“Lisboa pode vir a ser um dos principais portos da Europa”

Por a 19 de Outubro de 2018 as 17:22

A propósito da Seatrade Cruise Med, uma das maiores feiras de cruzeiros do Mediterrâneo, que decorreu pela primeira vez na capital portuguesa, o Publituris falou com o presidente da MedCruise, a associação que representa os portos desta região, numa conversa que abordou as potencialidades de Lisboa, mas também de outros portos nacionais, assim como alguns dos desafios que se colocam à indústria dos cruzeiros.

Em Novembro de 2017, Lisboa inaugurou o novo terminal de cruzeiros, uma peça chave para afirmar a capital portuguesa nesta indústria, que este ano deve trazer 1,5 milhões de passageiros até à cidade. O número é positivo, mas tem ainda uma larga margem de crescimento, já que, como refere Airam Díaz Pastor, presidente do MedCruise, a associação que junta os portos de cruzeiro do Mediterrâneo, “Lisboa está numa óptima posição para continuar a crescer”.
Durante uma conversa com o Publituris, à margem da Seatrade Cruise Med, que decorreu em Lisboa a 19 e 20 de Setembro, o presidente do MedCruise falou sobre as potencialidades de Lisboa, considerando que a capital portuguesa “está no caminho certo, está a aumentar os números”, motivo pelo qual diz acreditar que a cidade pode vir a “ser um dos principais portos da Europa, em termos de cruzeiros”. “Lisboa tem feito um bom trabalho. Em termos geográficos, Lisboa tem uma excelente posição, porque consegue atrair o tráfego que vem das Caraíbas a caminho do Mediterrâneo, e também o tráfego que vem da América do Sul para a Europa do Norte”, disse Airam Díaz Pastor, destacando também “o grande trabalho que a Administração do Porto de Lisboa tem vindo a fazer”.
O novo terminal de cruzeiros, que Airam Díaz Pastor diz ter sido “um excelente investimento”, é um forte argumento para que a capital portuguesa consiga atrair um maior número de navios e de passageiros, ainda que, até à data, não tenha sido suficiente para aumentar os turnarounds, apontados como o grande objectivo para a construção da infraestrutura, algo de que o presidente da MedCruise discorda, já que, explicou, os turnarounds têm “também impactos negativos”. “Muitos portos pensam que ter movimentos de turnaround é bom, e, de facto, é bom, mas é preciso ver que há também impactos negativos. Quando se fazem turnarounds, os passageiros não visitam a cidade, chegam, entram nos navios e quando saem vão directos para os aviões. É quando estão em trânsito que os passageiros conseguem experienciar uma cidade e deixar mais dinheiro na economia local”, alertou, acrescentando que, pela sua experiência no Porto de Tenerife, em Espanha, a afirmação no turnaround “demora muito tempo, porque é preciso educar as companhias de cruzeiros, colaborar com os aeroportos e com as companhias aéreas”. “Por isso, o foco não deve estar apenas no porto. É importante ter boas infraestruturas, mas é preciso unir todas as partes”.
Airam Díaz Pastor diz que “o trabalho de Lisboa merece um balanço positivo, Lisboa tem turnarounds, mas também tem passageiros em trânsito e é preciso aumentar ambos os números para que exista um bom equilíbrio e para que Lisboa tenha sucesso”, defendendo que “a melhor forma de se alcançar o sucesso é não olhar tanto para os números, é preciso procurar crescer no dia-a-dia para se ter um melhor desempenho, é preciso falar com as companhias de cruzeiros para compreender o que elas precisam e trabalhar com as autoridades locais, esse é o caminho para o sucesso”.

Madeira e Açores

Airam Díaz Pastor diz que um dos trunfos de Lisboa é a sua localização geográfica, assim como o é também na Madeira e Açores, portos que são igualmente associados da MedCruise e que, segundo o responsável, “têm uma óptima localização no Atlântico”. “Os Açores e a Madeira, especialmente a Madeira, está muito bem posicionada nos cruzeiros e tem muitas partidas”, considerou o presidente do MedCruise, referindo que a Madeira é um destino muito procurado pelos cruzeiros porque “é o primeiro porto para os navios que vêm das Caraíbas e porque permite realizar itinerários durante o Inverno, em conjunto com as Canárias, o que torna a Madeira num porto atractivo”.
No caso da Madeira, a proximidade às Canárias permite combinar ambos os destinos no mesmo itinerário, característica que Airam Díaz Pastor considera fundamental, já que, afirmou, “quando os passageiros reservam um cruzeiro, não é por causa do navio, os passageiros fazem um determinado cruzeiro por causa dos portos, vêm para ver um determinado destino. Por isso, é muito importante ter portos parceiros fiáveis nas redondezas, porque nos ajudam a crescer. Se não tivermos parceiros de confiança, se não tentarmos colaborar com outros portos que estejam nos mesmo itinerário, isso pode ter um efeito negativo”.
O presidente do MedCruise considerou ainda que os Açores estão igualmente a “fazer um grande trabalho”, destacando que se tratam de “ilhas lindas, bem-adaptadas a determinado tipo de tráfego, e que também têm uma excelente localização para os navios que vêm do Canadá para a Europa”.

Mediterrâneo a crescer

A localização dos portos portugueses pode ser um trunfo para o aumento da actividade em território nacional, até porque o Mediterrâneo se deverá manter como o segundo maior destino mundial de cruzeiros, com a MedCruise a estimar que, até ao final de 2018, passem pelos portos da região cerca de 28 milhões de passageiros, o que representa um aumento de um milhão de passageiros face ao ano passado. “Para 2018, a espectativa é fechar o ano com mais um milhão de passageiros, vamos subir para perto de 28 milhões de passageiros e vão existir perto de 12.600 partidas. Por isso, a expectativa para todo o Mediterrâneo e mares adjacentes, como o Atlântico próximo, é muito positiva”, revelou o responsável.
Quanto a portos, Airam Díaz Pastor destaca Barcelona, que “é o maior, não apenas do Mediterrâneo como de toda a Europa”. “O Porto de Barcelona tem sido o maior da Europa nos últimos anos, seguido de muito perto pelo porto de Civitavecchia, que é o Porto de Roma, em Itália. Estes são os dois maiores portos, de momento, em termos de passageiros. Mas tenho que dizer que a importância destes portos não seria a mesma sem todos os outros portos, principalmente dos que estão na proximidade de Roma e Barcelona e que contribuem para criar um bom itinerário”, destacou o responsável.

 

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