“Alguns dos destinos mais inovadores e sustentáveis dependem essencialmente do alojamento local”

Por a 3 de Setembro de 2018 as 14:30

Mais de 70% do alojamento local em Portugal está situado fora das cidades de Lisboa e do Porto, sendo o distrito de Faro aquele que tem mais unidades registadas, segundo dados da principal associação do sector, citados pela agência Lusa.

De acordo com a Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), no continente e na Madeira há cerca de 72.500 unidades de alojamento local (em 09 de Agosto havia 72.576 registos, correspondentes a 168.341 quartos, contra 14.036 registos em 2014).

Lisboa e Porto representam em conjunto quase 29% da realidade global, sendo responsáveis, respectivamente, por 19,7% e 8,98%.

Fora das duas cidades concentram-se, nesta análise, cerca de 71% das unidades, às quais se somam as dos Açores, que têm um sistema de registo próprio. Segundo o Governo Regional, havia em 24 de agosto 2.176 unidades.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da ALEP, Eduardo Miranda, lamentou o facto de o debate sobre o alojamento local se “restringir sempre a quatro ou cinco freguesias de Lisboa e Porto”, quando “está presente em 293 concelhos e 1.767 freguesias do continente e Madeira (os Açores têm um registo próprio).

“Desde o início do ano, enquanto só se falava do impacto do alojamento local em algumas poucas freguesias do centro histórico de Lisboa e do Porto, mais de 180 freguesias recebiam pela primeira vez um registo de alojamento local. A discussão centrada nestas duas cidades tem deixado de lado esta realidade”, apontou.

O presidente da ALEP destacou a “cadeia de benefícios” que este alojamento tem comportado para as cidades e aldeias do interior, sublinhando o facto de milhares de particulares poderem “rentabilizar os seus imóveis”, ao mesmo tempo que ajudam a “promover os seus territórios, captando mais turistas e mais emprego”.

Eduardo Miranda referiu que “alguns dos destinos mais inovadores e sustentáveis dependem e vivem essencialmente do alojamento local, como é o caso do nicho do surf em Peniche (distrito de Leiria) e na Ericeira (distrito de Lisboa) ou do turismo realizado nos Parques Naturais da Costa Vicentina (Alentejo e Algarve).

“É fundamental entender que o alojamento local não é uma moda, uma tendência de nicho, mas sim um dos pilares do turismo e que pela sua diversidade de oferta pode ser uma parte fundamental do posicionamento estratégico do turismo nacional”, defendeu.

O alojamento local, referiu, “não só contribui para uma descentralização do fluxo turístico como também permite criar uma imagem diferente e diversificada do país”.

Já dentro das grandes cidades, é notória, para a associação a competitividade destes espaços – o presidente da ALEP não tem dúvidas de que foram essenciais para dar suporte a eventos de grande dimensão que se realizaram em Lisboa, como a Eurovisão, WebSummit ou a final da Liga dos Campeões entre o Real Madrid e o Atlético de Madrid.

A ALEP estima que actualmente existam cerca de 33 mil famílias a depender em parte ou na totalidade do alojamento local para seu sustento, operando neste sector cerca de sete mil microempresas.

“Um dos aspetos pouco divulgados é a contribuição do alojamento local para a criação de um grande número de empresas e postos de trabalho destinados a apoiar a sua operação, nomeadamente empregados de limpeza, lavandarias, empresas de tecnologia, de animação turística, entre outras”, indicou.

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