50 ideias para o Turismo | Mercado de trabalho

Por a 23 de Maio de 2018 as 10:47
Raúl Ribeiro Ferreira, presidente da direcção da ADHP

A diferenciação da qualificação hoteleira irá ser feita, nos próximos tempos, por conseguir fixar os melhores profissionais, o que não tem acontecido. Anualmente são divulgados os resultados da entrada no mercado de trabalho dos estudantes que terminam as suas formações tantas das escolas profissionais como das escolas superiores / politécnicos. Como é sabido a taxa de empregabilidade está perto dos 100%. Então onde estão estes milhares de alunos que têm sido formados desde 1957?
Há vários anos, que alertamos que, com a desregulamentação das profissões do setor, o baixo reconhecimento associado (Rececionistas: Empregados de Mesa; Andares: Manutenção, entre outros) e juntando as baixas remunerações estão reunidas as condições para uma tempestade perfeita. No fim de 2017 de repente todos começaram a falar no assunto!
A verdade é que este tema não é novo. Vários autores investigaram a importância da motivação, ao longo dos anos, nos recursos humanos. Sturman & Ford (2011, p.3) afirmaram que “uma vez que a qualidade e os valores são definidos pelo cliente, os empregados que fornecem a experiência aos hóspedes devem ser não só bem tratados, mas também altamente motivados pois isso vai ao encontro dos valores e da qualidade que o hóspede idealiza, assim como tal deve ser feito de forma constante”. Neste sentido, Senyucel (2009, p.23) é claro quando afirma “a economia depende de manter a motivação dos empregados e do seu crescente desempenho no trabalho”. Balanzá (2000, p.121) afirma “não há qualidade sem recursos humanos bem formados, motivados e bem liderados”, parece-nos que os recursos humanos são fulcrais na atividade.
Os recursos humanos são muitas vezes aproveitados para demonstrar o sucesso do Turismo e da Hotelaria, mas é consensual que o cuidado com as pessoas não foi, nem é uma grande preocupação do setor. Tal como refere Bilhim, (2007) que nos faz um alerta para a necessidade de encarar a gestão das pessoas como a questão central da sociedade do conhecimento.
Porém, hoje vivemos uma nova fase, com a falta de recursos humanos qualificados ou sem qualificação, em vez de trabalhar seriamente sobre o assunto, descobrimos todos de repente, que afinal se paga muito bem no nosso sector. Os representantes das associações discutem entre si, alegremente, quais dos seus associados melhor paga escondendo um enorme problema que está apontado por vários estudos, entre os quais o do Turismo de Portugal 2027, que refere que a remuneração média está 33% abaixo do valor da restante economia, mas sendo mais específico, segundo dados do PORDATA 2018 o salário médio do turismo é de 690,50 €, quando nos outros sectores da economia é de 924,90 €.
E agora? Acreditamos que podemos todos inverter esta senda, o primeiro sinal pode ser dado com a revisão da Portaria nº309/2015, com a inclusão de requisitos que reconheçam a aposta nos recursos humanos (conforme promessa da Secretária de Estado do Turismo, no Congresso da ADHP). Pode ser um princípio claro de um novo caminho, caminho esse que será feito com as pessoas que fazem todos os dias do Turismo, Hotelaria e Restauração uma marca conhecida em tudo o Mundo, a marca Portugal.

Raúl Ribeiro Ferreira, Presidente  da Associação dos Directores de Hotéis de Portugal

Nota de editor:  No âmbito da celebração do seu 50º aniversário, o Publituris convida, em todas as suas edições de 2018, uma figura do sector a lançar uma “Ideia para o Turismo”.

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