Opinião | Turismo: estabilidade e democracia

Por a 18 de Maio de 2018 as 12:01

Em 2017, o Turismo atingiu 3,2% do PIB global (10,4% com efeitos diretos e indiretos), com um crescimento de 4,6%, que supera o da economia global pelo sétimo ano consecutivo. O ranking é liderado pela União Europeia e Estados Unidos da América, seguindo-se a China, México, Tailândia e Turquia. Em Portugal, o Turismo continuou a evoluir acima da média, influenciando positivamente a economia e o emprego. Em simultâneo, o mundo está mais instável. Tensões políticas, crises económicas, sociais e humanitárias e problemas ambientais, ocupam diariamente a comunicação social, ela própria em crise profunda. São tempos contraditórios em que crescimento coexiste com o alastrar dos fatores de risco. A evolução do Turismo é influenciada pelo reforço da mobilidade, sendo determinante o papel do transporte aéreo, hoje com mais companhias, melhores aeronaves e maior e melhor cobertura. Mas não podemos ignorar que o Turismo se alimenta de estabilidade e democracia, sendo, por isso, muito sensível a más notícias. A Ryanair continua em foco. Por beneficiar de apoios e subsídios discriminatórios que ferem as regras da concorrência, atuando, no plano social, ao arrepio dos valores democráticos e ignorando, quando pode, os direitos dos passageiros. Tudo parecia normal até ao momento em que centenas dos seus pilotos desertaram para uma concorrente despoletando uma mobilização geral exigindo o reconhecimento de direitos laborais. Agora, em Portugal, fizeram-se ouvir os tripulantes de cabina. Fiel aos seus “valores”, a Ryanair respondeu com grosseiras ilegalidades que provocaram uma inédita reação do Governo, com intervenção da “inspeção do trabalho” e da Assembleia da República, que, em votação unânime, reclamou a sua presença no Parlamento. A companhia irlandesa, hoje líder no tráfego intra-europeu, tem um papel importante, mas não pode continuar a viver à margem das leis do mercado e dos valores da democracia, sob pena de ser, cada vez mais, um foco de instabilidade. Fala-se já numa greve europeia…. As greves na aviação provocam sempre justas preocupações ao Turismo nacional tanto pelo prejuízo causado, muitas vezes irreparável, como pelos danos de imagem. Com frequência tem havido exageros, ausência de fundamento e falta de proporcionalidade. Mas, neste caso, não restam dúvidas que a greve foi efetivamente utilizada como “último recurso”, tendo havido esclarecimento e bom senso.¶

*Por António Monteiro, antigo director de comunicação da TAP.
Artigo publicado na edição 1365 do Publituris.

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