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Falta de slots impediu easyJet de lan­çar novas rotas em Lisboa

Por a 3 de Julho de 2018


A easyJet teve o melhor Inverno de sempre, resultados que tiveram reflexo também em Portugal, com a companhia aérea britânica a conseguir crescer em todos os aeroportos nacionais onde está presente, de tal forma que o País tem já o factor de ocupação mais elevado da rede da companhia. Travão ao crescimento tem sido o esgotamento do aeroporto lisboeta, ainda que as perspectivas para o Verão se mantenham em alta.

Quase 37 milhões de passageiros transportados, uma ocupação superior a 91% e lucros de oito milhões de libras (9,1 milhões de euros), foi assim que a easyJet encerrou o último Inverno, o melhor de sempre na história da companhia aérea low cost. Os resultados globais foram, segundo José Lopes, director da easyJet para Portugal, “extremamente positivos”, assim como em território nacional. “Os resultados em Portugal estão em linha com o nosso crescimento em termos de rede”, disse o responsável ao Publituris, revelando que, no total, a easyJet transportou 2,77 milhões de passageiros nas rotas de e para Portugal, o que correspondeu a um crescimento de 8,4%, acima da média global. “Foi um crescimento transversal a todos os aeroportos nacionais, crescemos em Lisboa, Porto, Faro e Funchal, o que demonstra que esta aposta contínua em Portugal se mantém, não só nos períodos de pico, mas também no período de Inverno”, destaca o responsável. A robustez da marca, a descida do preço do combustível, o facto de Páscoa se ter assinalado no primeiro trimestre, a melhoria do ambiente comercial e a “retoma do mercado”, nomeadamente em países emissores, como o Reino Unido, França, Itália e Alemanha, são, segundo o responsável, factores que contribuíram para os resultados alcançados pela companhia aérea, nomeadamente em Portugal. “Temos sentido, cada vez mais, uma maior procura em todas as nossas rotas e mercados, sentimos finalmente uma retoma do mercado, ou seja, os mercados emissores estão mais fortes”, afirma José Lopes, considerando que a recuperação destes mercados “tem um impacto positivo em toda a rede, nomeadamente em Portugal, como mercado receptivo que é”. O director da easyJet para Portugal destaca ainda a fidelização dos clientes como outro dos segredos do sucesso da companhia aérea, uma vez que “dos mais de 90 milhões de passageiros transportados nos últimos 12 meses, 60 milhões já voavam com a easyJet”. “Temos vindo a aumentar esse nível de fidelização, o que não só nos agrada porque demonstra que as pessoas reconhecem o trabalho que temos vindo a fazer, mas também indica que estamos no caminho certo”, congratula-se o responsável. Importante para o crescimento da companhia em Portugal foi também a redução de capacidade anunciada por companhias concorrentes, o que permitiu à easyJet aumentar a sua taxa de ocupação, que, em Portugal foi superior à média global, fixando-se nos 95,7%, subida de 2,1 pontos percentuais, relativamente ao ano passado, o que leva José Lopes a dizer que, “Portugal, de todos os mercados, é o País com o factor de ocupação mais elevado, mostrando que realmente esta proposta é forte”.

Crescimento em todos os aeroportos

Além da ocupação, os bons resultados da easyJet em Portugal, neste Inverno, foram comuns a todos os aeroportos nacionais onde a companhia opera, com José Lopes a destacar Funchal e Faro, “dois destinos que sofreram recentemente o impacto de outros operadores deixarem de voar, e onde a easyJet continua a apostar de uma forma forte, diminuindo o efeito da sazonalidade”, sublinhou o responsável. No Funchal, a easyJet alcançou um crescimento de 9%, ultrapassando os 305 mil passageiros, enquanto em Faro a subida foi de quase 17%, para mais de 530 mil passageiros este Inverno. “Estes números são importantes porque revelam o nosso continuado esforço de estimular a economia nacional, trazendo cada vez mais turistas para conhecerem Portugal e, o que é mais meritório, é que foi no período de Inverno, quando existe menos tráfego”, acrescentou José Lopes. Quanto a Lisboa e Porto, que são destinos de ‘city-break’ na rede da companhia aérea, o desempenho foi igualmente positivo, com “valores bastante importantes em termos de crescimento”, com as rotas para o Porto a crescerem 6%, para 760 mil passageiros, enquanto Lisboa teve um crescimento de 9%, com um total de 1,7 milhões de passageiros transportados. Em Lisboa, as queixas da easyJet são idênticas às de muitas outras companhias aéreas, o que leva o director da companhia em Portugal a afirmar que este crescimento foi alcançado “com muita dificuldade e é fruto de muito trabalho”, nomeadamente da equipa de ‘network’ da easyJet, que tem conseguido “maximizar todas as oportunidades de ‘slots’ que ainda vão existindo”.

Boas perspectivas para o Verão

Lisboa é, aliás, a maior preocupação da easyJet em Portugal, já que, como refere José Lopes, “as perspectivas para este Verão não são tão positivas, o aumento de oferta em Lisboa será praticamente flat”. “Infelizmente, no Verão, não existem, mesmo a nível micro, tantas oportunidades disponíveis para podermos aproveitar em termos de slots, daí ser urgente a tomada de medidas, para podermos, quanto antes, voltar todos a poder crescer em Lisboa, ainda antes da implementação de uma possível solução mais abrangente para toda a grande Lisboa”, avisa o responsável. A falta de slots em Lisboa impediu a companhia de lançar novas rotas na capital portuguesa para este Verão, ao contrário de Porto e Faro, que vão contar com novas ligações. Desde o Porto, a easyJet anunciou novas rotas para Ibiza e Zurique, enquanto à partida de Faro vão existir voos para Milão e Nápoles. “Todas as nossas novidades de Verão já estão à venda. Não teremos novos destinos a anunciar em Lisboa, o que tem essencialmente a ver com este factor, ou seja, não temos disponíveis slots para podermos apostar em novidades, nem sequer no reforço de frequências para destinos que, nitidamente, temos identificados como destinos onde poderíamos crescer, como é o caso do Lisboa-Funchal”, explicou o responsável. Apesar de Lisboa, a easyJet está animada em relação a este Verão, com José Lopes a revelar que “as perspectivas para o segundo semestre são de continuação de crescimento, quer a nível global, quer a nível de Portugal”. No total, a easyJet espera crescer 5% em termos de capacidade de lugares oferecidos, enquanto o número de passageiros transportados deverá ser “ligeiramente superior”. Já a capacidade oferecida pela easyJet vai aumentar 13%, em contra-ciclo com o que estão a fazer as companhias aéreas concorrentes desta low—cost britânica, que estão a cortar na capacidade. “O Verão já começou e, no mercado em que operamos, os nossos concorrentes estão a retirar capacidade de 2%, enquanto nós vamos aumentar a capacidade em quase 13%. Vamos continuar a sentir esta redução de capacidade de outras companhias aéreas e com este reforço, ganhamos cada vez mais quota”, explicou o responsável. Em suma, José Lopes faz “um balanço bastante bom, com boas perspectivas para este Verão”, o que indica que a companhia poderá terminar mais um ano financeiro de forma positiva.

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