APAVT alerta para “erros de gestão e algumas decisões políticas” que podem apressar final de ciclo

Por a 22 de Novembro de 2018 as 20:07

“Portugal, enquanto destino turístico, vive uma atmosfera de fim de ciclo”. Foi com estas palavras que Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT) se dirigiu aos congressistas presentes no 44º Congresso Nacional APAVT 2018, que decorre até domingo, em Ponta Delgada.

O responsável começou por enumerar os vários desafios que se colocam actualmente ao País, desde o constrangimento do aeroporto de Lisboa, a recuperação de destinos concorrentes, ao desvio da procura, e ao mundo, como o Brexit, a instabilidade do preço do petróleo, entre outros. 

Identificando problemas mais específicos, Costa Ferreira aludiu à cedência de Lisboa “aos mantras anti-turismo” que colocam constrangimentos à operação turística. E perante a “aparente dificuldade de diálogo, entre a câmara e a globalidade do sector turístico”, apelou à Confederação de Turismo de Portugal para tomar “uma posição de força”.

A par de um “conjunto de forças motrizes que estão hoje a perder gás”, o presidente da APAVT chamou a atenção para “alguns erros de gestão e algumas decisões políticas” que podem “agravar ou apressar o final de ciclo”. Um dos exemplos identificados é considerado por Costa Ferreira como “um enorme passo atrás”, referindo-se concretamente à “aprovação da descentralização de competências de promoção para as comunidades intermunicipais”. 

O presidente da APAVT considerou ainda importante que os vários sectores do Turismo, sejam públicos ou privados, procurem “caminhos para um novo ciclo virtuoso”, fazendo assim face aos desafios prementes.
Quanto a um dos principais desafios que a distribuição turística enfrentou este ano, concretamente a nova directiva para as viagens organizada, que entrou em vigor a 1 de Julho deste ano, Costa Ferreira foi peremptório em afirmar que “os profetas do costume tiveram de meter a viola no saco”. No cômputo geral, o presidente da APAVT afirmou que a primeira conclusão da entrada em vigor da nova directiva é “globalmente positiva, gerando satisfação e confiança no futuro”. Construída “em bases sólidas, adequada ao nosso mercado, exemplo de trabalho conjunto entre a auto-regulação e a política orientadora do Estado”, Pedro Costa Ferreira refere que a associação está satisfeita com os resultados da implementação da nova directiva, mas “não podemos deixar de ser cautelosos e humildes nas conclusões”.
O presidente da associação deixou ainda algumas dúvidas perante o próximo ano, sobretudo perante o abrandamento do consumo interno e a sensibilidade do sector às variações da procura, perspectivando assim um Verão de 2019 com “operações turísticas desafiantes e incertas”.
O responsável conclui: “Planeamento, cooperação, disciplina, superação, integridade, é o que o País espera de todo o sector turístico.”

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