Palma de Maiorca discute redução da carga turística

Por a 2 de Outubro de 2018 as 10:53

O Observatório Palma XXI propôs esta segunda-feira, 1 de Outubro, a redução da carga turística no centro da cidade de Palma de Maiorca para metade, medida que prevê efeitos a longo prazo e que está a ser equacionada depois de a cidade ter recebido, este Verão, 37.700 turistas por dia.

Para reduzir o número de turistas no centro histórico da cidade, que tem apenas 52.300 habitantes, revela o jornal espanhol Hosteltur, o Observatório Palma XXI deixa algumas propostas, como a descentralização do Turismo para outras zonas de interesse na cidade ou o aumento do número de residentes, de forma a equilibrar o rácio entre turistas e residentes, que, este Verão, foi de dois turistas para cada residente.

Se estas medidas forem postas em prática, o estudo prevê que, até 2025, a pressão turística seja fortemente reduzida, passando o número de turistas a ficar nos 18.200 por dia, menos 19.500 do que actualmente.

As conclusões do Observatório Palma XXI constam de um estudo que pretendeu estabelecer o nível de pressão turística na cidade e que apurou que, nos últimos anos, o número de turistas cresceu muito no centro de Palma de Maiorca, o que é visível, desde logo, pelo número de quartos disponíveis na hotelaria, que subiu 65% entre 2012 e 2017, passando de 24 para 67 estabelecimentos de hotelaria.

O estudo apurou que, num dia normal de Verão, a cidade recebe também uma média de 16.500 turistas que chegam de autocarro, aos quais se juntam mais de 7000 turistas que viajam em cruzeiros.

O centro histórico de Palma de Maiorca registou um aumento de 30% na população estrangeira, percentagem que mostra a gentrificação desta zona da cidade, uma vez que a média de população estrangeira nas restantes zonas da cidade é de apenas 22%.

O aumento da actividade turística em Palma de Maiorca tem tido impacto também no tipo de comércio, uma vez que 64% dos estabelecimentos estão orientados para o Turismo e apenas 19% vendem produtos locais.

O problema deixa insatisfeitos muitos dos habitantes da cidade, uma vez que 64% afirmaram que o volume de turistas nos espaços públicos afecta a sua vida quotidiana e dois terços (66%) defendem que a cidade atingiu ou já ultrapassou o limite de capacidade para receber turistas.

O estudo apurou ainda que também os turistas têm essa percepção, já que 48% admitiram que “há muita gente na rua”, ainda que apenas 18% preferissem que houvesse menos pessoas nas ruas de Palma de Maiorca.

Para a responsável pelo estudo, a arquitecta e urbanista María Goméz, do departamento de Geografia da Universidad Complutense de Madrid, um dos principais problemas está relacionado com o aumento dos preços no imobiliário, que têm subido tanto no centro da cidade como nas áreas costeiras, o que leva a desequilíbrios sociais e ambientais.

Recorde-se que, já em Abril, o município de Palma de Maiorca tinha aprovado uma medida que visava limitar o número de apartamentos para aluguer turístico, passando a permitir que apenas  as casas unifamiliares se destinassem a esta modalidade

 

 

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