Opinião| Faça-se!

Por a 9 de Agosto de 2018 as 11:55

É já recorrente o discurso da saturação do aeroporto da Portela e, as perdas ainda por contabilizar do número de passageiros e turistas que o país está a deixar de receber diariamente, como bem recordou o presidente da CTP na sua recente entrevista. Igualmente preocupante a qualidade do serviço que estamos a prestar, enquanto país, a quem chega a Portugal e traz na “bagagem” a ideia do melhor destino turístico e europeu do mundo. Já aqui abordámos a necessidade de rentabilizar de forma ainda mais eficaz o nosso aeroporto Sá Carneiro no Porto e, por via disso, maior capacidade de gerar fluxos para o Norte e para o Centro de Portugal.
Vemos uma “nomenclatura” amarrada à ideia imperiosa de construir Montijo, independentemente dos custos que o país vai suportar e, das condições técnicas e de navegabilidade que oferece mas que, em nome desse “imperativo” pouco importam nesta altura. Faça-se.
O que motiva este escrito assenta numa visão mais equitativa para Portugal, de aproveitamento imediato da sua capacidade instalada no curto prazo, com Beja e Porto a contribuírem de forma mais incisiva para o aumento do tráfego aéreo e, da abertura de Monte Real à aviação civil. Quer no campo do aumento da competitividade nacional, quer no aumento significativo do esforço para a coesão regional e nacional do nosso país.
Após a apresentação pela CIM Leiria do estudo de viabilidade económica que assenta num investimento total de 25 milhões de euros, Monte Real fica apto para receber a aviação comercial em franca “convivência” com os serviços da base militar e, oferece uma nova centralidade a Portugal.
Não se trata de um equipamento “contra” o Montijo nem, aspira à sua substituição enquanto aeroporto internacional mas, um equipamento que se viabilizará com cerca de 600.000 passageiros ano (dados do estudo apresentado pela Roland Berger, em 18 de Junho de 2018) e, transforma e rentabiliza infraestruturas existentes como a A8, A17 atualmente com taxas de ocupação baixas, desenvolve e qualifica a linha do Oeste e da Beira Alta e, serve cerca de 21% da população portuguesa residente nesta região. Se a isto juntarmos o capital económico e industrial desta região com fortíssima capacidade internacional como as indústrias dos moldes e, a centralidade de Fátima, com mais de 9 milhões de visitantes em 2017, estão reunidas todas as condições para rapidamente ultrapassarmos este constrangimento nacional.
Além disso, os aeroportos são mercados de dois lados que reúnem (e geram receitas): as companhias aéreas de um lado e, os passageiros de outro. Como resultado, a extensão do poder de mercado aeroportuário depende da capacidade e disposição das companhias aéreas e passageiros de mudar para outros aeroportos, e essa caraterística particular complica a avaliação competitiva padrão, uma vez que as restrições conjuntas do aeroporto provenientes dos dois lados do mercado precisam de ser avaliadas.
Significa isto que, a proximidade de um aeroporto alternativo só pode representar uma escolha relevante de se oferecer um serviço.
Faça-se.

*Por Pedro Machado, presidente da Turismo Centro de Portugal
Artigo publicado na edição de 20 de Julho do Publituris.

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