“Dinâmicas antigas de concorrência entre municípios já não fazem sentido”

Por a 15 de Novembro de 2018 as 18:01

“Tensões, conflitos e oportunidades nas áreas metropolitanas”  foi o mote que juntou os presidentes das câmaras municipais de Almada, Cascais e Lisboa no terceiro painel de debate do primeiro dia do 30º Congresso Nacional de Hotelaria e Turismo, que acontece na capital portuguesa até esta sexta-feira.

Fernando Medina defendeu a necessidade de os vários municípios cooperarem e colaborarem na retenção de turistas. “As dinâmicas antigas de concorrência entre municípios já não fazem sentido.  Todos os autarcas têm uma consciência grande do valor económico do Turismo e da necessidade de criar condições para que ele cresça”, refere.

O autarca acrescenta que o aumento do número de turistas é positivo, mas alerta para “a necessidade de aumentar os mecanismos de atracção e retenção de estrangeiros que visitam o País. Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais, concorda com Medina e acrescenta: “a nossa competição não é com Almada nem Lisboa. O nosso campeonato é global.”

Elogiando a diversidade de nacionalidades a viver em Cascais, Carlos Carreiras garante que os preços no município não são caros quando comparados com valores praticados noutras capitais europeias. “Cascais é o melhor sítio para viver um dia, uma semana ou uma vida inteira”, justifica, acrescentando que é imperativa uma “adaptação às actuais circunstâncias”.

O autarca deixa ainda um alerta às vozes que se urgem contra o Turismo: “Espero bem que não nos venhamos a arrepender de criticar a procura turística”. Numa análise cronológica, Carreiras relembra que “há 10 anos Cascais era feito de barracas e não era o local mais atractivo para investimento turístico”.

Em Almada, a intensidade turística ainda anda a passo lento. ” Almada era, antigamente, a bacia industrial de Lisboa e com o fim da era industrial houve anos muito dolorosos. A ideia do Turismo não cola bem com este lado. Já passou o período de luto de Almada, agora tem de se transformar noutra coisa”,  afirma a presidente da Câmara, Inês de Medeiros que está confiante num futuro promissor.

“Almada tem todas as condições para uma oferta turística de qualidade. Estamos a pensar num verdadeiro projecto turístico. Há um projecto de reabilitação da zona do Ginjal, que deverá avançar em breve.  Está prevista a construção  de um grande hotel naquele local. Haverá todas as condições para uma conciliação do Turismo, com trabalho e habitação”, assegura.

O autarca revelou ainda que a taxa turística em Cascais irá duplicar no próximo ano, aumentando de um para dois euros, à semelhança do que acontecerá em Lisboa. Carlos Carreiras adiantou que esta medida consta do orçamento municipal de Cascais para 2019.

Carlos Carreiras defendeu ainda a urgência em criar uma taxa sobre a actividade turística que seja aplicada à segurança.  “A segurança é uma matéria prima deste sector e é necessário  arranjar recursos, Poderia ser implementada uma taxa sobre o jogo, ou impostos sobre a actividade turística”, sugere.

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