Opinião! À frente da Geração Z

Por a 11 de Julho de 2018 as 9:25

A Geração Z, que é composta por jovens que nasceram entre 1995 e 2015, está a crescer num ambiente de voragem de transformações políticas e sociais. Os experts consideram estes jovens como extremamente maduros, autosuficientes e criativos, levando em frente os anteriores Millennials.
Esta geração é um desafio pois desde o seu primeiro dia, enquanto alunos, têm muito claro o que querem e as suas expetativas face ao mercado laboral são muito elevadas. Além disso, têm claro a sua maior exigência: uma formação altamente especializada para conseguirem influenciar diretamente a organização que os integrará.
Do ponto de vista educativo não há dúvida que a forma de pensar e trabalhar das gerações Millenials e Z pressupõem um grande desafio. Um estudo recente que analisou as reações da atividade cerebral das gerações de 60 e 70 perante estímulos diversos, deixou claro que, e de forma científica, se estão a produzir rápidas e significativas adaptações a nível cerebral das novas gerações. Nesta análise, perante estímulos semelhantes, o cérebro da geração Z ativava mais áreas cerebrais mas com menor intensidade que os indíviduos da geração do “Baby Boom”. Por outras palavras, nas gerações anteriores demonstrou-se maior capacidade de concentração e análise mas nos atuais Z, a capacidade de relacionar e analisar é mais resumida mas com uma agilidade muito superior.
Esta mudança até na forma de pensar, afeta também o setor turístico. A Booking já tinha tornado este aspeto relevante no seu último estudo com mais de 25.000 jovens da geração Z. Creio que ninguém do setor ficará surpreendido com o facto de 89% dos utilizadores desta plataforma de reserva não considerar a possibilidade de seleccionar um alojamento que não tenha uma ligação WIFI estável. Talvez se se começar a ter esta noção e antecipar o futuro e quais as mudanças nas quais devemos trabalhar, este elemento não venha a ser um fator elimantório na escolha de um hotel .
Nas gerações anteriores, entre as motivações dos adolescentes para uma férias, o objetivo era ter oportunidade de ampliar a sua rede de amizades, conhecer outras pessoas, era o mais importante. Para a atual geração Z este objetivo fica em segundo plano, o princial objetivo é perceber antecipadamente se o hotel e o destino são bons para fazer “fotos cool” para partilhar nas suas redes sociais, (apenas 25% dos jovens acham que é importante fazer amigos durante as férias). Passamos de querer espaços para gerar amizades reais para selecionar espaços que alimentam as amizades virtuais.
É urgente estar atento, na indústria hoteleira, a este novo perfil de cliente Z e não apenas esperar que nos cheguem as suas exigências por dois motivos: o mais óbvio é porque são rápidos na hora de partilhar e tornar viral as suas experiências e opiniões. O segundo motivo é porque é uma geração que contagia o comportamento com mais permebialidade e rapidez como nenhuam outra.
Hoje assistimos às maiores cadeias internacionais a disputar para conseguirem os melhores talentos. Começa a haver uma consciência real de que a velocidade da transformação dos comportamentos requer atrair talento e potenciar a capacidade de gerir na imediatez. Hoje o setor hoteleiro não pode passar ao lado de cinco tendências incontornáveis: os smartphones, a interrupção da economia colaborativa no negócio do alojamento, a presença da tecnologia e o peso cada vez mais importante da experiência, a extensão o conceito “viver como um local” e o valor diferencial que reside na gastronomia, a todos os níveis, no setor da hotelaria mundial. No que toca ao funcionamento de uma empresa as grandes mudanças que esta geração introduzirá irão passar inevitavelmente pela flexibilidade horária, o nível de informalidade, um estilo de liderança dinâmico, flexível e participativo, a valorização da compensação no seu todo, as estruturas mais horizontais e uma remuneração baseada no mérito. Bem-vindos à nova Geração Z.

*Por Carlos Díez de la Lastra, Director-Geral Les Roches Marbella Global Hospitality Education
Artigo publicado na edição de 8 de Junho do Publituris

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