Portugal Ventures tem 18M€ para investir no Turismo

Por a 21 de Novembro de 2018 as 17:24

A capital de risco Portugal Ventures lançou, no início de Outubro, a 1ª edição da Call for Tourism, com objectivo de encontrar projectos turísticos, de base tecnológica ou não, que tragam para o mercado produtos e serviços inovadores, que melhorem a experiência do turista, aproveitando aspectos como a história, a arte, a arquitectura, o património cultural e natural, entre outros recursos. Conhecida por investir sobretudo em projectos de base tecnológica, nesta Call for Tourism, a Portugal Ventures quer passar a mensagem ao mercado que não está só vocacionada para investir em projectos de base tecnológica, mas também em negócios com um carácter mais tradicional, como explica Pedro Melo Breyner, vogal do conselho de administração responsável pela área do Turismo. “A abertura da Call for Tourism surgiu da necessidade de fazer um push ao mercado e comunicar que temos fundos com verbas para investir e especificar que tipo de projectos estamos à procura”. Sobretudo, porque a Portugal Ventures era conhecida por investir em projectos de base tecnológica, e nós queremos anunciar ao mercado que também estamos disponíveis noutro tipo de projectos na área do Turismo, negócios mais tradicionais e que não sejam necessariamente de base tecnológica”, afirma.

Como funciona a Call for Tourism
As candidaturas para a Call for Tourism abriram no dia 3 de Outubro, podendo ser submetidas até 20 de Dezembro. Até ao passado dia 30 de Outubro, a plataforma já contava com 120 projectos. Depois de submetidos, os projectos são analisados com o objectivo de saber se os requisitos de elegibilidade estão cumpridos. “Temos uma equipa na área do Turismo que faz a análise específica destes projectos. A equipa de Turismo é liderada pelo Miguel Barbosa e conta com mais dois elementos: Pedro Cunha e Joana Rocha”. Os critérios de elegibilidade incluem elementos factuais, ou seja, “investimos em empresas que têm no máximo sete exercícios económicos completos, mais do que isso não investimos, e que tenham a maioria das suas operações localizadas em Portugal”, explica o responsável. Quanto aos critérios de elegibilidade para o tipo de projectos que apoiam, Pedro de Melo Breyner afirma que é essencial avaliar a equipa. “Temos de estar certos que o projecto tem por trás uma equipa com competências adequadas, motivada e que nos oferece confiança para desenvolver o projecto”. Mas não só. “Têm de ser projectos diferenciadores que venham resolver problemas do mercado, com soluções inovadores e diferentes, que tenham capacidade de crescimento rápido e uma visão global, isto é, estarem dirigidas aos mercados internacionais”. Por outro lado, a Portugal Ventures procura “modelos de negócio com alguma solidez, que evidenciem vantagens competitivas face à concorrência e com perspectivas de sucesso que nos permitam ter uma perspectiva também de desinvestimento”, revela. “Os Fundos de Capital de Risco têm uma duração de dez anos, nestes período, os primeiros quatro, cinco, seis anos são para investir e depois temos que pensar em desinvestir, porque ao fim de dez anos temos que sair do capital social daquela empresa, liquidar o fundo e entregar o retorno que tivemos com a actividade desse fundo aos participantes”, conclui.

O que diferencia a Portugal Ventures?
Pedro Melo Breyner lembra que o investimento que a Portugal Ventures faz não é um financiamento, mas uma entrada no capital social das empresas. “Tornamo-nos accionistas. Logo aí há uma enorme diferença”, afirma. “Não nos limitamos a trazer dinheiro para o negócio, trazemos também valor acrescentado em termos de uma rede de contactos, de conhecimento. Temos uma carteira 105 participadas e promovemos sinergias entre as várias participadas ou entre as nossas participadas e os nossos parceiros”, explica. Além disso, acrescenta: “Temos como preocupação promover o crescimento do negócio dessas empresas, seja a nível internacional, através das redes que temos dos nossos accionistas, nomeadamente o AICEP e o Turismo de Portugal. Temos também dois consultores, em Berlim e São Francisco, que dão apoio aos negócios, ajudam a estabelecer parcerias comerciais nesses mercados e, através do nosso departamento de marketing, ajudamos essas empresas a ganhar mais visibilidade e a criar uma estratégia de mercado”. Questionado sobre que projectos esperam receber nesta primeira edição da Call for Tourism, Pedro de Melo Breyner afirma que “esperam um pouco de tudo”. “Diria que é na área da animação turística em que existirão mais expectativas, com alguma ligação também à tecnologia. Mas também na área do alojamento”. O responsável realça que os projectos devem trazer “uma inovação para o mercado e serem disruptivos”, e daí tratarem-se de projectos que trazem um grau de risco mais elevado, com necessidade e investimento de uma Capital de Risco”. “Não estamos no mercado para financiar projectos que sejam mais do mesmo, procuramos projectos fora da caixa”, defende. Já quanto ao território em que se insere o projecto, Pedro de Melo Breyner afirma que “estamos disponíveis para investir em Portugal e ilhas, não há nenhuma limitação neste Fundo do Turismo”.

18M€ para investir
“Temos um Fundo de Turismo com cerca de 18 milhões de euros para investir e nos próximos três anos”, revela Pedro de Melo Breyner, quando questionado sobre o valor alocado para investir no Turismo. “O nosso objectivo aponta para investirmos em seis projectos por ano, nos próximos três anos, com uma média de um milhão de euros por projecto. O investimento mínimo que fazemos é 300 mil euros e vamos até um milhão e meio de euros”, indica. O responsável explica ainda o porquê destes valores. “Estabelecemos o valor mínimo de 300 mil euros para podermos entrar em negócios que já tenham uma certa dimensão. No passado fizemos muitos investimentos com montantes mínimos mais baixos em negócios que ainda estavam na fase das ideias. Isso, por um lado, gera-nos uma grande pressão, porque são negócios que exigem um grande acompanhamento, por outro lado, são negócios que estão também numa fase mais imatura”, constata. Além disso, acrescenta, “percebemos que, hoje em dia, temos, no ecossistema do empreendedorismo, um conjunto de ‘business angels’ que têm disponibilidade para fazer investimentos numa fase mais embrionária. Sendo nós uma capital de risco pública, o nosso posicionamento é colmatar falhas de mercado. E as falhas de mercado estão no intervalo entre os 300 mil e 1,5 milhões de euros”. Segundo Pedro de Melo Breyner, a aposta da Portugal Ventures no Turismo é para continuar. “O Fundo de Turismo é onde temos talvez a maior liquidez para investir, daí também termos ido com alguma rapidez para o mercado à procura de projectos para investir. Talvez também pela importância que ele tem para um dos nossos accionistas que é o Turismo de Portugal, que também tem vindo a dinamizar e apoiar um Programa de Empreendedorismo na área do Turismo, que é o Turismo 4.0, que engloba o apoio à rede de incubadoras e aceleradores e, recentemente, também anunciou o Centro de Inovação do Turismo”, recorda. Quantos aos prazos de resposta aos projectos submetidos à Call for Tourism, a Portugal Ventures estima que, dez dias após o empreendedor submeter o seu projecto, haja uma resposta quanto à sua continuidade no processo. “Se a resposta for positiva, o projecto é sujeito a um painel de peritos nacionais e internacionais, que emitem a sua recomendação. Mediante essa recomendação, a nossa equipa de investimento toma a decisão de prosseguir com a análise, e o projecto é sujeito a um ‘pitch’ com o conselho de administração. No final, apresentamos uma proposta ou declinamos o investimento”. Todo este processo deverá decorrer em 90 dias. Pedro de Melo Breyner garante que a Portugal Ventures tornou o processo de candidatura mais simples. “Foi uma das nossas preocupações, ter um formulário de candidatura mais simplificado e ter uma comunicação mais assertiva com o mercado”, conclui.

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