Opinião| O mundo em mudança à volta do turismo contemporâneo de cariz europeu

Por a 11 de Julho de 2018 as 8:21

Não sei se governantes, autarcas, e gestores das entidades regionais de turismo e de empresas que lideram os principais segmentos da nossa economia estão satisfeitos com as mudanças na divulgação da oferta e dos hábitos dos turistas estrangeiros e nacionais, pois o turismo está a transformar-se num caso de mudança social, vindo de uma área entre pessoas conhecidas nas agências de viagens, hotéis e unidades de alojamentos, incluindo restaurantes, e transportadoras como a TAP, Portugália, Sata, Euro Atlantic Airways, e Air Atlantis na aviação, e de autocarros de turismo, desde a AVIC no Minho à EVA no Algarve. O turismo foi uma fonte de conhecimentos pessoais que cresciam em amizades no século XX mas a revolução tecnológica em curso transforma o sector em vendas impessoais na internet. Cada dia que passa mais horas são absorvidas pela internet e smartphones. Será que estes aparelhos nos satisfazem mais do que as relações com amigos nas viagens e empresas com que nos familiarizamos? Acho que não.

TURISMO TECNOLÓGICO – Entre as mudanças destaco a quebra nos postos de turismo, quando sem o cumprimento de horários 9 às 17 obtém-se a toda a hora informações através de aplicações e smartphones. Mais um caso de redução de postos de trabalho. O americano Stephen Bailey acaba de revelar 20 aparelhos indispensáveis provenientes da revolução tecnológica, e que estão a mudar a vida social das populações ocidentais e orientais em países mais avançados. Não consegui decorar a lista completa de Stephen Bailey, editada pela CNN, sobre a roupa que se passou a usar e os instrumentos que a juventude não dispensa, com design adequado à nova vida social e comportamento profissional. Os 20 objectos interferem até na organização de eventos desportivos, culturais de diversão musical e gastronómica, incluindo feiras e viagens.

ÉPOCAS HISTÓRICAS – O meu gosto pelo jornalismo cresceu na década de 40, com o meu avô que lia diariamente o SÉCULO e ouvia as noticias na rádio sobre os combates entre aliados e nazis. Eu no cinema apreciava os documentários da guerra. Foi quando quis ser oficial da marinha ou jornalista. Passados 70 anos, tenho poucos amigos com smartphones e automóveis eléctricos, mas adaptei-me aos computadores portáteis e telemóveis simples, e pouco às ligações tecnológicas que são o mimo da nova geração. Estranho que haja funções electrónicas exigidas por operadoras de energia, transportes, e fornecedores de vários equipamentos, que obrigam milhões de pessoas a trocar SMS durante o horário de trabalho. E duvido que melhore a produtividade económica.

PORTAIS ELECTRÓNICOS – No anterior turiscópio avisei que para escrever cada turiscópio visitava os portais de promoção das autarquias e das entidades de turismo regional e nacional. Não consegui agora saber o que se passa em Junho no Turismo do Minho, Trás-os-Montes, Centro, e nas Áreas Metropolitanas de Porto e Lisboa, Regiões Autónomas dos Açores e Madeira, assim como nos principais distritos com vocação turística, como a Serra de Estrela, aldeias históricas, e estuários fluviais, rias e albufeiras onde crescem desportos náuticos e visitantes em embarcações de turismo, a par da ligação entre as principais localidades fluviais. E, pelos vistos, não importa saber quantos jovens compram entradas nos festivais de música, nas maratonas e nos desfiles de Carnaval. Este desencontro não resulta da quebra de contacto nos postos de turismo?

DESTINOS DISTINTOS – As pessoas gostam de participar em festivais, desfiles, e festas populares ou de gala. Não me canso de escrever os nomes dos nossos mais belas recantos. Só lamento não saber se os alunos do secundário conhecem o mapa contemporâneo de Portugal turístico? Sem saber o valor dos eventos em Junho no Minho, Trás os Montes, Beiras, Costa de Prata, Serra da Estrela, Coimbra, Leiria, Fátima, Ribatejo, Alto e Médio Tejo, Litoral Oeste, desde a Nazaré a Cascais, Serras de Sintra e da Arrábida; Estuário e Porto de Lisboa (com onze municípios fluviais nas duas margens, mais a Capital e Área Metropolitana de Lisboa, na Península de Setúbal e Estuário do Sado. No Alentejo e Albufeira de Alqueva, e nas Costas Alentejana e Vicentina, nos Açores e Madeira? A cooperação entre órgãos do desporto e do turismo não tem sido suficiente para projectar no exterior a qualidade e datas dos nossos eventos náuticos e outros.

ESTAÇÕES NÁUTICAS – O projecto apresentado na BTL das estações náuticas nos estuários fluviais e nos portos está a demorar. É pena pois perdem-se assim fretamentos de veleiros e lanchas de turismo náutico-desportivo. Os portos dispõem de marinas e empresas especializadas na observação de golfinhos e outras espécies marinhas e o nosso património marítimo tem invulgar qualidade, não faltando praticantes em Portugal, Europa, e EUA que apreciam velejar na nossa costa. As notícias que encontrei limitam-se a repetir monumentos e sítios a visitar, ignorando eventos programados cada mês. Será que em Junho não há eventos programados em Portugal? Ao lidar com familiares jovens sei que a justificação forte para se viajar são eventos profissionais, desportivos, ou culturais. Por outro lado as progressivas características da hotéis, alojamentos-locais, restaurantes, redes de transportes, excursões e de animação cultural, artística, desportiva e típica devem ser bem definidas para garantir maiores frequências.

*Por Humberto Ferreira
Turiscópio publicado na edição de 8 de Junho do Publituris

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