Turiscópio| Nas cidades com mais de um aeroporto os secundários sentem falta de passageiros directos

Por a 6 de Novembro de 2018 as 13:21
Todos sabemos que ocorrem acidentes nos aeroportos, mas há quem esconda esse factores negativos em debates públicos, alegando que a certificação das rotas de aproximação e levantamento de voo é suficiente e protege a protecção aérea por normas das autoridades europeias de segurança.
Ora os portugueses devem analisar com profundidade estas correntes opostas, depois do curioso programa de Fátima Campos Ferreira, na RTP 1 em 29 de Setembro. Em especial os que aprovam que haverá passageiros aéreos para Lisboa a ficar bem no Montijo, aproveitando mais um destino típico luso, adiando até a viagem por autocarro ou táxi até Lisboa, Estoril, ou Sintra. Apenas a boa vontade não chega , pois a maioria dos passageiros para Lisboa chegam com um programa a cumprir a partir de Lisboa onde têm alojamento reservado.
Para outros: as constantes aterragens no aeroporto de Lisboa são ainda mais perigosas do que no Montijo, próximo do parque Natural da Reserva de Aves no estuário do Tejo.
Lisboa de facto tem maior espaço construído e habitado bastante perto da rota de aproximação de voos para a capital.
Mas o Montijo está na linha de aproximação aérea da ponte sobre o Tejo, do Cristo Rei e da maior zona de aves na Zona conhecida pela população de flamingos e outras aves pesadas em deslocações constantes de alimentação. Assim, outros convidados sugeriram o afastamento das rotas de aproximação de pesadas aeronaves da Zona Protegida do Tejo.
E para os pilotos presentes no Prós e Contras o que lhes interessa sempre é o rigoroso trabalho do sistema mecânico em cada voo, desde que as rotas de aproximação sejam objecto de estudos mais frequentes e objectivos conferindo segurança em todos os voos incluindo junto da Zona Natural do Tejo.
POUCAS OPÇÕES – Neste Pró e Contras falou-se de vários estudos científicos e operacionais sobre esta matéria, tendo os especialistas convidados garantido que as rotas foram aprovadas pelo competente organismo europeu e pelas autoridades nacionais. No conjunto do programa fiquei com a ideia os oradores convidados ignoraram as questões negativas. E foi curioso ouvir autarcas mais interessados no crescimento populacional do Montijo e em geral da população da margem Sul, do que no afastamento de rotas de aproximação de grandes aeronaves comerciais tanto da Ponte sobre o Tejo como das zonas mais habitadas na margem sul, além da «estátua-torre» do Santuário do Cristo Rei na margem sul do Tejo, e com os aglomerados habitacionais desde Almada, Margueira, e Cova da Piedade, descurando o facto do Campo de Tiro de Alcochete ter mais espaço para a construção de pistas e das instalações necessárias ao segundo aeroporto da capital, apesar de ter o mesmo problema com as abundantes aves do Tejo.
Também não entendo como o Governo queira trocar a Base Aérea de Busca e Salvamento no Montijo para outro local. Em Sintra, por exemplo, funciona a Academia da FAP e em Tires o  aeroporto secundário de Lisboa para aviões privados. E não foi debatido o eventual aproveitamento da antiga base da OTA para Busca de Salvamento, apesar da urgência de uma base  quando as obras no Montijo aeroporto forem iniciadas.

Mas há quem prefira uma das ilhas da Lezíria do Tejo – uma das nossas maiores propriedades agrícolas de criação de equídeos e gado bovino. Não foi porém tratado o custo de construção e equipamento de uma nova Base Aérea de Busca e Salvamento. Nem se sabe se O Governo já encomendou o estudo da Zona Aérea da Grande Lisboa por peritos internacionais, antes de se comprometer com os habitantes no Montijo, que em vez de aviões de médio porte para busca e salvamento, vão passar a conviver diariamente com grandes jactos.
Cabe ao Ministério do Ambiente revelar como com dois aeroportos junto ao Tejo vai proteger a Reserva Natural do Estuário do Tejo e os bandos de aves? Pois sabe-se que uma opção política e privada se inclina para a pista do Montijo como  complemento da Portela, não obstante os inspectores do SEF controlarem a entrada e saída diária de 25 mil pessoas na Portela. E no Montijo? Quando em Lisboa os serviços de entrada e  saída de Portugal e de inspecção alfandegária estão a demorar demasiado o fluxo de chegadas e partidas. Como será possível no espaço no Montijo tratar semelhante fluxo de pessoas e bagagem?
E não foi debatido o eventual aproveitamento da antiga base da OTA para Busca de Salvamento, apesar da urgência de uma base  quando as obras do aeroporto forem iniciadas. Uma coisa é enviar grandes jactos de passageiros para a OTA, outra é enviar aeronaves para busca e salvamento.
A actual rede de bases da FAP usa pistas e instalações nas bases de  São Jacinto – Cortegaça em Aveiro; e Sintra. Creio que  em Beja poderia partilhar as pistas e Hangares com o Aeroporto que não tem tido voos civis. Outro erro governamental.
ACIDENTES – Ainda na véspera do programa caiu um avião moderno da Lion Air, companhia indonésia, ao largo da ilha de Java, causando a morte cerca de 200 pessoas. Ora a tripulação certamente também cumpriu as normas de segurança locais. E no Tejo num espaço aéreo com o maior conjunto de aves em crescimento? O Montijo não é perigoso? com a quantidade de aves protegidas a voar constantemente sobre zonas de protecção natural.
O Ministério do Ambiente que diga como vai proteger a Reserva Natural do Estuário do Tejo e os suas características aves?, Sabendo-se que a opção política e privada se inclina para a pista do Montijo como  complemento da Portela, não obstante os inspectores do SEF controlarem a entrada e saída de 25 mil pessoas por dia na Portela. Como será no Montijo?
Os serviços de entrada e inspecção alfandegária na Portela tornou-se numa demora do tempo em que não havia internet. Como será possível dotar o Montijo com tanta gente e bagagem, sem uma linha férrea de transbordo para o centro da capital? É indispensável e urgente a localização de uma nova base de busca e salvamento.

Um comentário

  1. RICARDO PEIXINHO

    8 de Novembro de 2018 at 13:48

    Boa tarde,

    informem se melhor, a pista da base militar de São Jacinto não é usada a anos…era bom que a aviação civil a utiliza-se , já que a aviação militar não quer saber. era é preciso arranjar a tão prometida pista que está toda deteriorada a anos e por esse motivo a Aviação civil deixou de a utilizar… digo eu..que não sou entendido na matéria.

    um bom dia.
    rp

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