Accionista chinês da TAP vende companhia para fazer face a dívida

Por a 21 de Novembro de 2018 as 12:34

O Grupo HNA, que é accionista da TAP através da Atlantic Gateway, vai vender a sua posição maioritária na companhia aérea Urumqi Airlines, numa operação que visa aumentar a liquidez do conglomerado chinês, que tem vindo a falhar vários pagamentos de dívida ao longo dos últimos meses.

De acordo com a Lusa, a empresa anunciou esta quarta-feira, 21 de Novembro, que vai reduzir a sua participação na Urumqi Airlines de 70% para 30%, ficando o governo de Urumqi, cidade no extremo noroeste da China, com a participação que vai ser vendida.

Além da Urumqi Airlines, o Grupo HNA tem vindo a alienar investimentos e a cancelar negócios, incluindo na indústria da aviação, que é parte fundamental da empresa, a exemplo do cancelamento, no início deste mês, da compra de uma participação de 60% na companhia aérea chinesa Chongqing Western Airlines.

O Finantial Times avança que o grupo chinês se prepara para vender também a Lucky Airlines, uma companhia aérea regional, a duas firmas estatais chinesas, num negócio que servirá igualmente para aumentar a liquidez da empresa.

Nos últimos meses, o Grupo HNA tem vindo a falhar vários pagamentos de dívida, a exemplo de uma dívida superior a 43 milhões de dólares (37 milhões de euros) contraída a um fundo de investimento chinês, e de vários empréstimos constituídos junto de individuais, através de plataformas ‘online’ de financiamento directo (P2P, na sigla em inglês).

A entrada em incumprimento aconteceu mesmo depois do grupo chinês ter vendido, já este ano, mais de 15 mil milhões de euros em activos, para enfrentar uma grave crise de liquidez.

Em Portugal, o HNA detém uma participação na Atlantic Gateway, consórcio que detém 45% da TAP, e uma das suas subsidiárias, a Capital Airlines, inaugurou em Julho de 2017 o primeiro voo directo entre a China e Portugal, que acabou por ser suspenso cerca de um ano após o lançamento.

O HNA, que detém também importantes participações em firmas como Hilton Hotels, Swissport ou Deutsche Bank, está já sob supervisão de um grupo de credores, liderado pelo Banco de Desenvolvimento da China.

Nos últimos anos, a alteração dos veículos de financiamento na China, do setor bancário formal para outros menos regulados, mas com altas taxas de juro, resultou numa vaga de incumprimentos por todo país e excesso de endividamento corporativo.

 

 

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