APAVT alerta para “erros de gestão e algumas decisões políticas” que podem apressar final de ciclo
“Portugal, enquanto destino turístico, vive uma atmosfera de fim de ciclo”. Foi com estas palavras que Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT) se dirigiu aos congressistas presentes no 44º Congresso Nacional APAVT 2018, que decorre até domingo, em Ponta Delgada.
O responsável começou por enumerar os vários desafios que se colocam actualmente ao País, desde o constrangimento do aeroporto de Lisboa, a recuperação de destinos concorrentes, ao desvio da procura, e ao mundo, como o Brexit, a instabilidade do preço do petróleo, entre outros.
Identificando problemas mais específicos, Costa Ferreira aludiu à cedência de Lisboa “aos mantras anti-turismo” que colocam constrangimentos à operação turística. E perante a “aparente dificuldade de diálogo, entre a câmara e a globalidade do sector turístico”, apelou à Confederação de Turismo de Portugal para tomar “uma posição de força”.
A par de um “conjunto de forças motrizes que estão hoje a perder gás”, o presidente da APAVT chamou a atenção para “alguns erros de gestão e algumas decisões políticas” que podem “agravar ou apressar o final de ciclo”. Um dos exemplos identificados é considerado por Costa Ferreira como “um enorme passo atrás”, referindo-se concretamente à “aprovação da descentralização de competências de promoção para as comunidades intermunicipais”.
O presidente da APAVT considerou ainda importante que os vários sectores do Turismo, sejam públicos ou privados, procurem “caminhos para um novo ciclo virtuoso”, fazendo assim face aos desafios prementes.
Quanto a um dos principais desafios que a distribuição turística enfrentou este ano, concretamente a nova directiva para as viagens organizada, que entrou em vigor a 1 de Julho deste ano, Costa Ferreira foi peremptório em afirmar que “os profetas do costume tiveram de meter a viola no saco”. No cômputo geral, o presidente da APAVT afirmou que a primeira conclusão da entrada em vigor da nova directiva é “globalmente positiva, gerando satisfação e confiança no futuro”. Construída “em bases sólidas, adequada ao nosso mercado, exemplo de trabalho conjunto entre a auto-regulação e a política orientadora do Estado”, Pedro Costa Ferreira refere que a associação está satisfeita com os resultados da implementação da nova directiva, mas “não podemos deixar de ser cautelosos e humildes nas conclusões”.
O presidente da associação deixou ainda algumas dúvidas perante o próximo ano, sobretudo perante o abrandamento do consumo interno e a sensibilidade do sector às variações da procura, perspectivando assim um Verão de 2019 com “operações turísticas desafiantes e incertas”.
O responsável conclui: “Planeamento, cooperação, disciplina, superação, integridade, é o que o País espera de todo o sector turístico.”



























