OE 2019: “As empresas e os turistas não votam”

Por a 28 de Outubro de 2018 as 21:12

“O Turismo tem sido de facto um sector que tem ajudado e muito a economia portuguesa a retomar o seu crescimento”. Foi com estas palavras que o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, começou por se dirigir aos vários empresários da Go4travel, grupo de agências de viagens com um volume de negócios perto dos 400 milhões de euros, que se reuniram em Coimbra, este último fim-de-semana.

O presidente da CTP relembrou que é o Turismo que “todos os anos tem contribuído com 40 a 50 mil postos de trabalho”, mas também é graças ao saldo positivo do Turismo que o saldo da balança comercial portuguesa é também positivo. “Para quem já ouviu críticas de que o Turismo não é sustentável, hoje é exactamente o contrário, a economia portuguesa não é sustentável sem o Turismo”.

Perante estes números, Francisco Calheiros recordou que o Orçamento de Estado para 2019 não prevê qualquer medida que beneficie as empresas e o Turismo, tendo o Governo optado por beneficiar “sem qualquer espécie de crítica, os eleitores pensionistas e funcionários públicos”, que representam mais de dois milhões de eleitores. O presidente da CTP salientou que são as empresas que criam emprego e não o Governo, mas “as empresas não votam. Como as empresas não votam e os turistas também não, quando se está a discutir o Orçamento de Estado é como que estar a falar com a parede”.

Além da ausência de medidas no OE, Francisco Calheiros frisou que o Turismo tem vários desafios pela frente, numa altura em que se torna notório o abrandamento do seu crescimento, um dos quais o futuro aeroporto do Montijo. “O aeroporto [de Lisboa] esgotou. É a nossa principal prioridade e as notícias que temos não são boas. Se tudo tivesse corrido bem, teríamos o Montijo a funcionar em 2022. As coisas não correram bem e provavelmente já estamos a resvalar para 2023 e penso que as coisas ainda se vão complicar mais”, alerta Francisco Calheiros. “O acordo com a Força Aérea não está fechado, o impacto da sustentabilidade também não, as contrapartidas camarárias também não e o acordo coma Vinci também não, portanto estou muito pessimista em relação ao aeroporto”, advertiu o presidente da CTP, frisando que esta é “a principal prioridade” da Confederação.

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