Opinião | Estratégia 4.0 no Turismo

Por a 1 de Outubro de 2018 as 9:46

Portugal está na travel wishlist dos visitantes mundiais. Será estratégico acompanhar esta tendência de perto e apostar no turismo 4.0, que sublinha o potencial e importância da criatividade, da inovação e desenvolvimento digital para a diferenciação e modernização dos destinos. Neste processo será central a aposta clara em formação profissional especializada, de uma estratégica adequação dos planos de estudos e métodos de ensino que preparem e valorizem o capital humano para esta nova realidade, e que os profissionais de turismo sejam reconhecidos e valorizados como fundamentais para empresas que se pretendam posicionar no mercado.

O futuro será daqueles que ousem aliar a criatividade à tradição, que proponham uma reinterpretação do património, daqueles que transformem experiências em vivências com conteúdo e emoção. É imperativo atender às transformações e necessidades do mercado e das comunidades recetoras e que se tenha como objetivo atingir e garantir metas sustentáveis de sucesso. As propostas devem acompanhar as expectativas quanto à qualidade, dificilmente compatíveis com sugestões massificadas, e que façam com que a atividade turística seja mote para a reafirmação da identidade.

Como em todas as outras, a atividade turística, aliada a diferentes variáveis, pode contribuir de forma menos positiva para os territórios. Para acautelar tal possibilidade, o seu desenvolvimento deve ser equilibrado, tendo em consideração a comunidade de destino, as preocupações ambientais e a sustentabilidade. Deve, acima de tudo, atender ao equilíbrio entre o benefício e o dano. A concentração turística mantém-se como uma das preocupações, e a aposta deverá passar pela sedução dos turistas para visitar destinos inexplorados do nosso território.

A atividade turística tem assumido um papel fundamental na recuperação económica dos territórios. A Península Ibérica lidera o crescimento do setor na Europa, e Portugal tem registado uma procura de tal forma significativa que bate os seus recordes constantemente. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, foram registados mais de 24 milhões de hóspedes e de 65 milhões de dormidas em 2017. Apesar de a sua distribuição não ser homogénea, todas as regiões têm vindo a sentir este aumento do turismo. Assim, torna-se essencial aproveitar esta janela de oportunidade e garantir que os efeitos positivos desta procura perdurem.

Opinião de Catarina Nadais, coordenadora da Licenciatura em Turismo no Instituto Superior de Administração e Gestão (ISAG).

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