidos, mas deixo aqui alguns exemplos de ineficácia que espero sirvam para relativizar esse sentimento: metade do orçamento formal das ERTs serve para cobrir custos de funcionamento; umas das suas principais funções, a promoção interna (e também em Espanha) é praticamente inexistente; da mesma forma, a necessária “engenharia de Produto” tem-se mostrado ao longo dos anos no mínimo tímida; a manutenção de inúmeros postos de turismo, numa era predominantemente digital, parece ser um contrassenso. Se juntarmos ainda a sua sujeição às oscilações das verbas do Orçamento Geral do Estado, à incógnita que são as candidaturas a financiamentos comunitários, bem como à concorrência e até sobreposição crescente, de outras entidades regionais a desempenhar funções idênticas (Câmaras, CCDRs, Comunidades Intermunicipais, …), então acho que estão criadas as condições para, pelo menos questionar que modelo deveríamos ambicionar ter no futuro.

Foi em tempos também revolucionária, a criação do Turismo de Portugal, com a fusão/extinção de várias entidades com fortes pergaminhos no desenvolvimento do Turismo no nosso País. A relevância em concentrar numa só instituição, a atuação alinhada em áreas tão distintas como interdependentes, como são a da oferta e da procura, ilustra bem a nossa capacidade de reinvenção, com algumas provas entretanto dadas ao nível de eficiência.

Reconhece-se que as ERTs são casos distintos, desde logo pela sua correlação intima aos territórios. Haja, contudo, vontade e autoridade, que nada impedirá que essa proximidade seja diminuída. Se assim fosse constituir-se-iam então ramificações regionais de um organismo forte, em formato renovado, com funções revisitadas, num quadro de despesa revisto e financiamento regular assegurado.

Concordemos, seria certamente disruptivo, porventura útil… apenas difícil de executar!

Por Frederico Costa, administrador das Pestana Pousadas de Portugal

*No âmbito da celebração do seus 50 anos, o Publituris convida uma figura do sector a lançar uma “Ideia para o Turismo”.

Um comentário

  1. jorge sampaio xavier

    29 de Novembro de 2018 at 11:14

    Belo texto! Concordo a 100%.

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