Opinião| Uma nova dinâmica para o Turismo regional

Por a 9 de Agosto de 2018 as 13:56

A tradição de décadas de autonomia e regionalização do Turismo é em grande parte responsável pelo atual sucesso do Turismo e pelo seu contributo para a economia nacional, para a recuperação das finanças públicas, para o prestígio do país e para a autoestima dos portugueses. Assim sendo, podemos dizer que descentralizar o setor é a palavra de ordem do dia.
A descentralização do Turismo tem como consequência, por um lado, a atribuição de fundos por parte da administração central aos poderes regionais e locais, com vista essencialmente à promoção turística do território e, por outro, às empresas em apoio às suas estratégias de investimento e desenvolvimento. A conjugação destes meios alavanca a atividade turística e promove a redistribuição da riqueza entre territórios emissores e recetores de Turismo. É sabido que na promoção do destino, as entidades regionais de Turismo têm um papel fundamental a nível da valorização do território, da captação e apoio ao investimento, da organização e desenvolvimento dos produtos, da melhoria da experiência turística, das infraestruturas e da oferta turística e do apoio à promoção turística. São plataformas de encontro entre a comunidade local e todos os atores públicos e privados para a implementação de estratégias de desenvolvimento integrado dos destinos, pelo que é fundamental que assumam um papel decisivo no desenvolvimento regional.
Neste quadro, é importante encetar um diálogo construtivo com o Estado que permita iniciar um processo de descentralização que transfira para as organizações regionais competências e meios atualmente concentrados na Administração Central. As soluções deverão ser variáveis tendo em conta as diferentes realidades regionais, rejeitando simultaneamente a inclusão de novos atores no processo turístico regional, nomeadamente a nível da promoção turística, de forma a evitar a dispersão, duplicação e proliferação de intervenções e desperdício de recursos.
Estarão assim criadas as condições para o Turismo potenciar os recursos endógenos de cada região, estimular a competitividade e promover as potencialidades regionais relativas ao seu património natural, cultural e histórico. Este é o caminho para estabelecer objetivos em termos de coordenação e cooperação para que o Turismo seja compatível com um desenvolvimento sustentável, para pugnar pela preservação do estilo de vida das populações locais, a nível tradicional e cultural, incluir as populações na atividade e permitir que ocorra a partilha dos benefícios, mas também para promover a exploração paisagística mediante a preservação e sustentabilidade ambiental.
O desenvolvimento sustentável do Turismo tem de constituir um compromisso firme com o futuro e com as próximas gerações e exige o esforço contínuo das entidades públicas, das organizações não-governamentais, das empresas e dos cidadãos. Só assim se assegura o crescimento económico em equilíbrio com a qualidade ambiental, defendendo a cidadania, a justiça social e a coesão regional.

*Por Francisco Coelho, presidente da Associação Nacional de Turismo.
Artigo publicado na edição de 20 de Julho do Publituris.

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